Traida

Aflita, as mãos no rosto descem arranhando tudo
marcas de unha na minha face, ódio de tudo isso
dessa situação: como pôde passar por mim
segurando pela cintura outra mulher, raiva
choro desenfreada no quarto fechado
eu viajo através do tempo, pensamento
das noites juntos, dos momentos juntos
todo mundo dizendo que ficariamos juntos

Rasgo travesseiros, cobertores, furo colchão
com a tesoura na mão, tremula, rasgo nossas fotos
as suas cartas coloco fogo, o seu anel jogo pela janela
a roupa que voce me deu vou queimar num ritual
abominavel praguear a sua nova relação

Traida, mulher doida que queima de remorso
por não ter aceitado o conselho da amiga que
pareceu sórdido de larga-lo enquanto fosse tempo

Xingo-me de todos os nomes possíveis
cabiveis na minha mente descontrolada
vou pegar os frascos de perfume que eu usava
em nossos encontros para estilhaçar o aroma
bom e suave, gostoso e intrigante
em que o seu desodorante se mistura
quando nos relacionavamos
apaixonadamente

Partida II

Preciso da sua presença hoje
com o calor da sua mão
com a respiração espantada
por ter ouvido uma noticia
atrapalha ao dizerem que fui embora

Preciso te pedir algo
segurando sua mão firme
olhando no fundo dos seus olhos
e implorando sem palavras
fique?

Mas voce, em resposta muda,
desprendeu-se da minha mão miuda,
virou-se sem dizer sentimento
e por um momento pensei que
era mentira, que voltaria pra mim,
mas partiu….

Um dia de chuva

Vem que eu quero dizer
o quanto te quero bem
aproxima seu coração do meu
chora toda a sua dor

Diga-me o que sente
vem e não mente
eu sei que você sofre

Entenda de uma vez por todas
que o meu amor não é a toa
e se eu digo para você desabafar
é porque o mar está secando,
preciso das suas lágrimas pra desaguar

Rio da vida quando a vida ri de mim
chora que outra hora, a lágrima que caiu no chão,
vai para nas nuvens morar
e então, na tentativa de ressussitar,
cairá sobre as nossas cabeças

A mesma água te vi um dia derramar
hoje cai em meio aos nossos beijos
é a chuva que nos molha
mas a gente não se importa em nos amaro

Envenenamento

Vem-me à veia seu sangue, seu suor
Vem-me à veia quando lhe beijo,
uma onda à garganta, um nó

E na tentativa incerta de acertar o seu ritmo
vem-me à mente seu coração em um grito
que sinto silencioso quando lhe beijo
a nadar num doce rio vivo

Entre desejos e corações desequilibrados
um abraço não tem condição, são mãos e pernas
tremulas a apalpar sem distinção

E quando vejo somos perdidos
e perdidos nos queremos
entregamo-nos um a outro
outro dia não mais teremos
é uma descoberta única a que temos
na próxima não será tão intensa

Descobriremos novas coisas
mas esse mesmo extase jamais
repetiremos, a descoberta fulgaz
o fulgoso veneno que de trocas mútuas
envenenamento

Amor simultâneo

E quando emitimos energias boas
E damos ao pensamento vazão
E transmitimos às pessoas certas
nossos sentimentos mais sinceros
somos recompensados

Quando digo que te amo
amo mesmo, não engano
e quando digo que vivo
e vivo mesmo em paz com você
não há quem possa me convencer
de que você, amigo que é,
quer meu mau

Pois que ao lhe mandar energias positivas
e idas de meu coração, há uma troca
sendo que recebo de ti novas vibrações
e esse ciclo se renova para o bem
sempre para o bem,
porque o amor entre eu e você existe
e os momentos em que ele reinou serão
inesquecíveis

Violão

Junte-se aqui comigo, sente-se à beira-praia,
violão e areia, nos pés, nostalgia e sentimento, nas mãos,
composição sem partitura, letra sem sentido,
a boca vai muiscalizando os pensamentos
que se deixam levar pela brisa triste
de um passado distante,
não se via, nos lábios do jovem músico,
o doce paladar do beijo,
não veio, ficou a água salgada
quando mergulhava no mar da paixão passada….

A empresa

Mordiscou os lábios. 12:30. Quarenta minutos de atraso, inadimissíveis quarenta minutos. – Transito desgraçado. Um passo a cada três minutos.

