Mulher da noite

Eu tenho cara de bolero, de valsa, de dança?
eu tenho essa marcha nupicial no corpo
esqueça as canções as melodias, tudo isso
deixa seus olhos acompanharem meus olhos,
suas pernas fraquejarem nas minhas pernas
sua boca secar ao ver minha boca umedecida

Cantiga desenfreada, um tanto encabulado, enfeitiça
feliz ou carente, procura contente meu corpo dançante
valsante, melancólico, utópico

É o corpo servindo de copo para a sua bebida
é a fumaça ofegante da minha maquiagem a te impregnar
é o meu silencio que não desce, sólido veneno
entorpecente homem carente que quer beleza paga

Fantasia privada para ser feliz
bolero ou cigana, a dança por um triz
coloca seus sentidos e sentimentos na roda
e quando se aproxima para pedir um trocado
uma recompensa pelo serviço prestado
fascina e enche de adrenalina e esperança
um coração apaixonado

Amante

Hoje mergulha no leito
travesseiro encharcado
olhos ardentes
coração queima

Cama pega fogo, de ódio
lençol rasgado, irada
ira calada, agora inundou
represa transbordou, sentimento

Vício maldito, amor não correspondido
iludida, mulher aflita, vê-se sem dignidade
repulsa sobre si, se é assim, odeia-te

Amou quem não devia
desejo que não sacia
precisa de companhia

Companheiro não veio
arrasou-lhe alma, ferida,
felina entristecida, abatida
vencida, vendida, enjaulada
mau amada, destratada,
dissimulada, aos poucos, calada

Morre por dentro, veneno
pequeno deslize, hora errada
fragou-o com outra, esposa?
felina, ferida, amante?

Adiante

Não me deixe mentir, eu não suporto mentiras
não me obrigue a isso, nem em nome do amor
amar e mentir não se combinam
quem ama não mente, quem mente não ama

Seremos fracos, fugiremos da verdade
talvez consigamos o que queremos
mas ao preço da mentira, perderemos

Perderemos nosso amor, nossas vidas
cedo ou tarde descruzarão novamente
porque a vida, querida, não une por mentira

Ela tece, dia após dia, verdades para ficarmos felizes
em plenitude, em contentamento, de coração e espírito
construiremos uma relação falsa por esse método
separaremo-nos, recostruiremos-nos em verdade, adiante

Fome de paixão

Você é tão carinhoso comigo
eu quero você para todo o sempre
você me faz ser tão querido
eu me sinto tão confortável hoje

Talvez seja porque estou ao seu lado
você me fez tão bem no passado
e agora, depois de casados,
eu não consigo deixar de te amar

A cada dia mais quero seu carinho
você me viciou, amor
foi o calor dos seus beijos
que acalentou essa alma fria…

Nunca esquecerei que você
me aqueceu enquanto eu sentia frio
eu não posso deixar de te agradecer
você tem me alimentado quando eu sinto fome
tenho fome de paixão…

Sua mudança

Você está tão mais bonito hoje,
e chama tanto a minha atenção
você está tão marcante em minha memória
como um passado tímido e sem futuro

Mas algo em você mudou, meu bem
eu sinto isso agora, como você fez?
Revele-me esse seu charme, filho
preciso entender seu coração

Eu sei que você não era, amor
e eu pensei que você não seria
o que tem se tornado agora, garoto

Mas você percebe o quanto tem se modificado?
você já se olhou no espelho hoje, querido?

Eu acho que não…
Eu acho que não…
Eu acho que você não percebe isso…
quando cair em si, menino, terá um susto

Assim como eu tive….
assim como eu estou tendo…
nesse exato momento…
nesse momento belo….

O colecionador e o conto do beijo

“O amor dá-se de duas formas: Quando você espera e quando você não espera…”

É engraçado… Às vezes me pego sorrindo sozinho ao volante. 40 km/h em uma estrada. São meus pensamentos que resolveram ultrapassar a velocidade máxima da via… Engraçado, quando eu te via. Você não sabia que eu lhe observava.

