Segundo plano

Se respirar fundo e deixar o vento correr pela minha face a brincar com aromas matinais, enquanto abro os meus olhos e estico meu corpo lentamente, posso sentir seu cheiro doce e suave a dançar em meu corpo. Abro um sorriso e sigo feliz ao espelho. Amanheceu. É mais um dia.

Vou encontrá-lo daqui a pouco no trabalho, mas antes o café forte na mesa, torrada amanteigada servida, queijo magro em fatias. Pego a chave do carro, tranco a casa. Desço à garagem e abro o portão. Do lado de fora, todo dia eu contemplo por um breve segundo o que consegui. Fruto de trabalho árduo. Agora, bom, posso pensar em amores.

Prioridade de segundo plano, mas tão fundamental ao ser humano, o amor. Não o romance, sem confusão. Já passei dessa fase de me enganar por precipitações de mim mesmo. Já me conheço, sei quem sou. Mas é hora de descansar. É como uma aposentadoria adianta. Momento de me divertir.

Não dependo de ninguém, apenas de meu nariz. Eu já me impus e supus, agora, já cansado do meu compromisso comigo, que posso me distrair com pequenas aventuras. Vou brincar com os sentimentos de alguém. Jovens sem preocupações. Esquecerão da loucura adolescente, e eu me esquecerei de que estive carente…

Turista emocional

Não sei o que está acontecendo comigo. Volto as origens de um blog, diário virtual de um jovem solitário. Tudo bem, não há como retornar plenamente aos moldes desse tipo de página que teve início no começo dos anos 90. Hoje, tudo aqui que parece uma resenha de um adolescente em crise pode ser simplesmente ficção. A juventude anda bem criativa, atualmente.

História inventada ou realidade de fato, não importa. Nem que eu diga usando o pronome “Eu”, estaria falando de mim. Poderia ser o eu-lírico, quem sabe. Enfim, enquanto você fica decifrando se é pessoa ou persona a escrever, vamos aos conflitos emocionais:

Acho que estou muito desanimado hoje, com o coração pesado e cheio de dúvidas. E é tão complicado quando a alma se pergunta… Tão inquietante ficar sem respostas. Em certos momentos tenho a certeza plena de que sou amado, outras nem tanto, e algumas vezes, é absoluta a negativa. Eis o momento em que me encontro. Ou que não me encontro.

Não reconheço mais o zelo, o carinho, a doçura. Não me tem total segurança mais. Meu porto-seguro está sendo trocado pelo caos aéreo de minha mente que insiste em viajar nas nuvens das incertezas. Mesmo que seja me dada toda e qualquer certeza durante muito tempo. Mas o momento que piso em falso é o que mais me abala, aquele que tem mais impacto.

Então há sangue. Porque o simples arranhão na incerteza tem aumentado. As bactérias da insegurança dançam em minha carne. É hora da festa daqueles que tanto me tem invejado. Tudo se abre, e a medida que fico com o peito exposto, sem resposta, a ferida ganha proporções gigantescas.

Choro baixinho. Os sonhos foram ilusão, concluo. Todos eles. Cada plano, cada cena, todos os momentos. Não existem mais os sorrisos das brincadeiras que pensei em fazer, pois sabia que riria; não há mais os lugares que iríamos juntos, nem o mar que pretendia te levar a observar; o sorvete que dividiríamos derreteu; as canções que gritaríamos por tamanha alegria já desafinaram.

Então eu acordo. A ira me domina. O tempo perdido, tantos planos jogados fora, tudo em vão. Já não há choro contido, as lágrimas correm sem barreiras. Meus lábios ganham vermelho-sangue, os olhos, a carne viva. O animal se rebelou, saiu de sua jaula emocional e já não come na mão de turistas. Como você tem sido sempre, em mim, enfim.

Passado, presente, futuro

Não viva do passado sem olhar o presente e nem desejar o futuro. Não esteja no presente sem esquecer-se do tempo que passou, mas não deixe de fazer planos para o amanhã. Pense no amanhã, mas não se esqueça do hoje, tão pouco banalize sua história. Esse é o grande lema do ser humano.