– Eu lamento Jorge, mas não posso largar o carro no meio do tráfego. Por que não remarca essa reunião?
– Você só pode estar brincando! Sabe quantos milhões estão em jogo com o fim desse encontro?! Não podemos ter nem mais um dia de atraso!
– Que se dane! Vou chegar aí em 15 minutos, podem esperar. – Jogou o aparelho celular para o banco do carona.

Tomou a calçada, não queria saber das consequências. Acelerou, quase bateu em uma árvore, por pouco não atropelou os pedestres. Nada deixaria ela longe da promoção mais significativa da carreira – e já teve muitas etapas importantes na sua vida profissional.

Cinco minutos mais tarde, bem mais cedo do que esperava chegar, estacionou em frente ao monumento de vidro. Antes de sair, pegou seu batom vermelho, retocou as falhas feitas pela ansiedade do trajeto, ajeitou os belos cabelos loiros, e saiu em direção ao último andar.

– Sala da diretoria, por favor. – Mesmo anciosa sua aparencia não denunciava seu estado. Seu sorriso enigmático e a voz macia, conferiam-lhe ar sereno.

– Estou subindo Jorge, mais trinta segundos. Prepare minha cadeira.

Bateu o telefone e olhou-se no espelho do elevador. Consigo mesmo dizia nessa fração de segundos:

– Preparada minha querida?
– Não me resta dúvida da resposta – Disse baixinho.

Caminhou pelo corredor principal com a maleta na mão, com o passo mais firme que nunca. Abriu a porta rapidamente, não olhou para os lados em nenhum momento. Sentou-se na sua cadeira de costume ao lado do presidente da companhia. A vice-presidente, logo confortável em sua cadeira, disse com voz sisuda:

– Perdoem-me a demora, o tráfego estava um inferno. – Não prolongou muito as descupas – Sérgio, quais são as nossas realidades na contabilidade – Apontou a caneta dourada para o colega de equipe um pouco a frente, a sua direita.

Sérgio era experiente: 22 anos de profissão deram a ele visão de futuro, seja em qualquer mercado, estável ou instável. As moedas poderiam estar inseguras, mas ele não:

– Não vou enganar vocês, nossa situação é difícil, a perda de clientela têm nos deixado por baixo.

Viviam pareceu não dar atenção a uma das vozes mais respeitadas da empresa:

– Claudio, qual é a nossa força de trabalho? – Dirigiu-se ao rapaz mais afastado da esquerda.

– 35 mil homens, 15 mil mulheres. 3 unidades, além desta central.

Viviam não pensou muito, pediu para que todos saissem. Deixando ela e Jorge, o presidente, a sós.

– Sabe que sua decisão pode te dar o maior cargo da companhia. Diga-me o que pensa em fazer.

– Passar o pente nos meus cabelos.
– Como? – Jorge não estava impressionado, mas sorriu gostamente.
– A malha fina da companhia. Vamos tirar os gordos que comem rosquinhas de trás de suas cadeiras, tirar seus ar-condicionados e pôr todos ao trabalho. – Jorge levantou a sobrancelha direita – Tem mais, proseguiu a aspirante à presidencia – Cortaremos a força de trabalho masculina pela metade e aumentaremos a força feminina em 45%.
– Tem certeza?
– Ela o encarou seriamente nos olhos – Veja, – Viviam apontou as planilhas de levantamento – as mulheres produzem dois produtos a cada 5 minutos, os homens, levam 7 minutos para produzir o mesmo. Temos perda significativa no final do semestre.
– Certo, vamos testar seu esquema e no próximo bimestre montaremos novo encontro.
– Testar?! Você sabe o quanto suei para chegar neste posto?! Não fosse por um prefixo besta, temos os mesmos cargos. Você não me “testou” em nenhum momento.
– Vamos decidir isso de outra forma então.

Toda aquele stresse incomodou os dois cargos mais importantes de uma empresa com um futuro incerto, mas às portas fechadas, deram vazão ao que desde que se encontraram, como meros empregadinhos da mesma fábrica, desejavam fazer. Elevaram seus lucros, luxúrias e juros sexuais a uma margem de lucro fora de questionamento.

Sétimo andar

Entrou no prédio correndo. Atravessou o hall num piscar de olhos. Pegou o elevador.
– Para qual andar senhora?
– último
– Pois não
Assim que o rapaz virou-se ela foi categórica em lhe dar um beijo. Estavam a sós na cabine. Duas cameras no alto gravavam a cena. Chegou ao destino. Largou do jovem num salto e partiu para aquilo que deveria fazer. Hoje. Agora. Nesse exato momento. No corredor, avistou a sacada.

