Poema de menino

Obrigado pela amizade sincera, pelo carinho e pelo irmão doce que você é
Obrigado por me trazer sentimentos bons, por me fazer capaz de me importar com o meu próximo
Esses sentimentos que você plantou em mim, quando crescem pelas suas dificuldades
Esses mesmos sentimentos são capazes de fazer o que eu sempre quis: Te dar conforto

Quero dizer em poema, em palavra, no papel – ou não – mesmo que seja pela boca
que te amar, acima de qualquer coisa, faz bem demais ao meu espírito
É como se eu ganhasse um ano a mais de vida, quando dedico bons minutos a pensar no seu bem-querer

Como diria Djavan, “meu encanto, eu te quero tanto!”
perto de mim, te quero tanto! Te amo tanto! Obrigado por me fazer poesia
sendo um poema de menino.

Observações

Tenho pensado em muitas pessoas ultimamente e em como elas me fizeram feliz.
Como, mesmo sem perceber, eu pude contar com cada uma delas para construir o que sou agora.

Até para escrever poemas, admito.

Admiro muito mais os fatos, os acontecimentos e as passagens da vida
e as valorizo, certamente.

E tenho certa mania de fazer poemas com observações

Celebro os verdes campos que já têm incomodado meus pulmões intoxicados,
desde as toxinas do ar puro, às pessoas que sorriem ao meu lado no banco do carro

Agradeço profundamente os acasos do destino quando penso que nada de bom me surge,
quando o cansaço vence, o desanimo desilude, e o sonho se dilui na realidade difícil.

Agradeço os mesmos ventos quentes que batiam em minha face e me faziam desistir nas paisagens dessérticas,
e a esses mesmos ventos que me refrescam de esperança, garra e confiança quando tenho a sua energia por perto

E assim, por certo, que a vida nos prega surpresas, e nos desgasta para desmontar o quebra-cabeças que pensávamos faltar apenas uma peça.

Então, em meio à frustação do recomeço, eis que me vem o apreço da mão amiga para me dizer em muito mais que uma rima:

– Viver em companhia pode ser complicado de início, quando nos vemos perdidos, sem cuidado,
mas acima daquele que está calado e cabisbaixo, nascem sorrisos nem um pouco acanhados
que se completam agora em comunhão

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Pela amizade, companheirismo,  credibilidade e confiança que o amigo Igor Calil tem em minha pessoa. Votos também de minha parte pelo reconhecimento verdadeiro de que é nas aflições da vida que encontramos quem nos mantenha de cabeça erguida.

Meu eu do futuro

Eu sempre serei rídiculo para o meu espelho,
e infantil para o meu eu de amanhã, talvez até convencido.
Serei ingênuo com certeza.

O meu eu de amanhã sempre zombará de mim
até por essa petulância de tentar advinhar coisas de amanhã

E ele sempre lembrará como eu me sentia extremamente certo das coisas,
quando tudo estava errado, e eu não via, apenas com os olhos de amanhã

Então, ele vai lembrar das minhas palavras ditas erradas na infância
e de como eu era rídiculo esperando a menina passar

Claro, vai gargalhar lembrando como foi comico o primeiro olhar
e mais adiante, como foi natural relatar a ela esse dia, e ouvir dela a mesma coisa

Porque o meu eu de amanhã, vai olhar os meus futuros filhos brincando
e sentir saudades do passado correto, por mais que os meus pais disessem
que o tempo deles é que foram bons

E o meu eu do futuro talvez se surpreenda
quando perceber que concorda com ele mesmo,
do passado

Des-encefalecer

Controlar as feras psiquicas, muito pior seria
se eu não tentasse, se eu me sujeitasse apenas ao meu isolamento
ao confinamento dessa mente que, ferida, leva a cada dia a mais ácida mordida ao intelecto

Não há remédio que controle, não há camisa que isole, e antes que eu implore
no último filme da minha mente consciênte, e antes que eu chore
por qualquer coisa que não sei o que

Sinto muito, mas o caminho fui eu quem escolhi
por favor, não tenha pena de mim
tenha pena de quem acreditou na saída
quem ainda viu a vida gritar em mim
presa nos meus olhos

Presa de meus erros
na pressa do apego
de não ser compreendido

E assim se constituiu o vício
ferindo à construção familiar
e antes que a reflexão se perca,
perceba, é realmente literal