Quando, exatamente, viver passado, presente e futuro. A que horas eu visito o ontem, o hoje e o amanhã. Não é tão simples como tomar café da manhã, almoçar e jantar. Seria muito mais simples se achassem o ponto que separam esses três momentos. Não são estações do ano infelizmente. A única parada que nos resta da viagem da vida é uma decisão. Desço para visitar minhas aparentes-parentes-lembranças, construo mais trilhos para ir a diante, ou penso já em outro veículo de transporte.

Equilíbrio. O que sou, depende do que fui, e só fui porque pensei em ser, e só serei construindo o meu ser que já se transformou. Ligação. Pensamento. O fato, na verdade, é que só nos damos conta destes três instantes quando não vivemos nenhum deles. Quando paramos para construir a faixa que separa cada um dos três tempos.

Passado. Perfeito pefeito, imperfeito ou mais-que-perfeito. Só há estas denominações porque foi preciso viver para conjugá-los de maneira adjetiva. Presente. Não se sabe, só se vive; não tem ramificações, apenas estar aqui, escrevendo, sendo, agindo. Futuro. Do pretérito ou do presente. É futuro afinal. Só se pode mencionar o que já se foi, ou o desejo daquilo que se vive. É com base nos dois outros modos que se determina se faremos um futuro com consequências do passado ou do presente. Mas é o único tempo, no entanto, que pode transformar os anteriores.

Enfim, cabe apenas a imatura conclusão daquele que não sabe o que o futuro leitor concluirá por si mesmo: Em que momento fazer do clichê humano algo que já não se deve mais observar? Qual instante determina que se deva pensar ao assunto? E em qual, por fim, momento deixar estas indagações mais adiante?

Ora, se eu soubesse a resposta, não valeria de nada meu passado; porque dele já teria me desprendido. De nada valeria meu presente se já soubesse de antemão os rumos da minha vida. E o futuro seria esperado sem a menor das emoções…

Posse da vida

Dilma Rousseff, eleita primeira Presidententa da República Federativa do Brasil.

Comoção. É essa a palavra que mais se encaixa no contexto do primeiro dia do ano de 2011. É inevitável não mencionar a posse da primeira mulher a tomar cargo do maior posto de uma nação. E seria, sobretudo, irracional passar despercebido por este feito que marca a política nacional.

Mas, apesar de grande e extremamente emotivo momento, ressalto que não me agrada tal assunto. Apesar, é claro, de não ter sido literalmente irresponsável se não o assiste. Mulher. Essa palavra hoje, a partir deste dia, nunca teve tamanho peso para esta nação, e, mais que olhar para cima, para o cargo máximo, eu prefiro olhar para os lados.

Agradeço às mulheres que me cercam e que me ensinam a ser homem. Porque a elas se deve a vida em seu mais nobre ato. A elas se deve o carinho da criação materna, à educação familiar e social. A dedicação ímpar no trabalho – nas suas mais variantes e extensas formas e feitos.

Ser mulher. Não basta ser amiga, esposa, companheira, professora, mãe. Não basta ser carinho e fraternidade. Não basta ser fonte de admiração poética, cultural e inspiração ao longo de séculos. Foi preciso ser também dura – característica tão irraizada ao sexo oposto. Flexibilidade e agilidade de ser mutável. Isso é ser mulher, ser humana.

Porque tudo agora, ao menos por enquanto, ao menos nesse país, terá o feminino fortalecido. Pai e mãe, filho e filha, tio e tia, sobrinho e sobrinha, primo e prima, avô e avó, neto e neta, presidente e presidenta. É preciso olhar a nação com base na família. Na base de toda a pátria, seja ela democrática ou não.

Bom, o nome do momento é Dilma Rousseff. Mas eu quero que você perceba que não apenas temos uma dama com uma faixa no peito. Já possuíamos há muito o peso de um milhão de faixas sob o seio de uma mulher. A responsabilidade de fazer do recém-nascido um cidadão. A missão de fazer deste cidadão um ser justo e sábio.

