O quando

Vontade não me falta de ser eu,
mesmo que dê trabalho,
mesmo que meus sonhos sejam incansáveis,
vou buscá-los

Meu espaço ninguém toca,
meu olhar tranca a porta
e só eu digo: quem entra e sai

Eu não admito que me invadam,
nem mesmo o melhor e mais plausível
dos seres que eu considero de valor

Jamais alguém arromba e põe abaixo
as portas do meu interior, nem em assalto.
Não estou trancado, cadeados quebram fácil

É uma questão de respeito com o meu eu,
a unidade, o singular, a exclusividade
de ser eu vai ser preservada até quando
o quando deixar de ser advérbio de tempo

Quando o quando for o meu eu,
de vez em quando você vai entender
os meus tantos prazeres e defeitos,
mesmo os adjetivando de sujeito

Cólera

Sentir a palavra na pele
a mover a ira, o amor,
o ódio, o que for…
Provocar desconforto

Ser o encosto do que não se quer ler,
a obrigação do que não quer ser visto;
o meu mundo encantado está se diluindo

Vou na veia, fazer o corte profundo,
dizer que te odeio bem mais do que todo mundo,
jogar na sua cara a agressividade sempre contida,
eu não vou mais deixar você me ultrapassar na corrida

Quero que sinta o poder da palavra que corta,
cansei dos afagos, do carinho do abrir a porta
nas madrugas frias dos seus erros imundos

Espero que erre e erre de novo, que chore,
que grite, sentindo a solidão, o carinho
que você procura, não vai ter mais, cansei

Agora a minha palavra vai mostrar o outro lado meu,
o meu poeta vai ser trancado na tortura, molestado,
condenado sem regalias, sem prevenção alguma

Agora eu digo sem a preocupação da sua ferida aberta
e que ela arda, como arde a cólera quimera.

Brinde

Eu só queria ter a paz
que aqui eu não tenho
te fazer feliz demais
como é meu compromisso
mesmo que eu quebre
todos os vícios da norma culta

Ser o carinho da conduta que você espera
de uma espera sem sentido pela pessoa certa
Ser o amor que você sonha, o carinho
que te ronda, o desejo necessário

Quero ser o paraíso que você merece,
ser a resposta da sua prece no choro,
ser o louco que te aceita mesmo valendo pouco
quando na verdade não tem valor que estime

A estima que me convoca ao poema
é uma tentativa fraca, banal, pequena
desse adjetivo simples de poeta
para um sentimento que não se quebra
em pequenas e boas palavras

Não sei contar meus veros,
os poemas já perdi a conta,
mas meu amor por você não basta
nem nesta vida cancelo a compra

Oferta imediata e prontamente aceita
sou seu amigo, amante, namorado
o que você quiser que eu seja,
mas eu não troco por nada,
esse brinde surpresa

Que é o melhor presente que eu já ganhei
e mantenho guardado, um mimo, uma sutileza
que é ter recebido a honra de ter sua vida
relacionada à minha, em um combo de certezas:

De que qualquer palavra é mínima,
qualquer sentimento é pouco,
qualquer aperto no peito é a saudade
que tem me deixado louco

De que qualquer lágrima é apenas uma água
que não me afoga, nem me mata a sede,
que eu não faço nem a metade do que minha alma tem vontade
pra te proteger, cuidar, preservar no infinitivo,
infinito de mim, imperativo de você, minha ordem,
minha hora, minha honra sem medida, sou parte
de uma parte da sua vida que caminha com a minha…

Pesar

Não esquece da minha poesia
eu estou morrendo, não esquece
do meu riso, da minha rima.