Discrição total de colecionador-contemplador de uma beleza que só nos é revelada com cautela. Você sentado num banco da escola com uma menina. A beijava deliciadamente, gostasa e um tanto timidamente. Vejo que suas bocas não se encontravam. Suas línguas não compareciam, seus lábios não se encaixavam. Era uma desarmonia de principiante. Mesmo assim se despediram felizes.

Cinco dias depois eu decidi, já desesperado com sua postura de esperá-la todos os dias que se seguiram ao primeiro contato, disser-lhe que ela não viria mais. Sentei-me ao teu lado sem dizer uma palavra sequer. Enfim você suspirou e desabafou: – Por que ela não vem mais? – Ela está tão perdida quanto ti.

Bastou para que ele se encontrasse antes de voltar àquele banco…. E quando por fim se achou, lá estava ela.

Hoje eu dirijo a 40 km/h sorrindo para o amor.

Ansiedade

Eu chego em casa mais cedo só por você
e adianto o meu dia só para ter mais tempo
e cancelo comprimissos só para te ver

Eu vejo a hora toda hora só para te encontrar
e fico angustiado toda vez que você partirá
porque eu sei o que tempo vai passar
e você terá que me deixar

Apesar de ser só por pouco tempo
isso me sufocará…

Baby

Garoto, meu sonho é tê-lo ao meu lado
oh garoto, meu sonho é poder correr contigo
pelos campos e encantos da vida

Garoto, meu sonho é tê-lo por perto
pra saber que, ah garoto, isso me faz segura
e mesmo que eu não saiba o impacto das minhas palavras
ah garoto, não importa, o impacto maior você já fez

Baby, você encantou meu coração
e somos só nós dois em minha mente, baby
mais ninguém no meu sonho perfeito
baby, apenas eu e você

Rita

Rita tu que és sensata
venha cá e me arrasta para o teu leito
mostra-me com tua experiencia
que o teu seio não só amamentou
mas que com o passar do tempo
esse teu argumento sedutor,
perdoe meu abuso,
também ampliou meu apetite por ti

Rita que de rima se fez
diga-me se é insensatez essa declaração
diga-me se o dono do teu coração tem idade pre-definida
porque se permite, minha jovem senhorita,
essa tua adrenalina de anos a fio
encanta-me desde que eu venho do berço…

Cantinho

Me esquenta com jeitinho no canto
e quando eu gemer baixinho em pranto
em pleno orgasmo, que eu fique tonto
mas se for falta de membro, que eu fique longe

Me acerta, me faz seu homem
me engata a marcha que eu alavanco
que você se encaixe naquele ponto
e que a desgraça se faça valer a pena

Porque um erro cometido, se bem fodido, é um erro
mas que pelo menos essa falha seja prazerosa
porque dos erros o que a gente guarda é parte gostosa…

Boca

Eu só quero uma parte do seu corpo, a boca
porque na boca a gente resolve quase tudo

Se não estiver bem a gente fala
Se quiser orgasmo a gente chupa

Na boca a gente resolve quase tudo
é a única parte do seu corpo que interessa

Porque se precisar de água a gente bebe
e se precisar de arrepio a gente lambe a nuca

Porque na boca a gente se realiza
e as nossas línguas brincam de foder

Porque, meu bem, eu repito nessa estrofe
com um pouco de sorte, nessa boca eu me afogo…

Beijo-veneno

Todos os sons e todas as melodias
serão mínimas para encantar seu coração
porque de todas as canções que eu ouço
uma frase me faz lembrar você
um grave alongado me faz te ver

Caminhando nas praias desertas
afundando meus pés na areia
sentando à beira-mar, eu vou pegar meu violão
para recitar qualquer verso, qualquer refrão

Eu vou fazer com que meus sentimentos se afoguem
quem sabe essa falta de sorte de não te ter aqui comigo
me faça mais compreensivo, capaz de entender
que mesmo sem você, eu penso, eu sinto
sua presença, seu abrigo a me aquecer

E quando percebo o sal do mar me envolvendo
eu lembro do nosso beijo-veneno
que me fez te perder

Por que beijei aquela moça à força
o antidoto ainda nao estava pronto

Que tonto eu fui…..
engoli veneno

Agora o mundo é pequeno sem você aqui
a perdi para sempre…

Pedra do passado

Que bom ter você aqui hoje
faz tempo, eu esperava por isso
foram alguns anos se passando
mas no fim de tudo eu ainda ansiava
retorno