Não sejamos ingênuos de pensar que só agora temos uma mulher na tarefa árdua de liderar. Porque já é sabido que elas lideram a casa, a criação, que só a mulher detém do dom de ser astuta, e ao mesmo tempo doce nas situações de mais complexo conflito. Porque ela já sabe, naturalmente, o que fazer quando dois filhos brigam. Só ela tem a capacidade de ser doce e prender a atenção gostosamente de trinta jovens dentro de uma sala de aula.

Os homens que me desculpem, mas é hipocrisia de minha parte não exaltar o devido valor que esse sexo representa. Ser mulher vai além de uma presidência, de um cargo. Ser mulher vai além de comandar a casa, instituições, empresas, setores.

Ser mulher é liderar a humanidade. Afinal, podemos ter a mais organizada das sociedades, a mais democrática das nações e o mais transparente dos povos, mas, cabe a mulher, e apenas a ela, voltando a mais elementar das observações deste autor, a origem da vida. E eu pergunto a quem ler este texto:

O que é um cargo de presidente, ou presidenta, como se tem agregado recentemente, perto daquele que dita a porta de entrada para a vida?

Novos números

Conversando com amigos hoje de manhã, estava apresentando as estatísticas do blog para me gabar. Afinal, sou um dos poucos que produz conteúdo na internet no país, diria na faixa de 20 por cento em relação a 80 pontos percentuais que apenas consomem, numa estatística mental rápida. Claro que isso se deve também ao número de pessoas com acesso à rede mundial, ou que estejam conectadas por um período de tempo razoável que sejam interessadas à produção de páginas.

Mas como não estou muito animado para discutir questões sociais e as melhorias decorrentes do governo dos últimos oito anos, até porque detesto política, além de me prender muito à informática, voltemos as estatísticas. Apesar de que falar de números é muito melhor que calculá-los. Estou reclamando bastante nesse post. Talvez esteja me perdendo, mas e daí. A página é minha e eu não usei interrogação nenhuma até agora.

Resumindo todo esse monte de palavras, o que é o tempo? Tudo bem, não resisti, foi só falar que não usei e aqui está a dama das indagações. Bem abusada ela, já que só pergunta e nos deixa sempre com a pior parte. E às vezes o ponto final não tem final. E se você combiná-lo em trio, teria uma reticências. O que, na verdade, é o ponto final com preguiça de se finalizar.

O dia, 24 horas. A semana, 7 dias, o mês 30 ou 31 da vírgula anterior. O ano, 12 meses. E aí a coisa complica. 12 meses têm 365 dias, 8.760 horas ou 525.600 minutos. Esqueci-me dos anos bissextos. Infeliz que o inventou. Tempo. Atualmente, contamo-lo a partir do nascimento de Cristo. 2010 anos. O relógio corre. Números.

Não há liberdade, estamos presos nos segundos, nos dias, no dia do vencimento de uma conta. Em chegar antes das 16:00 aos bancos (atenção ao horário de Brasília – DF). Por sinal, gosto muito desse novo medidor de tempo. Finalmente tomaram coragem para atrasar e adiantar os minutos. Números.

Almoço não leva mais que dez minutos. Mastigar pra quê, se no final dos dias não teremos mais dentes, não é? Vamos treinando em engolir sem usá-los apenas empurrando com a língua o bolo de comida junto com refrigerantes que nos envenenam descaradamente dia após dias.

Vamos falar de estatísticas. 380 palavras (e crescendo) com 2162 caracteres com espaços, segundo o Microsoft Word. Falando em caracteres, gostaria de saber por que o miserável criador do Twitter só pensou em 140. Acho que ele não pensou que vivemos com milhares de ideias formigando na mente. Ser jovem não é tão mole assim como parece. Mais de 16 mensagens na rede de microblogs se fariam necessárias para realizar esse texto.

12:33 e cá estou eu falando de números, estatísticas, tempo. Juntando português e matemática. Passando sutilmente por religião só para os fanáticos terem o que comentar. Incrível que só sabem criticar. Acho que se eu lançar uma tag de Jesus Cristo no Twitter agora, uma avalanche de críticas me viriam como resposta.