– Vamos!
– Temos razões para acreditar que ela entrou naquele edifício, vamos depressa!
– Portaria do Edificío salazar, com que morador deseja falar?
– Polícia. Precisamos entrar.
– Um momento. O porteiro olhou para o televisor que gravava as imagens da rua. Dois policiais estavam na porta exibindo suas crendencias oficiais. A porta foi destrava e aberta.
– Uma mulher ruiva, com mais ou menos 1,80 cm entrou a pouco aqui?
– Sim, a senhorita Júlia. Mora no 302.

Os policias foram correndo ao elevador mais próximo.

– Com licença, poderia me informar para que andar a senhorita Júlia do 302 desejou ir a pouco? – Esse foi o nome que ela deu aos funcionários do hotel, pensava o policial.
– Pois não, estranhamente ela foi para o último andar. Ela deveria parar no terceiro, mas não foi o que…
– Precisamos chegar até ela o mais rápido que esse elevador puder subir! AGORA!

Em questão de minutos estavam no andar desejado.

– César, mire os refletores próximo ao sétimo andar. – O colega foi avisado pelo rádio. Se estiver vendo uma pessoa na sacada, não aponte a luz diretamente para ela, entendeu?
– Certo, senhor. – Alguns segundo se passaram e então ele retornou: Sim, parece ser ela.
– Estamos perto dela também, vamos tentar uma abordagem amigável.

– Já devem estar aqui. Não vou perder tempo. Não aceito ser trancafiada, nasci livre e livre serei, nem que for na eternidade. Jogou-se.

– Não foi possível fazer nada, ela se jogou.
– Ela morreu! Tudo muito rápido, não conseguimos salvá-la.

Causa mortis: Suicídio
Motivo: Não declarado
Passagem pela polícia: Assassinato, furto, depredação de patrimonio público, perturbação à ordem e à moral pública, atentado violento ao pudor, abuso sexual, tráfico de drogas, formação de quadrilha, sequestro.

Falta de amor. Não teve vida digna, sem enterro decente. Na eternidade seria mais feliz…

Menina-moça

Sinto falta do seu cheiro doce, do seu beijo doce, do seu sossego, moça
Sinfo falta do seu sorriso singelo, do olhar que quero, da lua nova, moça
Sinto falta do seu jeito simples, da sua fala simples, da sua roupa, oh moça
Sinto falta daquele molejo, do seu desejo de despir-se à toa,
Sinto falta da moça que um tanto boba foi me deixando tonto
e quando eu me vi perdido, sendo da moça bandido,
fui me perdendo todo pela menina moça
que lavando a louça um dia me cativou

Sinto frio

Sinto falta de te ver banhando-se nas margens de um rio límpido de águas cristalinas, completamente nua a explorar cada centimetro do seu corpo da forma mais sensual que uma mulher poderia chegar a fazer, tentando desesperadamente, através do tato, se autoconhecer ou simplesmente levar às mentes masculinas o orgasmo sem freios. Escondia-me, mas alguma coisa me dizia que você tinha conhecimento da minha presença, e acho que foi isso que te tornou um pouco mais desafiadora, vulgar e impressionantemente mais cobiçada por cada neuronio meu que desenfreadamente trabalhava na cena de ver-me deitado em cima de ti fazendo amor…. Sentia que isso seria possível se investisse nas palavras certas ao te abordar; mas esse momento jamais chegou. Voce nao saiu daquele rio. Ao mergulhar, não mais voltou à superficie. Fiquei longos dolorosos minutos esperando seu retorno, mas voce afogou a propria vida em um suicidio tentador: na sensualidade e na frustraçao de nao poder realizar tudo que planejei.

Reencontro fluvial

Eu tava na chuva
molhando mais do que meu corpo
eu tava na chuva, chorando aos poucos
mas não pense que era choro diferente do doce da chuva,
se duvidar era o choro mais doce que eu poderia chorar

Molhavamos-nos de suor, desejo e luxúria
a água que deixava sua blusa mostrar os seios
era a mesma que molhava o enrijecido
e na tentativa de nos fazer felizes
nos consumiamos com tamanha intensidade
incrivel rapidez que se por ali alguem passasse
nao saberia mais o poder de um segundo de reencontro

E de tudo que do céu caia vinha morar em nossas bocas
a chuva que lhe banhava a boca, invadia nossa paixão louca
descontrolada, talvez tola e nos afogavamos em amor