Hoje, por motivos alheios,
sinto falta do cheiro a me matar
das roupas, o odor, o clímax de me perder

E para dar um ar cômico ao recheio
sinta o trágico desfecho ao se constatar

Que as camisas de força, as internações,
as injeções, e as orações daquela moça,
não têm adiantado muito

Ainda me lembro de absurdos
que minha mente luta para não esquecer

Aquela senhora que um dia chamei de mãe
hoje ergue as mãos para me benzer

Para bem dizer é ela quem precisa de oração,
já cansada de viver, roubei-lhe os bens
materiais e humanos, para me entregar aos erros mundanos
ao me des-encefalecer

Curvas e Retas

Hoje é dia de ter um sonho bom,
uma meta, um desafio, fazer da música
uma sinfonia que agita a alma,
mesmo na calma de canções suaves

Sossego para o espírito
que cansado de ter inimigos,
deixou de afrontar a vida

E as coisas vindas, hoje entendidas,
passam a ser lidas com mais atenção
E as coisas idas, hoje compreendidas,
são na medida da estrada construída.

Os caminhos tortos hoje são desviados,
corrigidos, inacabados, mas foram aprendizado
Os caminhos certos, por mais que estivessem retos
tiveram prazos determinados

E o passeio pequeno, sem entendimento,
hoje já construíu uma estrada curta,
em alguns pontos suja, noutro, limpa,
mas no futuro, uma pista com rumo correto,
após curvas completas, de uma vida corrida.

Desafinos

As coisas têm mudado muito de uns tempos pra cá
e assim, não dá pra negar que a vida me faz repensar tudo que vivo
Seja do passado ainda vivo, do presente vivo, do futuro que vivo na ansia de chegar

Os pensamentos tentam dialogar durante as etapas,
mas o tempo, moeda cara, não me deixa esquecer
que todas as chances que tive para resolver os conflitos
convivo na incerteza de concluí-los

E as sábias palavras não me dizem nada
quando se vive as farsas, quando caem as máscaras
e mesmo assim não se obtém as armas

Tudo se tenta, outras vias, quem aguenta?
Errar uma, tente de novo
Errar duas, de novo
Errar três, cansaço
Errar quatro, desfaço a previsão

Insisto em cantar a canção sem o tom
e nas desafinações vindas,
o meu mundo ainda não aprendeu
que enquanto eu não fechar ciclos em aberto
estarei certo das imperfeições

De ser artista observador do mundo
que age ao mundo com o pensamento
mas na prática, nem todas as palavras
encaixam-se perfeitamente.

Nossos Reencontros

As noites com voce têm significado tantos outros sentidos as minhas palavras
que outras tantas palavras precisarão ser escrita para você

E no ato de fazer ferver meus sentimentos, procuro outros formatos
a minha arte quer te deixar um recado, nesse verso apenas um punhado
do tanto que percebo de novo em mim

Hoje vivo a  recomeçar o primeiro poema.

A mesma sensação de ínicio, ganhar novo vínculo ousado
para te dizer nesse verso desconsertado o que guardo em mim

E antes que se finda noite, nossos corações se encontram,
cantam as melodias da alma, em coro, como quem decora a canção
e faz encher o pulmão para doar o mais alto tímbre

Assim se faz um amor, que antes de ser novo, é primeiro;
que antes de matar a sede me afoga nas controvérsias da paixão,
queimando-me de desejo, me torturando de prazer, e me fazendo viver
para morrer de felicidade quando a tristeza acaba em nossos reencontros

Vivian

Rasgue minhas cartas e minhas palavras.
Tenha de mim um ódio incontrolável,
que eu, inconsequente, medirei forças.

Não mais lhe escreverei, leia bem,
estes são meus últimos versos,
veja bem, antes de queimá-los.

Não os guarde, e não te culpes,
nao foram tuas atitudes as erradas.

Simplesmente, este é o fim
e não vou te acusar aqui
de coisas vividas.

Vivian, minha querida, não me arrependo,
compreenda, não mudaria nada…

Não nos foi um conto de fadas,
mas vivemos bons momentos,
outros não, é normal.

Segue tua vida, que eu sigo a minha
e não pensa que entrego a outras teus versos.
São teus por apropriação.

Não costumo tomar de volta presentes dados,
em outrora, tão bem cabíveis…

Foi bom enquanto durou, e tão duro
enquanto esteve rígido, mas, hoje,
nossa cama não nos aquece mais.