Não ligo. Em prosa ou poesia, meu maior fanatismo se faz em juntar palavras. Isso me move. Ah, e as estatísticas e os números? Bem, estou caminhando para o quarto ano de blog. É preciso renovar e me desprender um pouco das correntes singelas da fantasia poética. Feliz 2011. Quatro números, um desejo e um escritor sem rumo. De novo. Ano novo.

Domador de leões

Cansei de fazer poesia. Calma, isso não é música do Charlie Brown Jr, embora eu queira mandar muita gente se foder. Bom, posso estar sendo agressivo demais. Talvez a poesia não tenha culpa disso. Desculpe, não cansei de fazer poesia, mas é preciso mudar um pouco.

Vamos enfim enfrentar novos rumos, fugir daquilo que já está vencido. Como um jogo já “zerado”, daquele Marios Worlds da vida que você já sabe todos os caminhos possíveis e imagináveis, os atalhos, as manhas, os macetes. Cansei de pegar moedinhas douradas por algo que já decorei a forma exata e suficientemente satisfatória de criar.

Vou me perder em meus pensamentos assim que eles visitarem minha mente. Hoje, por exemplo, tenho me sentido extremamente fora de contexto com aquilo que há algum tempo me transmitia a mais profunda e real convicção de que não estou sem apoio. Sei lá, aconteceu assim mesmo, do nada. Como acordar de manhã com vontade comer cereais em vez do pão com manteiga tradicional.

Vou me aventurar no que não conheço, permitindo-me escrever em parágrafos desconexos, talvez sem a devida pontuação adequada, sem ritmo, sem o tom maestro que te levaria a ler gostosamente até o final.Não importa. Quero gritar, gritar e gritar, apenas passando minha ira do coração aos poros da pele.

Cansei do politicamente correto, das palavras bem pensadas, das declarações de amor que lanço ao vento. Descobri que as palavras podem ser pesadas e ásperas, também gostosas de serem expulsas. Por fim, cansei de me domar e de me autodominar.

Libertem os leões, eles por si são livres. Não adianta mais me ameaçar com chibatas sociais. Serei o rei da selva novamente. Meu coração já não é mais um jardim florido e de passarinhos que cantam ao nascer do sol. Quero a escuridão e as corujas sonambulas.

Problemas à parte

Cansei de perguntar se você está bem,
de me preocupar com o seu bem-estar
Cansei de lhe poupar de você mesmo,
da sua solidão e de te ouvir

Cansei de te animar e de te mostrar
as belezas de viver em paz com o mundo

Cansei dessa tarefa pacificadora entre você e o mundo,
cansei dessa suposta obrigação de amigo, cansei

Amigos, amigos, problemas à parte
na arte de viver, tenho aprendido
que não importa o que fizer, difícil ser reconhecido

Amigos, amigos, problemas à parte
Cansei de pensar em você, viver seus problemas
e de você sumir quando eu preciso, alegando compromisso

Por essas e outras, amigos, amigos,
problemas à parte

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Este poema faz parte da categoria direto da música, e foi inspirado na canção “Hoje eu tô sozinha”. Interpretação de Ana Carolina, segue o vídeo abaixo:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=D-7r45uUwCE]

Canção de amor

Um dia ainda canto todas as canções de amor
que pretendo doar a quem eu amar de verdade
Todas as melodias que tocam profundas em mim,
que eu sinto serem únicas; Não devo desperdiçá-las

Há músicas para momentos e canções de momentos
eu quero ser e ouvir canções de momentos, ser momento,
viver com alguém como vive o vento: livre e sem direção

Eu quero poder correr sem rumo pelo tempo afim,
afim de eternizar o que minha alma tem guardado,
cansada de esperar, às vezes, pela pessoa certa

Ainda quero dizer, nem que seja no última dia,
que todos os dias que respirei esperando você,
aspirei você mais perto de mim

Poema noturno

Mas deixa eu criar o poema da noite
de uma madrugada de céu estrelado
que seja protagonista do nosso cenário fechado
em quem interpreta saudade vive um romance calado