Beijo corrosivo

Meu nome eu nao sei
de onde venho esqueci
se tenho maioridade, sei não
se adormeci no banco não percebi

Se choveu à tarde, quem sabe
se me molhei, pela metade
ou se foi choro, nao vi
se as lágrimas tinham sentimento, menti
tudo que lembro é que eu nao vivi
o suficiente pra dizer que fui feliz
ao seu lado, foi um beijo curioso
um tanto raro, que de tão rápido
se fez o mais longo e o mais corrosivo
apagando da minha mente qualquer momento
antes de te ter nos meus braços

Pacto nupicial

Aproximou-se do templo
o vento tremia o tempo
as pernas balançavam
o coração nao batia mais
(era tão acelerado,
já não podia mais distinguir suas vibrações)

Aproximou-se dos portões
(portões? estaria ela no céu?)
com sua veste trabalhada
com seus cabelos escovados
com a beleza ao ápice naquele dia
ela sorria, e se pudesse ver sua magia no espelho
se autoconfundiria com um anjo

Entrava a canção de boas-vindas
a cada passo não se cabia em si
todos ali naquele espaço a esperavam
ansiavam pela presença
da divina, do anjo-menina
que abençoaria os dias
de um soldado de Deus

Assim os príncipes
na união angelical
seriam rei e rainha
e a posse seria consumada
noutro dia

Veio então
passo após passo
a igreja ruia
o palco da festa pronto
chegava àquele ponto
palavras trocadas
amadas e abençoadas
e pronto

Aplausos se faziam tanto
que os Deuses certamente
ouviram o acalanto
na troca de olhares
e os mares, ah os mares!
secaram por um momento
no beijo em que dois mundos se uniam
ondas iam e viam trazendo
ondas e mais ondas de paixão…

Doença sem cura

Olha minha linda
seus olhos de menina sofrida
não me impedem de te amar

Olha garota sombria
não desisto da sua luz
que em mim ilumina

Olha guerreira
é triste ver você
perder batalhas…

Se eu pudesse lutar por você
esteja certa que morreria em combate
mas veja a maldade desse mundo
nós dois não vamos ficar juntos…

São doenças irreversíveis
quero te poupar mais sofrimento
não quero lhe condenar a morte
por sorte, você terá outro alguém

E este será eu realizando o meu sonho
quando eu partir…

Um encontro com o mar

Sentado na areia
na orla da praia
nem uma gaivota ensaia
uma passada nas nuvens

Sentado na areia
nos grãos macios
a areia impregna
o meu vício de olhar
as ondas

Mas o mar anda tão
sem graça, não bebe
mais a minha dor

Não desafogo mais
as minhas emoções
não canto nem choro
a mesma canção

O mar anda tão sem graça hoje
o azul e o verde
trocados pelo cinza-negro
da minha solidão
do meu vazio sem solução…

As marés nada mais são
que minhas lágrimas
que vem e vão…
salgadas talvez
os meus olhos vermelhos
já não mergulham na paixão…

Cama, luxúria e poesia

Sexo, luxúria, esperma
calor, amor, abraços
corpos e mãos
cintura, doçura, paixão
beijos, poesia, língua
sucção, saliva, canção
nojeiras, explosão
esperma na bermuda
na vida de uma outra
doação

Em cama, a lama
do fervor, os lençóis brancos
brancos do teor
da sensação sublime de entrega
integração de corpos
entre travesseiros limpos
não tão lindos depois da tentação

Um amor das águas

Quando eu passava pela praia
na orla extensa e suja
que Deus não me iluda
não acreditei no que vi

Banhada, molhada
salgada, temperada
das águas saia
com um quase nada

Na beira-mar
olhar não deveria
hipnotizado estava
seu corpo me arrepia

Não consegui me mover
areia movediça
morena da marquinha
sua beleza alucina

Quando vi, você passou
tão longe de mim decepcionou
meus olhos salgados ficaram
quando você beijou seu protetor

Macarrão com queijo

Gostoso e grudento
o molho, venenoso
que apetitoso, repeti

Se foi gafe levantar o garfo
mais e mais e mais uma vez
não quis saber

Conversavamos e comíamos
comíamos conversando
quando o grude por engano
sem perceber, o ousado e suculento
em seu seio quis um novo acompanhamento

E meus olhos indiscretos, focados em ti
o macarrão deixei esfriar e lhe aqueci de desejo
que esperta e avançada não retirou o alimento que comi

