Nunca recitei meus poemas,
ouvir minha própria voz
pronunciando minhas próprias palavras
ah, isso já é demais
Parece que ficando só no papel
estão guardadas, escondidas,
mas se eu as disser
vão correr até seus ouvidos,
e isto não quero
Ficando no silêncio da escrita,
lidas pela sua voz,
as minhas palavras são suas
Emitir os sons que trancafio nas letras
é dar liberdade condicional às palavras…
Se fosse essa a intenção, eu as falava
cara a cara, eu as diria…
Mas como sou poeta, que ironia,
quero que elas se eternizem,
perpetuem-se nas linhas,
caladas nas vias da fonação
Que qualquer entonação minha
não formalize o amor,
que ele não entre em formação,
não por mim…
Que ele parta de uma atitude sua,
na aguda curiosidade de saber
se os meus versos são seus
pela interpretação
Até que eu os confirme, ou não