Não sejamos hipócritas. Dois corpos frios,
cheios de vida ainda, não têm a menor graça.

Procure outro homem que te satisfaça, que eu,
eu vou ficar com as mulheres da praça e um vinho barato.

Não nos merecemos

seus olhares não são para mim,
sua atenção não é para mim,
eu não os mereço, não os mereço

Seu diálogo não é comigo,
eu me ausento, eu me ausento
eu não mereço, não mereço

Seu grupo é outro
não precisa fingir
não há como dar certo

Nós não merecemos, merecemos?
Uma relação que começa frágil
vai ser levada pelos ventos

Nós não merecemos, merecemos?
Eu não lhe mereço, não mereço
você acha que não me merece

Esquece, o destino nos diz
que enquanto não acreditármos
não nos merecemos, não nos merecemos

Noite Preta

"Pretinha, eu faço tudo pelo nosso amor, faço tudo pelo bem do nosso bem, meu bem..."

 

(Produzido ao som do álbum “Noite Preta”, e por momentos inesquecíveis ao lado da cantora que conquista seu espaço por merecimento. Um poema pessoal, mas que retrata de forma geral o que cada um de seus fãs deseja lhe dizer)

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Ao embalo de suas músicas,
minha musa deste poema,
além de me divertir,
inspiram-me a lhe declarar

Que a Noite, Preta, é um encanto…
E digo que lhe quero, tanto, desejo tanto,
voltar às tantas quantas madrugadas forem preciso
para lhe trazer sinais de meu amor

Quero trocar com você novamente
momentos mágicos, do jeito que só nós,
essa multidão de fãs, e você, sabemos fazer

Cheios de respeito pelo próximo,
em um evento apaixonante, que libera
nossas mágoas, e abre as alas do coração
para declarações puras, nessa festa que,
não à toa, ecoa em nosso ser por muito tempo

Finda Noite Preta e, Preta, você não me deixa,
sua energia estonteante ressoa em minha mente
e até suas brincadeiras, cheias de descontração,
eu aprendi de cor, para repassar o melhor
para aqueles amigos cheios de preconceito…

Que pena, não é? Não desfrutar da sua alegria,
não desejar compartilhar essa energia,
não se deixar levar pelo momento, que pena…

Preta, espontânea, amiga, criança dos palcos
sua identidade nos fortalece, diz não com carisma
a quem não lhe merece, faz-se respeitar pelo que é

Seu valor está além da canção,
pois não é teatro, não é fingimento,
cada canção retrata você, esse jeito lindo de ser,
passa a sua emoção ao subir nos palcos,
quando anseia ser amada, ser aceita

Porque tudo que queremos é o cheiro de amor,
sem compromisso, sem frescura, sem cobrança,
tudo que queremos é ternura….

Pretinha, vou te confessar,
você é de casa, porque as Noites,
ah, as Noites, por quem é apaixonado por todo esse transe,
não terminam mais….

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“De repente fico rindo à toa sem saber porque… E vem a vontade de sonhar de novo em te encontrar… Ah foi tudo, tão de repente, Preta!”
“Foi bom estar com você, brincar com você, deixar correr solto o que a gente quiser…”
Um beijo, Preta Maria!

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Atualização
04/09/2011 às 19:29

Cantora responde à homenagem via Twitter

Canção de amor

Voltei porque esqueci os meus desejos
guardados em você, voltei para lhe dar pistas
Porque o meu coração eu conheço,
mas o seu, não

Mas eu sei que meu simples tropeço na sua vida,
fez a cada um de nós cúmplices. Trocamos, sem perceber,
sentimentos puros, que eu gostaria que você achasse

Meu sorriso tem cor de paz, é branco,
porque é ele que me chega primeiro.
Meu coração é vermelho, de paixão,
porque é por você que ele bate,
E minha tranquilidade tem cor azul
porque ao pensar em você ganho o céu…

Trocamos mais do que risadas e palavras
quando nos encontramos, eu me doei por inteiro
fui, e sou verdadeiro, ao lhe escrever essa canção…

Carinho profundo

Vou te confessar um defeito que tenho
eu sou extremamente feliz por ter te encontrado
não que esse seja o defeito, meu caro
mas esse meu apego tão rápido e involuntário…