Por favor, não esqueça
que cada letra era sua,
estou partindo nesse instante,
sinto muito ir embora
sem me saciar do que eu tenho a dizer

Sempre tenho mais alguma coisa a falar,
ou melhor, a escrever, mas o tempo
já não me cabe mais um verso

Está dizendo que é hora
de deixar as palavras mortas
sempre vivas, o poema
não escrito na eternidade
do pensamento

Eu estou morrendo
e não tem nada além
que somente o meu amor
por todas vocês,
minhas queridas palavras,
por vocês eu vivi
e mesmo morto

Pelos olhos

Hoje o amor por você falou forte de novo,
tocou fundo o meu coração ver seu sorriso,
seu rosto tranquilo, alegre…
É sempre bem-vindo
como há muito tenho desejado ver

Hoje a memória de tantas lutas vieram à mente
e eu preciso ser coerente com o que sinto,
não vou dizer pra você que eu minto um dia sequer

Hoje e antes, ontem você sempre soube, como também
no ano passado, e no anterior, e antes daquele outro ano,
você sempre soube todos os meus sonhos e planos e eu…
Eu sempre zelei pela sua alegria e o seu conforto

Hoje o amor por você falou forte de novo,
o amor que sabe que existe e me deixa louco
porque quero sempre seu bem e te ver feliz
é uma meta que poucos têm um pelo outro

Hoje o amor por você falou forte de novo,
falou no meu olhar e foi sussurrando uma lágrima,
e fui conversando com você água por água caindo
e fui aumentando o ritmo do rio que flui vivo
e, finalmente, fui gritando um choro incontrolável
de um amor inquestionável e por poucos…
que eu mesmo não sei a extensão do que sinto sem fim

Hoje o amor por você falou de novo
pelos olhos…

Deus dará

Eu tenho planos que ninguém entende
a ambição não é coisa da minha gente
deixo passar uma vitória
para ter outras lá na frente

É perdendo que se ganha,
sei da cobrança, penso no futuro
eu abro uma mão hoje para usar as duas, assumo
as minhas vitórias e meus fracassos,
é tudo planejado

De vez em quando eu tropeço pra você dar risada,
mas a cara na poça d’água me refresca
para vencer eu não tenho pressa,
mas vale a máxima cautela
para aproveitar o melhor, quem me dera
Deus dará
para todos nós, Deus dará

Eu passo a minha vez, Deus já deu
para você, Deus dará
lá na frente Ele me presenteia de novo
Deus não vai me negar..

Peçonhenta

Cobra comigo não se cria
serpente rasteira e daninha
seu veneno não me afeta
sou soro que o vento leva

Seu veneno não me é malefício,
bebo com gosto e não me finjo,
sou persuasivo com o bem e o amor,
coisa de quem sabe da vida com louvor

Não preciso de mentira nem de chantagem,
a minha arte eu faço com o calor da honestidade….
Sem medo do perigo, minha mão carrega o pingo de antídoto
Não preciso matar a cobra, não meu ´perco meu tempo,
mas agora não rasteja para trás, o que você me fez passar
não vai me fazer mais, serviu de experiência

Não mostro o pau com o cadáver porque a lição,
por mais que seja doida, mudou a minha vida,
agora sou mais forte com o seu veneno,
imune à cobra que me feriu por dentro

Conta da gente, amor!

Eu te amo tanto e muito e quanto
com exagero manso, coisa de quem sabe o que fala,
mas se atropela e repete, fala, conversa e insiste,
que ama, jura que ama, morre de amor, se entrega,
hipérbole do gostar, ama sem pensar, só sabe que gosta
muito, quanto, um tanto, um tanto assim enorme!

Eu te amo, e amo mesmo e mais ainda amanhã, não duvide
e diga para os seus falsos amigos que não te querem feliz,
que te amo, amo mais agora, e mais amanhã e bem mais que ontem
e diga para todos que não duvida disso, se sente seguro comigo…

Vai lá, fala lá que você sabe o quanto é bem, bem querido,
bem amado, bem vivo em mim e que eu vivo pra você, vai lá!
Conta, amor, que sabe o quanto eu faço tudo por você
e que faço ainda mais se você precisar, que a gente se entende,
vai lá, diz para toda gente que a gente se compreende bem distante,
sou seu amante primeiro no fogo e no desejo, na sede e na febre

Diga lá para quem quiser ouvir que você sabe o meu sabor,
que ama, sufoca, aperta o peito, sente calor, que dá pra ver
no seu olhar o quanto está sendo feliz, como nunca!

Conta, mas conta com gosto, com vontade, com delicadeza,
conta com a beleza de ver a vida de frente, de ser feliz finalmente
conta da gente, conta, pode falar, abertamente
que a gente se ama como muita gente não sabe se amar!