Passei por verões frios
e outonos coloridos
primavera sem flores
invernos sem abrigo

Procurei as velhas cartas trocadas
pedaços de papel com carinho extinto
vi minha única forma de calor
num triste passado, vazio

Era nossa forma de romance
tão juvenil e tão precoce
que na primeira pedra pela frente
mudou nosso caminho

Ah que pena nossa insegurança
de por cima da pedra não ter passado
que triste ignorancia
termos ido cada um para um lado

Já me senti assim

Sabe quando a gente conhece uma pessoa nova
e nela aposta, decepciona-se e algumas vez chora
por tentar mais uma vez e não encontrar o que esperamos?
Sabe a sensação de brincar com o aleatório
um jogo de sorte, uma roleta a rodar?

Já me senti assim
e sabe o que é pior pra mim?
lutar e ter chorado mil vezes
não ter encontrado ninguém
digno do meu carinho…

Mas sabe o que me consola?
às vezes o destino tem dó da gente
Vê que somos inocentes querendo distibruir amor
e nos dá um presente….
Você

Pedaços do caminho

Quando lentamente fecho os olhos e suspiro é o seu nome que me foje de dentro
e quando paro para ler nossas cartas, pedaços da nossa história encantada
finjo que fico admirada com as suas palavras, mas eu não ficava

Era fácil igonorá-lo e tê-lo de volta quando precisasse
eu sei que foi maldade, idas e vindas, tentar o seu coração
abria-lhe uma ferida e a curava pouco tempo depois

Eram curativos simples, não muito cuidadosos
e hoje o meu remorso foi não tê-lo tratado direito
porque toda vez que eu lhe feria, eu me ardia sem saber

Mas quando voltávamos e retornávamos ao desejo
eu tentava esquecer os sofrimentos propositais que lhe causei
achando que fosse ágil o fechamento da dor de um ser

Mas todas aquelas apunhaladas foram feitas com profundidade
eu sei que foi maldade, já não dá pra sanar,
é impossivel colar seu coração agora
há muitos pedaços faltando
que por falta de carinho foram se perdendo
pelo caminho eu fui pisoteando…

Cabelos cor de fogo

ana

Musa da MPB, Ana Carolina é a personagem deste trabalho

Cabelos cor de fogo
que antes me dominava
tomei coragem para dizer-lhe
que já não és ameaça

Tomei-lhe pelo ventre
com minhas pernas
acorrentei-a, segurei-lhe os pulsos
amedrontei-a

Veja agora, cabelos de fogo
quem o teu corpo incendeia
veja o desespero, a queima-lhe as veias

Perca o controle
sue de desejo
veja cabelos de fogo
quem inceidas o teu leito

Sou eu, cabelo de fogo
seu esperma, sua água
não procure, cabelo de fogo,
a nossa carne queimada
apenas descanse
a alma em brasa

Negligências

Eu tenho saudades dessas risadas, dos abraços e palhaçadas
que vivemos juntos, que fizemos juntos, até as altas horas da madrugada
eu tenho saudade da nossa juventude, da nossa mocidade
que foi tão cedo…. Agora é tarde pro meu desespero

De continuar rindo, e zombando da vida
que agora, nessa nossa idade envelhecida,
zomba e nos ensina a ser homens maduros

Eu tenho saudade da nossa negligência
que apesar de ter sido tamanha e horrenda
quando a fazíamos, o mundo valia a pena

Mas agora, pelo mesmo motivo que rimos,
viemos a refletir, e não é que os dias ao partirem
levaram repartidos pedaços de nossos jovens seres
para a enternidade?