Deixa eu criar o poema noturno
porque enquanto eu mudo de rumo
levarei você comigo aonde eu for

Mesmo que essa noite o tempo tente apagar
eu sei que esse presente, um presente eu vivi
mesmo que se negue que sentimos o que sentimos
Eu sei que será eterno nesse poema noturno

Poeta Diferente

Há momentos em nosso caminho
que seguir em frente, sozinho
já não tem mais um porque

Há momentos em nossa jornada
que é preciso pensar na parada
qual direção devemos tomar

Nessas horas é necessário refletir
o quanto se caminhou até aqui
em meio a grande floresta da vida

Quantas feras enfrentamos
quantos medos tivemos
quantos anseios nos vieram

Não há ser no mundo
que viva solitário
é preciso ser solícito
com novas aventuras ao diário

É preciso de companhia
também para um poeta
hoje é dia de imensa festa

Dividirá comigo a nobreza
de falar de sentimentos
quem antes me aplaudia da platéia

Será para mim uma honra,
um presente de quimera
chamo pelo nome:

Adriel, quis eu
que você se permitisse
dividir comigo um dom que nos assiste

Sei que seu início será tímido
como um dia eu também fui
mas desejo que saiba
hoje não seremos dois números um

O receio de falhar, de não estar a altura
poderá lhe assustar, inibir sua postura
mas eu peço que não tenha medo,
não tenha medo, eu repito

As portas da minha casa, eu não vou fechar
para quem tem coração puro e sabe ser humano
porque o bem que você me faz como amigo
eu quero transmitir ao mundo nesse veículo

Por isso, eu insisto, siga o que você sente,
o que sua alma pede, e fique à vontade
cedo ou tarde, será também, Poeta Diferente

Tem sempre

É sempre a água com açúcar
o bule e o café,
é sempre o saquinho de chá
em borbulhas

É sempre a escova no cabelo
e a maquiagem na bolsa,
sempre tem um espelho
e um pouco de pó pra enfeitar a cara

Tem sempre uma unha na espinha
e o milho pra galinha
sempre carne de primeira no natal
de segunda na páscoa e nenhuma no carnaval

Sempre a coca-cola no refrigerante
e tem sempre um bom abril na pia da cozinha
é sempre a mãe com avental para preparar lanche que sacia

Tem sempre um chocolate na TV
que neste insntante eu vou abrir
fingindo que não sei quem matou a fulana na novela
que eu insisto em assistir

Ninguém sabe que a mocinha que chora
vai sempre ficar com o mocinho
tem sempre um casamento na última semana
e a vilã, apesar de derrotada, quer sempre matar o marido

Tem sempre o político sorridente
que diz, se for presidente, a coisa muda
tem sempre gente sem dente na fila do SUS
e inocente levando tiro na bunda

Tem sempre uma taxa que você paga sem saber o que é
e um programa de caridade para sensibilizar sua conduta
há sempre um aprendiz de pelé em praça pública…

Invencível

Amizades são amores sem toque
carinho sem desejo, olhar sem malícia
e prazer sem beijo

Amizades tão sublimes
se confudem com o espelho
em minha alma está gravado você
quem apenas o meu coração consegue ver

Não reflete no vidro, mas é tão fragil quanto
decepcionar você é quebrar os vidros de um banco
o alarme irá soar, o alerta assustará
em desespero me entregarei por inteiro
para sua amizade reconciliar

O afeto que por você eu tenho
pode distorcer minha vida por completo
o que seria de mim, sem você por perto?

Que utópico imaginar, um caminho sem seus passos
que ilusão seria acreditar que poderia ser feliz
sem você a me proteger

Porque amigos são assim
a nada devemos temer
quando estamos juntos
céu e terra poderão tremer

Mas nada abalará a firmeza que tenho
nada sufocará a grandeza de um espírito
que se doou a outro ser
apenas para se ver invencível

Pilares do Saber

Como migalhas de pão que joão jogou ao caminho
eu quero encontrar a trilha de minhas palavras lançadas ao vento
e nesse encantamento notar que eu comecei pelo chão