Ah não sei, já me causou tantos transtornos,
já me deixou tão feliz, e depois tão triste…
Mas minha pobre alma apaixonada insiste,
mesmo doída, ela me instiga a acreditar de novo

E por um motivo bobo, fico feliz novamente
porque minha mente não pode apenas ver o rosto…
Eu enxergo mais longe, mais fundo
e vejo nos seus olhos a alegria da vida…

E, deixa eu continuar a desabafar
tantas renticencias são para você ver
que é difícil dizer, mas eu gostei de você…

De forma normal, você me encantou,
essa sua magia me envolveu, e eu,
ah, eu, louco, vou confessar mais uma vez…

Não me importa alguns arranhões
se simples aparições de almas puras
eu vejo brotar, como um acaso do destino
vou te contar que é bom te ter comigo

Não sei por quanto tempo,
não sei o que você sente,
mas eu sei que minha emoção não mente
quando diz, inocente, que foi bom
escrever o que sinto, carinho profundo…

Raios de sol

Por onde andavas, o que sentias, meu anjo da guarda
de onde veio, que aguçou meu apreço de artista…
de onde surgiu essa tua mística nobreza, que encanta,
pulsa nas minhas veias tamanha alegria

Incendeia-me de sorrisos simples,
palavras amenas, que minha mente,
minha pobre mente entenda….

Este fogo não me queima,
não me machuca, não corrói…
Ao te ver, eu vou dizer que te adoro

E este teu colo, que me recebeu tão bem
aonde o levaste? Que minha arte precisava dele
que meu coração apertou por ele, aonde estavas?

Na insensatez do silêncio lhe procurei,
então, eis que voltas, como acaso do destino
E este teu olhar de menino, não perdeste?

Graças a Deus, por ele morri de preocupação!
Dê-me cá um abraço, sejam bem-vindos,
Meus dois raios de sol….

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Seja bem-vindo, amigo Teddy. Adoro-te.

Roda das amizades

Enquanto uns vão, outros voltam
a vida tem dessas viagens

Pessoas que pegam o expresso da ingratidão
partem sem remorso, sem deixar pistas,
mas, na contramão, vem caminhando devagar
um amigo que se perdeu alguns anos atrás

Não sei se choro pelo que partiu,
ou se sorrio ao que retornou,
ou os dois: Se choro rindo
para que o antigo-novo amigo me console

Então, eu fico aqui, sem respostas pela partida de um,
mas sem fazer perguntas ao que voltou, simplesmente,
absolutamente, aceitando-o de volta sem querer saber de mais nada

Talvez, quem hoje se foi, volte nos anos seguintes,
quando eu tiver ido e vindo aos abraços de outros amigos…

Nessa roda das amizades, alguns deixam a vaga,
para que minha alma vaga, aprenda a não depender,
a não deixar de viver do jeito que nasci, sozinho.

Nessa roda das amizades, outros tomam os lugares,
sorriem a mim, emocionam-se e partem também,
para me confirmar algumas verdades:

Apesar da dor de não ter explicações,
a dor das partidas têm me feito pensar…
Não critico a vida ou me revolto,
mas aceito as viagens dos meus irmãos

Pois tenho certeza que fiz o que pude,
caminhei com atitude, e minha mente,
não mais me pune por falsas culpas,
porque a minha conduta foi a de sempre dar benção…

Raios duplos

Raios duplos são seus olhos turvos
choros mudos, e contudo não há disturbio maior
que dois mundos recebendo essas duas descargas

Elétricos, nossos corpos se chocam, e eclodem,
dois corpos carnudos, dois seres nus que se confudem em um;
Há de vir de raios duplos, olhares que se encontram e desarmam
corações trancafiados pelas dúvidas, nas vias dúbias, das estradas úmidas
de dois pedintes, pedestres de amor, sem esperança de conquistar
o trocado, o vintém da paixão.