Cigana

Quero me apaixonar por uma cigana
me perder nos movimentos de roda
me embrigar no olhar da Rosa
me hipnotizar naquele olhar de prosa não dita

Dizem que cigana é maldita
rouba teu coração sem perceber
nessa dança, no abre e fecha e roda
dos panos e saias e enganos
enfeitiça um jovem homem tonto
a segui-la rodopiando

Ele então vem se suicindando a cada passo
que ela foje dançando….
e quando vai ver só resta
um farrapo humano querendo o prazer
que a cigana na dança
atiçou-lhe o ser

Morreu querendo
feliz partiu, dançando
querendo ela
iludiu-se
mas teve o quis

Uma mulher olhando em seus olhos

A letra do nosso amor

A letra do nome dela
não importa, só o que interessa
cantar pra ti, dizer-te todas as outras coisas
que seus ex’s não disseram

Mas uma coisa boa eles te deram
a melodia certa do amor sério
acabou a brincadeira com o nome paixão
eu te quero com os pés no chão
vamos parar de nos iludir

Vejo dois seres
sérios e firmes
decisos na indecisão
de deixar o mundo pra trás
e partir para a nossa felicidade

Afinal não iremos nos arrepender
não nosso caso, não
não no nosso caso,
de amor…

Meu bem

Meu bem, venha cá
encosta seu corpo no meu
não se acanhe, sei que quer

Venha um pouquinho só
vamos pensar na vida juntos
já que está tristonha
eu te digo

A minha intenção
amar-te, amor
fazer-te, feliz
calar até os seus
suspiros de melancolia
transformá-los em desejo

Porque essa menina acanhada
um tanto tímida, amendrontada
verá em meus braços, segurança
pois eu não canso de ser
a porta aberta para sair da solidão…

Chore por mim

Chore por mim por motivos fúteis
uma ligação que não tocou
uma explicação que nunca chegou
de um problema que a sua cabeça arrumou

Chore por mim, querida
por uma porta que eu não atendi
por um dia que eu esqueci
apenas chore por mim

Vá visitar uma amiga,
diga a ela em prantos que eu não presto
que eu não fiz o que voce julgava certo,
chore, apenas, apenas, chore

Eu sou toda lágrima que de ti caiu
porque nem chorando você me deixou…

Em frente ao espelho

Encaixa os seus olhos nos meus olhos
e a sua boca na minha boca
encontre a sua mão com a minha face
a conduzir meu rosto no encontro de linguas

Aproxime seu peito do meu peito
que de agitos se repelem
cola o seu corpo no meu
unidos por suor e desejo

Entrelace mãos, pernas, cama e poema
a dama que de beleza se ostenta
hoje quer deixar os frescores de lado
e por cima, por baixo e por todos os lados
ser despida e consumida por si mesma
enfrente ao espelho do pensamento

Cá entre nós

Olha, cá entre nós, você tem uma sorte imensa
essas pernas, essas saliências
Olha, você sabe seduzir só em reduzir
seus passos ao passar

Cá, aqui, pra mim, você sabe amar
o seu corpo eu quero, porque…
assim… como dizer…
ah sim! você sabe perturbar
o compasso do meu coração…

Na cama, ou fora dela
cá entre nós, não importa,
você sabe como fazer
e eu gosto de fazer com você
tudo que nas Escrituras recomenda-se
ao homem e à mulher fazer para sobreviver…

Trincheiras

Beijai minha boca com o ardor de ser o último beijo de tua vida
sejas tu minha novamente como pela primeira vez
entregai-te, amor, sem escrúpulos, sem fronteiras
que minha estada nas trincheiras pode ser meu último ato de coragem
tenhas tu a arma de me fazer o homem bobo e infantilmente risonho mais uma vez
a finalíssima e a primeiríssima que eu deixei o tempo levar
o tempo agora permite que venhas regrassar
para que caso eu venha a suspirar, que seja por ti…

Tentadora

Passos firmes, sorriso frio
entrou no recinto sem cerimonia
quieta como o vento que sopra em meios aos homens
de tão forte presença incomoda os sentidos

Vinha de vermelho talvez proposital, quem sabe
quisesse dispertar no homem o instinto animal
de ver o sangue da presa a escorrer pelo corpo

Enfim disse palavra e esboçou um riso diabólico
tentando o homem a não tentar agarra-la em público
seguiu em frente, rodeou a vítima, beijou-lhe a nuca
arrepiou-lhe as veias, que o sangue circulava explodindo
disse-he ao ouvido palavras que o levaram a perder a respiração
e saiu sem dizer nada, deixando-o contorcer-se de exitaçao