Ao seu dispor

Sou poeta ao seu dispor,
Sou poeta por gosto, sim senhor
mas sou poeta por você
que se acanhou

Sou poeta por terapia
para cuidar de mim sem custo
afinal, psicólogo é um absurdo de caro
e divã pra que, meu caro
se eu divago de modo involuntário?

Sou poeta sem ser triste
porque essa máxima não se aplica a todos
sou poeta do amor, da vida que é linda
sou poeta sem rima, talvez
e há quem diga ser insensatez
não sofrer nas letras

Mas quer saber?
eu acho muito careta
essa dor de cotovelo sem fim
se é assim, desiste de viver

Por que imortalizar sofrimento
se a felicidade é a perfeição
sempre, e sempre almejada?

Não preciso lembrar à sociedade agoniada
que a tristeza é companhia corriqueira…
Desta maneira, procuro mostrar que a alegria
não precisa ser passageira…

A primeira vez

Enquanto cultuam o corpo
eu faço amor com a mente
e com ela eu me caso, a palavra

E com ela faço mil loucuras,
realizo-lhe os sonhos gratuitamente

Viajamos contentes para qualquer ponto
mas é claro que ela também fica enciumada,
mas não por muitas horas…

Trocamos sempre carícias constantes
mas esse meu tom ela já denunciou muito…

O que nos agrada, mutuamente, é essa amizade,
essa entrega tranquila sem a obrigação do casamento
que já dura, é verdade, longo tempo…

Era virgem das letras, do corpo, talvez
mas do corpo, quem sabe, a carne basta…
Das letras, no entanto, nem que eu me deite
e me deleite por anos, jamais serei experiente.

Descontentamento

Não espero de você nenhuma passividade
quando ao amor estiver descontente
mas não espero de você, tão pouco,
possessividade nas entrelinhas

Não me mande indiretas em bilhetes de rosas
porque elas, ora, não são objetivos, não,
pelo menos, esteja certo, de que não ao mal

Então não me venha com deboches
e sagacidades para desequilibrar minhas verdades
por estar descontente com você, Arthur..

Perigo

Hoje você me abriu a sensibilidade
para escrever versos, poemas inteiros
de uma só vez, rasgando a inspiração

Assim como a canção cantada sem nexo
no ato automático de amar sem entender
(palavra por palavra eu só canto)

E em qualquer canto eu rabisco você
desde caderno, até as paredes se for preciso
Só assim para não correr perigo de te esquecer

Quem de nós II

Eu quero ver quem de nós dois vai quebrar o silêncio
nesse momento e confidenciar ao outro o que sente

Quero ver ver quem de nós tem essa audácia
de deixar de graça e conquistar a palavra novamente

Quem de nós vai parar de gritar com os olhos
quem de nós vai parar de chorar com a alma
e de camuflar a calma em respiração quente

Quem de nós vai entregar os pontos
quem vai abaixar a guarda, e resignada,
dizer contente que aprendeu o que alma pede:

Perdoe os inocentes!

Amizades

Sem amigos não somos nada
(não somos nada, leia bem!)

Amor, quando finge que existe, não vale nada
Dinheiro, não prospera, nada rende um vintém

Sem amigos, tudo muda, tudo muda, meu bem

O som das coisas se emudece,
A alegria falsa, não resplandece,
A dor não se compadece

Sem amigos tudo muda, muda tudo, companheiro

Não adianta de nada desse mundo
sem comigo ter um parceiro

Porque as vitórias juntos são mais célebres
As perdas são perdas passageiras
Porque com amigos a gente só cresce

E em especial, dedico a você
esses versos só seus,
mas se não fossem pra você,
esses versos não seriam meus

Abraço

Um abraço seria bom agora
porque abraços aquecem
acaloram o corpo e a alma

Um abraço seria bom
como seria bom agora
porque abraço liga coração
toca duas vidas com as mãos

Um abraço seria bom
seria bom agora
porque um abraço acalma
aconchega quem se apavora