Mínimos detalhes

Eu posso estar sempre só, mas o mínimo pensamento em você me dá a certeza de contar com uma multidão,
não de pessoas, porque você é um só, mas de sentimentos, pois sei que são muitos os que você nutre por mim.
Eu posso parecer derrotado, mas a mínima esperança que eu tenho em reencontrá-lo me dá forças para levantar,
dizer a mim mesmo que se há alguém acreditando ainda em mim – por mais que eu não mesmo não acredite – não posso desapontá-lo

As amizades verdadeiras são assim, cheias de fé no outro, mesmo que este esteja totalmente perdido, totalmente sem destino
E digo mais: Ela tem sido o meu combustível durante tanto tempo, tanto tempo, meu amigo, que sua mínima ausência me faz pensar que corro perigo;
Porque a mínima saudade, o mínimo dia sem você, me trazem dores irreparáveis, difíceis de conter, as lágrimas descem e o coração aperta,
mas suas mínimas palavras de carinho no retorno me despertam, recolhem a lágrima e alivia o meu peito…

É não tem jeito, até seus mínimos defeitos, se houver retorno, se a saudade morrer, serão bem-vindos,
serão benditos, se eu puder te ter de novo, para em mínimos detalhes eu continuar a escrever a obra máxima,
o livro mais bonito, a poesia mais leve a canção mais harmoniosa, que é ter sua amizade para que eu possa renascer

Inimiga de infância

Se não me dirigir palavra
confesso não vou digerir mais nada
durantes longos dias,
durantes longas madrugadas
não dormirei

Mas se me dirigir palavra,
confesso que me sentirei rei
direi aos meus amigos que já é
minha conquista, meu troféu

Até que você descubra, e me condene
ao banco dos réus, por fim à tortura de,
de fato, não tê-la, não tocá-la, não senti-la

Só para confirmar às suas amigas, que não é mais criança,
que mulher adulta sabe o que quer, e despreza quem a finge de idiota
Mas em determinada hora, vai sentir o coração apertado, quando,
eu vencido, procurar viver minha vida ao lado da sua inimiga de infância

Degolando mentiras

Desce com vigor as escadas
com hobby riscado de giz
cabelos semi-molhados
em passos lentos

Escorre pela mão
o ódio, a fúria
que figura em batom
vermelho-sangue

Há de pagar aquele homem
que em meio a tantos
conseguiu ludibriar
finalmente, Lumiar

De jeitos mil sempre conseguiu
trapacear os companheiros de noite,
mas, novamente, cometeu erro de cair

Tropeçou na escada a essa sutil lembrança,
era ainda criança, na casa dos quinze,
quando, perdida de amores, foi jogada na sargeta
tratada como gorjeta de um homem pouco mais velho

Hoje, próxima aos trinta e cinco, pensava ter aprendido
suficientemente o necessário para não cair mais ao conto do vigário
Infelizmente, coração aloprado, não permitiu a ela o controle

Envolveu-se com traficante de amores, quando em viagem a Europa,
e naquele instante, embalada pelo novo ritmo de vida, deixou-se levar;
Eram jóias, perfumes, requintes restaurantes, anel de ouro, pôs a casar

De volta ao Brasil, tantos cantos a viver, ele escolheu casa luxuosa, de fato,
mas o combinado era ser de interior pois, alegava, queria vida pacata, depois de anos de trabalho.
Mal sabia Lumiar, que Euclides vinha foragido, bandido procurado, estava cercado, ameaço de morte

E então, sob a escada de olhos negros como o pano dos derrotados, viu seu amado degolado
com um bilhete escrito à sangue pelo assassino:

Sinto muito a viuvez, mas ele precisava pagar a insesatez de matar a filha de meus mandantes,
criança de quartorze anos, cheia de vida, finda por este crápula.

Lumiar, boquiaberta, via seu amado morto, e lhe matava por dentro saber
que cometera mesmo pecado que tanto lhe feriu na mocidade…

Páginas de caderno

Resolvi beber poema
porque minha alma tão pequena
não sabe mais se comportar

Mergulhei no meu mundinho
assim por tanto tempo
que não me atrevo,
não sei se tento mais rimar

Depois de muitos anos
senti saudade do poeta verde
que não saciava a sede de se eternizar

Coloquei nos trilhos
todos os meus vazios e inquietudes,
num jeito brando de me calar

Hoje não me permito as gafes da métrica desmedida,
dos sons toscos das rimas que terminam com ar.
Hoje sou cantor dos poemas e não me faltam motivos a festejar

Mas de meus tempos de poeta verde,
sinto falta do deleite de apenas escrever,
de passar para o papel palavra que nem sequer sei o que fará

Saudade dos primeiros versos, que assim despertam,
a medida que chegam e viajam na minha alma sofrida.
Um rio sem vida que eu quis reajustar.