Já crescido, lançava ao miolo das flores, mais amadurecido
derramava na copa das árvores minha intuição
e hoje, de cabelos grisalhos, sei mais do que ninguém
não sou um sábio, tenho muito o que aprender
faltou-me lançar poesia aos céus

Se isso me entristece? Jamais, eu lhe respondo
sou um velho manipulador de sentimentos, de palavras
mas não poderei me lançar aos céus sem galgar os pilares do saber

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Pelo primeiro ano do blog Aprazível Irreprochidez de Gustavo Stresser Costa. Por saber que o crescimento de um ser humano não se contabiliza pelas conquistas individuais, por acreditar na palavra como conselheira da alma, e por perceber que somos muitos em busca de um único objetivo maior, eu celebro com entusiasmo a sua caminhada ainda tímida que se inicia em busca de sua felicidade, além de ser fonte auxiliar para a dos seus próximos.

Felicitações em nome do blog Pensamentos,
Jefferson de Souza Gomes

Insonia II

Arrepia minha pele
sossega o meu peito
envelhece meu corpo
desfigura o meu rosto
e alegra o meu leito

Afaga os meus cabelos
aperta o meu seio

Me faz suar em sonho te amar
me faz sentir o que parece mentira surgir
me enlaça me caça que quero ser sua presa
me prende que me entrego me enlouquece
que eu me interno em seus braços

Me cativa me assusta me deixa fora de conduta
me faz perder os sentidos morrer de desejo vivo
me apedreja de prazeres e nas paredes me encosta
nas encontas de me fazer viver o verdadeiro querer
não deixar você não querer sequer dormir

Morrerei de insonia tortura a minha carne
que nessa altura da tempestade
eu não quero que ela pare
e o meu urro de amor que ela cale
antes que eu feche meus olhos de contentamento
nesse momento encontrei o paraíso

Homem não presta

O homem não presta, não presta, mulher!
O homem não presta, não presta, mulher!
O homem não presta, mulher, ele não presta!
O homem não presta, mulher, ele não presta!

Você espera que ele ligue, o telefone não toca
você perde o sono por ele não ter ligado
e ele, ele lá fora, se duvidar com a sua prima!

O homem não presta, diz que não se demora
bate a porta às sete e retorna às dezessete
sem nenhuma explicação convincente!

E você, mulher, o que faz neste período?
No café da manhã, o café te esquenta
no almoço, o prato dele esfria
no lanche da tarde, o pão dele os pássaros comem

Quando ele chega enfim, nenhum presente
nenhum buque de flores, mulher!
como pode, como pôde querer isso pra você, mulher!?

Mas se ele adoece, ah mulher, sente dó
está a seu lado, cuida das enfermidades
perde dias de seus dias a restabelecê-lo!

Mas assim que fica forte, (homem não presta)
não lhe agradece, (homem não presta)
se você se revolta, ele lhe agride
ameaçá-lhe se denunciá-lo!

Veja a ironia cruel que lhe sonda
deseja um homem, entrega-lhe sua vida
ele brinca com seus sentires,
não lhe dá direito de reivindicá-la de volta a si mesma

Faz-lhe sofrer, chorar, causa-lhe dor, sufocá-lhe
Homem não presta, não presta, não presta, não presta!

Preste um favor a si mesma
jogue o que não serve pela janela
sem medo de ser dona da sua alma!

Impressões Profundas

Quando se procura amigos de verdade
mesmo em meio às vaidades do mundo
o amor e a sinceridade prevalecem

Sobresái tudo o que de fato nosso coração pede
companhia fiel, cheia de ternura nos é entregue
quando se procura com fé

Deus tem dado àquele que quer o bem
retribuição de seu sentimento real.
Tem ido à baixo toda a aparencia
todo o pré-conceito, todo o primeiro olhar

Tem se deixado de lado os dias de sol
– Tão comumente preferíveis –
para se notar o encanto dos dias frios

Tem se deixado de lado o porte físico adquado,
a cor da pele, a religião, tem se deixado de lado
a nossa orientação – não só sexual – mas, social
para entender que seres humanos não são tabelados