Ah, como seria bom
seu abraço no meu abraço
sem a menor pretensão
apenas um abraço acompanhado de emoção

Anjos pelo papel

Nessa noite fria em que duas poesias se encontram
eu espero que a sua rima ou a minha, ou até a falta delas nas entrelhinhas
nos aqueça e ponha na mesa um pouco de calor humano, pois sinto,
e lhe digo um fato: Quando dois poetas se encontram
são dois anjos contando seus atos

Dois anjos que se despertam
Enlouquecidos, não pelo entoar, mas pela vontade de voar
Estão cada um em seu lugar, cantarolando e se manifestando
De um lado um pouco tímido, estou eu em minhas figuras
Um anjo encabulado com suas palavras inseguras

Ame as minhas palavras, companheiro de escrita
porque os meus versos são de paz, e são seus
e toda a minha criatividade é para lhe fazer bem
porque se não for assim, anjo meu

Se assim não for a minha índole
Não se deprima!
Anjo algum há de pedir
que eu seja expulso do céu

Para evitar isso, no entanto, serei réu do amor
vou testemunhar aonde for que apenas isso nos muda,
e nos molda a labuta de ser anjos pelo papel

Palavras sinceras são dignas de amar
Não me importo se cá estou na minha timidez
Sentindo diante seus versos a minha nudez, de fato estou no inverso
Somos duas almas, de certa forma alienadas
Pois pra escrever linhas tão centralizadas
É de certeza, que nossa presença no céu nunca seja banalizada

E Gaudard minhas palavras! Guarde-as bem:
Sem presunção alguma eu sei que não somos ninguém
Apenas semeadores de palavras
para colher então, versos
e juntos rasgar os provérbios de muitas civilizações
resumindo estes ensinamentos e muitas canções de amor
apenas nessas considerações:

Não somos nada sozinhos,
nem tão pouco nossos carinhos
são a redenção dos versos
mas entre dois poetas
é natural a espera das novas formas, quem dera,
formas inéditas de falar tudo o que é bom sempre

Andando pelas suas linhas, estou a concordar
Que nada somos sozinhos
Em pensar que há pessoas nesse mundo que ainda insistem em negar
O que é dito nesses versos, que sejam para muitos incertos
Não há como fugir, fomos feitos para se unir
Imaginar que voar seja de fato sonhar
Tenha “Jeff”, meu caro amigo, a certeza de que para caminhar
Só é preciso, para anjos, forças para gritar

Sendo assim, eu lhe digo
E tenha muito bem dito
Que em qualquer lugar, somos capazes de chegar
Se sempre estivermos rimando como poetas
A nossa coragem de falar, o que homens têm a vergonha de sussurrar

 

*Em parceria com Matheus Gaudard

As coisas mudam

Aí um dia as pessoas começam a trocar as palavras
e quem se dizia apaixonado, hoje te odeia
e quem dizia que te amava, hoje não olha na sua cara

Aí a conversa muda, um dia
e quem te dava o mundo
bate na sua cara
e quem te dava flores
hoje não te nem mais bom dia

E o sentimento muda,
as loucuras de amor
foram loucuras realmente

E um dia a mesa vira
e as juras, os segredos
e as lutas e os medos enfrentados juntos
são medos e lutas de cada um agora

E quem dizia ser um absurdo
que o amor um dia fosse acabar
não sabe o tamanho da própria foice
que é praguejar quem um dia se amou

Nascimento

Minha alma aflorada,
aberta, escancarada
feito pássaro de asas abertas

Voa em versos
abre sensibilidade
nessa arte que me entrego

Nem sempre com esmero
às vezes, sem cobrança
como criança que apenas corre,
rodopia e fica tonta, mas se diverte

E assim o meu espírito canta
e festeja e se lança
mostrando que a alma é eterna,
que a vida é bela e que não se cansa
de ensinar a adultos tristonhos
que muito mais que ser sonho utópico
o mundo pode deixar de ser um velório
e ser feliz como um criança de colo
mesmo que chore
desesperadamente