Dois corpos

Somos a tentação de pensamentos
que quando unidos para torná-los realidade
viajamos na tentação da carne sem mais saber
que os ponteiros do relógio rodam sem a gente vê
e quando nos damos conta já é anoitecer

Mas não ligamos, já que aqui estamos
deixa o prazer prevalecer
e se da nossa relação sair a nova geração
deixa que Deus sabe o que fazer
para que nossa vida seja abençoada
com esse novo presente do intenso amor
que brotou sem querer…

Passado melancólico

Sou a lágrima salgada nos seus seios a cair
Sou a tentação mesmo sabendo da desgraça de ser assim
Sou o doce aroma da sua pele cheirosa
que você dengosa, saboreia antes de dormir

Sou a paixão que dói no peito
o amor inabalável dos anos derradeiros
que você insiste em melancolia
relembrar as nossas fantasias juvenis

Sou a sensação de vazio a incomodar
o pensamento viajante que assola
sou motivo de insonia a te degastar
Sou a canção da novela ao deleitar
o seu coração triste a pulsar

Sou a emoção de um dia me ter de volta
ao satisfazer seus sonhos que não deixaram
de seduzir a sua mente,
mesmo quando nos separamos sem motivo decente

A misteriosa do véu

Minha musa
seduza e abusa
jovem semi-nua
com véu arranca suspiros
meus anseios são luxúria
de em teu seio formozura
derramar o meu sossego

Ganhou meu coração
a fixação dos seus beijos
mas me ignora
e agora?
como vou saciar desejos

E o que eu quero?
se o que eu quero você nao quer!

Você minha mulher em pensamento
feiticeira das areais no deserto
seu véu caiu em minha mente tão certo
que quando abri os olhos já não a vi por perto

E o que eu quero?
se o que eu quero você nao quer!

Comprou cada pedaço de mim
fugiu assim sem me dizer seu nome
qual é o homem que conseguirá viver desse jeito
com essa dor no peito
consome…

Porque o que eu quero
você não quis
homem infeliz
encantado e triste
nada existe sem ti

Casa do coração

Minha casa seu coração
meu quarto a eternidade
da combinação de pensamentos
entre nós dois

No nosso quarto, na cama quente
quando a gente se sente um só
quando o suor frio vem se manifestar
e logo depois nós dois a nos beijar
aumentamos a temperatura

Na cozinha entre panelas
entre comida fria eu lhe comia
sem pestanejar

Uma garfada como um prato de requinte
a se degustar, você minha rainha em nosso lar

Na varanda, quando não sobrou mais lugar limpo
eu pude lhe sujar mais uma vez,
a última talvez, que eu pude aguentar

Assim nos consumidos estreando cada cantinho
da nova conquista de casamento
recém-alimentado pelo vento
e aquecido pelo sol

Homem de aluguel

Não venha me dizer que não gosta
é pura, pura mentira
a sua cara não esconde o prazer
mas você ainda nega claramente o que se vê

Nós dois na beira da praia
a areia foi nossa cama
você dizendo que me ama
e agora nega?

Que história é essa
de na hora ser bom
mas que depois de tudo
não sente mais nada

Que história é essa
na hora eu te vejo suando frio
agora vem me desprezando, negando
todas e tantas outras aventuras?

Vou dizer o que você é:
uma tremenda puta, duas caras
não uma mulher

Você geme e xinga, diz que me quer
pra eu ir mais fundo, totalmente sem escrúpulos
você ama, dança coladinho, esfrega meu corpo
molha o meu membro, eu jorro gozo
depois você me descarta como um produto

absurdo!
Você quem procura
alguém me segura
porque eu não sou de ouvir desaforo
na próxima não adianta pedir socorro
porque eu vou acabar com tudo!

A ilusão de amar

Quero contar minhas veias
pra nao saber onde errei,
pra fugir desse mundo

Quero o silencio da morte
o frio da noite e maciez do véu
a cobrir meu corpo

Quero sangue jorrando
a vida partindo
sem choro, sem lamentar

Quero dormir, nunca mais acordar
Mas vivendo eternamente na ilusão
de que um dia, mesmo que sozinho,
pude te amar

Conexão d'alma

Abra a porta, me deixe entrar
sou eu quem lhe escreve
deixe a tinta molhada
ser a chave do seu coração

Quero abrir a tua alma
através da combinação
das palavras

Deixe que a caneta
toque a sua alma
rabisque muito mais que versos

Deixe-me transformar seu mundo
com as palavras sinceras vindas de mim
Palavras serão a conexão
entre você e o meu coração