Para se compreender que naquele improvável ser
tem batido um coração cheio de candura
– e antes que me perguntem como perebo –
vou responder:

São os jeitos carinhosos na fala,
a delicadeza ao escrever, os pensares limpos,
a beleza notável de quem só deseja viver
para amar, sem receio de fazer alguém feliz

E se mesmo assim me indagarem que um dia é pouco,
insuficiente pra deduzir tantas coisas, eu só tenho algo a declarar:

Quando o amor foi inventado, não pensaram em tempo para amadurecer
apenas nos foi doado um sentimento que depende de outro para nascer…
São essas as minhas impressões – profundas, admito – que tenho de você
e o tempo? Ah, o tempo não se faz necessário para justificar quando falamos em amar…

Poema dos sortudos

Poeta que fala com a caneta
e xinga a tinta que nao saí
Manobrista de navio
que não consegue sair do cais

Taxista atrasado que pragueja os sinais
quando fecham na eminencia de sua passagem,
Turista que esquece a escova de dentes fora da bagagem

Adovagado que esquece o artigo capaz de inocentar um condenado,
Nome do colega de trabalho que foje na hora de pedir um cigarro,
Letra do médico que não dá pra deduzir, marcar outra consulta só pra traduzir

Professor que esquece os critérios de sujeito oculto,
Aluno, que oculto, só sabe rir,
esquece o exercício de casa em cima da cama
pra alegria do mestre que não sabe por onde ir

O padeiro que esquece de comprar mais farinha
bem na hora de engrossar a massa.
A massa, que frustrada, sem cafeina não sabe agir

O diário da menina que ela esqueceu de trancar
agora é notícia no “Diário Escolar”.
Todos sabem que é com fulano que ela quer transar

Colete salva-vidas e à prova de balas que esqueceram de vestir,
cuidado com as marés altas e as armas em punho pra te vencer
E eu, de punho ferido, ainda consigo resistir
nesse poema dos sortudos, eu termino por te fazer sorrir

Pela falta de cautela, de atenção
eu faço esta criação para que tenha mais atenção ao sair

Ato Inconstitucional

Fonte: Google Imagens

Para onde vão as minhas meninas?
virar freitas no convento da esquina
Para onde vão os meus meninos?
virar soldadinho para guardar a marinha

Para onde vão os meus velhos?
para o asilo daqueles que eu não quero
E minhas velhas, pra onde irão?
fazer mantas para passar o tempo, vão

Os adolescentes, os moços fortes
tem lugar para a juventude?
virar sapateiro pagão
e as meninas, e as meninas, capitão?
encaixe elas na educação, professoras serão

E eu, capitão, poeta, onde me colocarão?
no exílio, fora da nação!
Mas, por quê?
poetas e escritores, jornalistas, redatores
são um perigo para a civização!

Aí, tem nada não!
Quando a quinta ordem cair, for ao chão
eu volto aqui para democratizar a minha opinião…

Eu vou bater à porta

Não vai demorar muito pra eu bater à sua porta, eu já sei seu endereço.
Eu anotei quando eu lhe dei aquele livro em fevereiro.
Não vai demorar muito pra eu pegar o carro e ir
Abaixar os vidros, ajeitar o banco e infligir
as leis de transito só pra te ver sorrir.

Eu vou bater à sua porta, só para ver a sua cara de espanto.
E eu não vou embora até que você me ofereça calor humano
Sem coragem, perplexo, talvez,
você vai estar quando me ver sem aviso prévio.

Não adianta me mandar embora,
eu sei os seus mistérios.
Percebo quando me diz um não,
quando bate a porta,
mas deseja que eu a derrube em resposta.

Eu vou bater à sua porta pra dizer que te amo
e fazer seu coração pular de encanto e de encontro ao meu peito…

Histórias de amor

De amor, meu querido, queres poesia de amor
ah, se eu te contar dos amores que tive, coitado
ah, se eu te contar das desilusões que tive
dos beijos que roubei, dos beijos ácidos e doces
dos lábios carnudos e magros que beijei

Ah, se eu te contar dos corpos que já bebi
dos tropeços de amores que quase cai
Ah, se eu te conto das poesias de amor
daquelas, sofridas, melancólicas, daquelas
que outra hora, na mocidade, me iludiram

Ah, se eu te contar dos casos de amor
das mocinhas que tornei mulheres
dos rapazinhos perdidos  que confundi em homens

Ah, se eu te contar das minhas aventuras
certamente saiba que aumentei muitas
inventei tantas, omiti outras muitas
mas, ah se te conto!