Repertório Romântico

Ainda que se cante “Tolerância”
“Aqui”, eu também gosto de “Rosas”
ainda que “O Cristo – para muitos seja – de madeira”
“Eu – sempre, admito, – gosto de perder tempo com você”,
pois o amor sempre e “Simplesmente Aconteceu”

“Eu que não sei quase nada do mar”
sei que somos tão pequenos quanto
“Um edifício no meio do mundo”

“Confesso” que sou Implicante com você, “Joana”,
mas a culpa não é de “Beatriz”…

De “Quem de nós dois” será a culpa, minha querida?
Se sabemos que “O Avesso dos Ponteiros” é implacável

Seu “Retrato em Branco e Preto” eu contemplo
quando “Me sento na rua” e fico a pensar
porque você me disse – “Eu nunca te amei, idiota!”

Não confie em “Notícias Populares”, minha querida!
Todos destas “Ruas de Outono” ainda vão pagar caro
por tantos “Problemas” terem nos trazido

Eu sei que pra você tudo agora “É mágoa”
mas você sempre foi minha “Heroína e Vilã”
Lembra daquele “Vestido Estampado”?

Lembro-me sempre dos nossos carinhos no “Elevador”
São muito mais que “8 Estórias” para contar
São muitos nossos “Sinais de Fogo”, ah que saudade!

Saudade de “Um dia de domingo” com você
dos nossos “Milhares de Sambas” que “Entreolhares”
terminavam com nossas intimidades em “Cabide”
e nos “10 minutos” finais eu “Era” “Mais que a mim”….

Pirataria

Saiba que tudo a um poeta vira motivo de escrita.
Mesmo que a vida não rime pelos momentos difíceis;
Mesmo pelas coisas mais banais e fúteis.

Tudo é razão ao poeta, mesmo sem razão alguma;
Dos teus belos olhos, aos teus mais irritantes defeitos;
Desde tuas saídas à noite, até às noites de romance;

Não devo explicação a ninguém, mesmo que tu sejas a minha pergunta,
mas as respostas não são, exclusivamente, a ti, são de todos – isto é arte.

A inspiração é tua, o trabalho de decodificar sentimento é meu;

Não cobre direito autoral;
Às vezes, o sentimento é original,
mas o poema, ah, ele pode ser pirata…

Acompanhante

Resolvi te ligar,
você não atendeu
fui em sua casa te buscar,
você não estava.

No bar onde gostamos de ir
você bebia com amigos, sorridente
Eu, todo contente, fui ao seu encontro
e até achei estranho você me ignorar

Mas sabia que nossa relação não era por muitos conhecida,
resolvi então me afastar, voltei para casa, sem reação alguma,
esperando o seu contato ansioso, tentando se desculpar

Mas você não me ligou nesse dia, nem no seguinte,
nem nos dias que se passaram, então resolvi não insistir.
Só depois de muito tempo encontrei na minha caixa de correio
um envelope como aqueles que sempre vinham do seu endereço

Solicitando com certo desprezo que não lhe procurasse mais,
que a sua vida tinha tomado outro rumo, e que a nossa vida não tinha sentido mais.
Eu sabia, antes de tudo, que essa carta um dia chegaria porque nossa aventura,
a nossa loucura acabaria!

Você sempre me dizia que era apenas um contrato, um acordo de amor,
e eu, eu encantado, com tudo, concordou.
Seria seu amante, seu cuidado e seu cuidador, esse garoto dos classificados
que agora virou ocupação: Esse tal de acompanhante para festas, encontros, seja lá o que for…

Mandou-me uma carta solicitando os meus serviços, e por carta me dispensou…
E eu, cada dia mais apaixonado, confundi trabalho com a profissão do amor

Coadjuvante

Acho que aprendi a me apaixonar
sem essa entrega toda, como se a minha vida acabasse agora
sem essa angústia de não ter, sem essa lamúria de sonhar demais

Apaixono-me agora, calmo
Calmo porque a vida merece calma
Sem esses tropeços juvenis
Essa correria infeliz que estraga tudo