Um curso sem rumo para minhas amigas eu dei
e, assim, não sei, quantos amigos eu fiz.
Mas dos poetas que tenho contato
assinei contrato de aprendiz

Em determinado momento, vi-me formado,
um tanto acanhado com os meus méritos,
aprendi a dominar meus impulsos,
e hoje os meus pulsos, sob o papel não mais trabalham.

Hoje são meus dedos que percorrem o teclado,
apagam frases mau feitas, versos caretas,
já não derrubo tinta na mesa, que falta me faz!

Os rabiscos no caderno, as palavras comidas,
as vírgulas não vindas, e a inspiração a me enlouquecer.
Que falta me faz a agonia voraz de escrever mais devagar
do que a minha mão pode preencher as páginas de caderno

Admiração metalinguística

Vamos admitir alguns fatos
Ser seu amigo é uma tarefa nada fácil.
Nem sempre eu me acho à altura da sua
personalidade forte, cheia de desafios.

De poeta cheio das virtudes e da caneta firme
que carrega esta alma tão densa, intensa ao agir.
Talvez um louco, aloprado, que não pensa muito.
Talvez, estes teus insanos atos tenham fundamento….

Ao apaixonado sem freios, pelas vidas e anseios
que todo garoto possui – e que a vida tomou por aprendiz
ensinando tão rápido, o que ficou marcado.

Aprendi com você que a tristeza pode ser alegre
e que nem todos seguem a mesma rota, o mesmo rumo
e que, apesar de tudo, em certas condições nós aprendemos
a aceitar o que nos vêm…

Nem tudo será como nós queremos
já aprendeu essa máxima, sem deixar
que a vida seja ácida contigo

Pablo, Poeta, enquanto houver inspiração,
e essa certeza que só você carrega, não,
não desista…

Nessas estrofes, nesses versos, escondo
o que quase nunca lhe conto, e tenho certeza,
essas palavras também não vão conseguir trasmitir

Admiração metalinguísitca
de escrever para quem escreve
em um desafio imenso de te fazer feliz
do jeito que aprendi.

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Para Pablo Rezende, o grande mestre dos poemas. Obrigado pela sua amizade tão correta, tão natural. Mais uma vez não posso deixar de dizer que com você eu aprendi a valorizar os verdadeiros amigos, principalmente àqueles que dividem comigo a responsabilidade enorme que é fazer arte com as letras. E preciso confessar que cada verso aqui representado foi chegando cheio de vigor e de propriedade, dignos e ao nível do homenageado.

Descoberta de menino

As coisas mudaram de um tempo pra cá
Eu já não grudo na cintura da minha mãe
Não sou levado de cima a baixo
enquanto ela prepara o feijão

Não vejo mais graça nos meus jogos de videogame
O que antes levava horas de meu dia, hoje não me satisfaz
e minha mente, mudada, olha ao passado cheio de verdades reformuladas.
Entretenimento, que nada! Era preciso ocupar a criança para cuidar dos afazeres.

Que fizeram comigo? Hoje meu mundo de menino
tem se desfeito, se revelado, além do véu da alegria
Minha nobre consciência, cheia de responsabilidades,
tem matado com crueldade os olhos brilhares de outros dias

Os compromissos, aos quais já não posso mais me omitir
tem me deixado assim, por vezes desiludido, mas não derrotado
Quando criança, talvez, um pobre coitado, mas hoje as coisas mudaram
Com poder adquirido, de olhar o mundo sem fantasia, não preciso, não quero,
e repito, jamais deixarei de sonhar com alguns encantos, outros mundos…

Serei o Papai Noel dos meus filhos também
Contarei que Papai do Céu é nosso amigo
Que a fada do dente te faz rico
Que o lobo mau perdeu o folego

Sou adulto, mas eu não derrubo o mundo de uma criança…

Motivo de felicidade

Voltei a escrever poema para registrar a saudade do tempo em sonhamos juntos
Escrevo hoje para manter acesa a chama de acesso ao coração
que o tempo jamais fechará as portas para você

Voltei para dizer o quanto lhe admiro e quanto me realizo ao te ver vencer
Acredito profundamente que palavras não expressam com fidelidade as batidas acelaradas de um coração
mas aceito, com convicção, que estas mesmas palavras possam preservar o momento:

Este momento de transição, não do menino que cresce, nem do escritor que amadurece,
mas do tempo que nos rege a preservar aquilo de que abraçamos como verdade,
e quero que saiba, nessa madrugada, de algumas verdades já anunciadas com sutileza:

Somos amigos porque escolhemos o afago da bondade
Somos poetas porque aceitamos o aconchego das palavras
Somos irmãos porque aceitamos o abraço do sentimento

Mas acima de tudo

Somos transparente porque as máscaras não duram
Somos honestos com nós mesmos porque a mentira não se sustenta
Somos sinceros porque tudo que se camufla é descoberto

E eu te amo, e vou continuar te amando
Porque te quero por perto
Porque sua ausencia faz falta a mim
Porque o seu sorriso e a sua alegria me movem
Porque a vida só tem sentido quando fazemos alguém feliz

É sempre um motivo de alegria ter os seus retornos
Quando o cansaço parace me vencer
Quando tudo conspira ao pior
Quando eu pareço enlouquecer

Então você vem
com o mesmo semblante límpido
mostrando que a vida é linda
e que não há batalha longa demais
porquanto você sempre faz meu mundo renascer das cinzas…

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Mais uma vez a Gustavo Stresser por motivos:
Ser um amigo excepcionalmente incrível.
Ser um poeta acima de qualquer crítica.
Ser um homem cheio de bons sentimentos
E mesmo que até este recado seja um poema
Reafirmo que nem mil estrofes, nem dois mil versos
Seriam suficientes para as insuficiencias dos meus obrigados.
Você é o irmão mais novo que eu nunca tive, e que quero proteger sempre.
Começo fortalecendo primeiro a alma, para que os abalos da vida sejam pequenos.

Poema de aniversário

Desculpe se eu não pude esperar, mas a inspiração chegou agora
Não sei se amanhã terei a mesma ternura para lhe escrever.
Se você gosta ou não de aniversários, não sei
Há quem prefira esquecer, há quem ache a experiência bem-vinda

Bem-vindo à categoria de poemas de celebrações
Junho agora eu marco no calendário
todo dia vinte e oito será esperado para lhe cumprimentar

Meus cumprimentos pelo comprimento de sua lista de qualidades
Por deixar seu registro nas inúmeras artes que compõem o espírito
São poucos aqueles que estão vivos capazes de desenhar, tocar,
pintar, escrever, encantar, sonhar e cativar as pessoas tão rapidamente

Seria quase uma ironia se eu me contentasse apenas com um poema simples
feito de palavras simples para o feiticeiro das letras que, de tão jovem, envolve,
por ser ainda menino com a firmeza no pulso digno do mago das artes.

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Pelo décimo sexto aniversário de Gustavo Stresser. Um poema cheio de palavras simples e sentimentos complexos que não se descrevem nem em prosa, nem em poesia, mas se faz presente em uma admiração respeitosa e profunda, desde o dia em que eu lhe conheci, e recebi um grande presente, que agora tento retribuir em uma dose tão pequena.

Frascos cinzas

Aroma de saudade
com fragrância que
arrepia a pele

Sem custo estimado.
Embora se conte primaveras,
nada se compara as tantas Rosas,
que partidas, deixam seu cheiro.

Em um dia do ano, a doçura prevacele,
entorpece os sentidos com a química
e o odor da solidão.

Recipiente que guarda cravos apodrecidos.
Com o passar do tempo vira apenas embalagem,
que a todo instante nos resta contemplar.

Frasco fragilizado pelos anos idos,
cheios de doces lembranças que predominam
às amargas de uma vida complicada,
após a decantação do tempo.

Conto de fadas

Se tudo o que me resta são as palavras
Eu corto, eu rasgo, eu despedaço sua alma
eu atiro, eu faço feitiço e amaldiçoo sua carne

Se tudo o que me resta são as letras e canções
não farei sequer mais um poema de amor
Estraçalho, reinvento os atalhos, quebro os pratos,
praguejo alto seu sofrimento

Se me resta apenas estas armas tão simples, tão sutis,
que eu não posso sequer lhe fazer sangrar,
Enveneno então a sua vida por dentro
só para lhe fazer chorar

Rasgue os meus bilhetes
jogue ao fogo minhas cartas
que os perfumes delas acinzentadas
possam fazer das laberadas, fogo alto

E do auge da sua dor, a minha vida, crucificada
para que eu ressurja para um novo amor, que não virou
conto de fadas