Seriam boas as minhas histórias
ficticías e reais, as minhas histórias se fazem
e se enlaçam em sua imaginação criativa de menino fértil

João e Maria

Acorda para o novo dia, Maria
que outro dia tem para viver, Marina
outros sonhos tem para sonhar, Mariana
outras danças tem para dançar, Marinete
outros beijos tem para viver, Maria Odete
outros saberes tem para saber, Maria Lúcia

Acorda para o novo dia, João
que outros canticos tem a recitar, João Victor
que outras Maria tem para namorar, João Pedro
que outra cerveja tem que pedir, João Paulo
que outra marmita tem para comer, João Hélio

Acorda Maria, acorda João
acorda para a vida, Conceição
filha de dois pobres sem educação

Acorda dona de casa, acorda o homem do pão
acorda os acordes da musicalização
acorda para a batalha, para viver, civilização

Acorda eu, acorda você
tantos Joãos e Marias
com seus segundos nomes
para viver o trabalho árduo
de ser cidadão

Ser, mulher

Quem me dera agora um corpo
o calor humano de um coração pulsante
quem me dera a agitação constante de seus palpitares
quando sendento de amor me falta ares

Quem me dera o elixir da vitalidade
a sensação gostosa do prazer sem fim
quem me dera, ainda assim, ser jovem de novo

Quem me dera os músuculos firmes – todos eles – novamente
quem me dera o  ardor contente de quem se enbebeda do fogo consciente
quem me dera, seus me dares, ainda que não preparado seu corpo esteja

Quem me dera, girar-lhe em seus calcanhares e os nossos beijares de certeza
quem me dera, ainda que tarde, o seu amor em correntezas
quem me dera aforgar-me em seu leito, e em seus seios apalpar
beleza de ser,
mulher

Dança das viúvas

Meu bem, meu bem
quanta falta você me faz
quantas lágrimas se desfazem
na minha pele envelhecida
na minha sudade contida
de meu velho, minha vida

Meu bem, bem meu
quanta falta de seus tropeços
das suas noites bebedo
em que eu lhe dava banho no chuveiro

Mais pra lá do que pra cá, era você
partiu de tanto beber, e sem me beijar
me restou uma pobre velho
corpo podre, e lábios quase secos
cheios de mau cheiro

Meu bem, que falta você me faz
dos braços fortes, para trocar a torneira da cozinha
das pernas longas, para trocar a lâmpada da varanda
do carro, para me levar da casa das amigas à quitanda

Que falta você me faz, meu velho
e sabe de quê mais me lembro, ironicamente?
foi em um dos bares desse quarteirão
que em meio ao partido alto dos bebados do asfalto
você me pediu em casamento

Ah, meu velho, eu aceitei prontamente
e, oh, que falta me faz seu jeito imperfeito
de ser você perfeitamente….

Deficiente visual

Há dúvidas nesse mundo todo
não me desespero, não choro
não quero mais pensar nos problemas

Desde que a humanidade começou a se organizar
têm surgido interrogações que até hoje não responderam
não há motivo para que eu fique triste por não solucionar
pequenas inconstancias da vida, assim tão depressa

Não vou mais dramatizar, não vou mais me cobrar
soluções milagrosas para perguntas que o tempo me fez
se eu não responder, a vida vai me dizer o enígma

A charada da vida está nas graças contidas,
nos sorrisos, na partida, ao abrir da janela
enquanto você pensa nos raios da manhã
eu penso nas flores ao se abrirem

Tudo que nos surge, tudo aquilo que nos ilude,
nos engana porque olhamos a vida com foco errado
somos míopes da divina sabedoria, somos estigmas
de uma vida deficiente visual