Agora eu quero calma
Apaixonar-me pela cadeira de balanço
Apaixono-me pelo sol em meus olhos, manso e suave
Apaixono-me pela grama verde-amarelada, e pelas rosas que de rosas não têm nada

Apaixono-me agora sem compromisso e sem cobrança
Ainda não sou omisso ao coração, mas aprendi a sustentar um amor
Esse amor que quer morar em mim em vez de se jogar ao outro
Esse amor gostoso que está morno em mim, que de vez em quando se aquece
Esse amor que não transparece mais assim, tão brutal

Substituí esse amor de animal racional
para amar racionalmente, na espera
Esse amor que precisa, antes de grito, silenciar-se,
e não muito tarde, fazer notar-se em mim, primeiro

Segundo plano, nem sempre é coadjuvante
mas agora, não mais que antes, vou atuar o meu amor aqui
e contracenar contigo como parceiro, sem me esquecer,
por inteiro, que o ator principal sou eu,
mas sem você não há espetáculo algum

Assim

Assim meu verso calado pra você meu amado, assim meu verso
Assim te amo, assim mudo, sem nenhum motivo, um mundo,
meu mundo é você pra descobrir, pra desvendar

Assim, não dá pra falar que meu encanto é um tanto acanhado,
e meu canto tímido, encabulado só pra você!

Assim declaro meu sentimento, em canção que vem ao vento,
é-me um talento, admito, mas admiro mais em você essa possibilidade,
essa sua parte de tirar de mim, assim, palavra por palavra como quem tece,
assim, como quem costura um manto, o nosso instrumento de calor,
esses nossos momentos para se fazer pensar que, ah!

É o nosso frio, juntos, que me aquece….

Unilateral

O amor pode ser unilateral.
Não será menos amor por ser único,
nem mais amor por ser só

Na dúvida, melhor ser um,
pensar em dois, mas ser um,
sonhar por dois, mas ser um

O amor pode ter só uma via.
Não congestiona nenhum coração,
pode ser em uma direção.
Não desvia o que sinto.

O amor pode ser unilateral.
Não será menos amor por ser único,
nem mais amor por ser só!

Esperas

Eu tenho mania de peseguição, e isso talvez te chateie,
mas eu vou te contar que o nome disso é preocupação.
Eu apenas quero cuidar de você, e fico te procurando,
fico talvez até te incomodando, mas é essa a minha forma,
a minha maneira, pelo menos agora, de dizer que te amo.

Porque se eu verbalizo esse sentimento muitas vezes,
por mais que seja real, e você não duvide,
por mais que a gente acredite nessa verdade…
Eu sei que atos falariam mais alto

Mas, infelizmente, eu não posso estar presente ao seu lado,
eu não posso cuidar das suas preocupaões e nem te abraçar,
mas eu sei que você precisa, na verdade, é disso.
E eu não minto quando digo que essa seria a minha vontade.

Eu espero que tudo fique bem com quem você ama,
porque só o amor é capaz de gerar aflição pelo outro.
Só o amor nos traz essa condição de esperar pelo outro,
de morrer aos poucos, e de querer feito louco a recuperação.

Só o amor tem essa intenção de se comunicar com os distantes,
de bem-querer o desconhecido, mesmo que seja nosso amigo
por consideração.

Eu espero que as coisas mudem, que as suas inquietudes
se acalmem, que todos possam mostrar que estão contigo,
que entendem a sua agonia, pois minha alegria,
meu grande querer é sua felicidade.

E que ela venha, que venha ainda que tarde, mas apareça,
porque quero contemplar a beleza do seu sorriso,
o vinco das suas covas, seu olhar tranquilo,
como um rio límpido a correr, dizendo que me adora.

Evidências

Meu amor em evidencia
eu vou colocar só pra você
Mesmo que de tanto amor
todos percam a paciência
por tanta inveja de assim ser

Que a nossa luz não se apague
seja onde for, que nosso sentimento
não se abale, não diminua esse calor

Sejamos nós sempre o exemplo
do que esse sentir é capaz,
mesmo que se despir seja a única razão
de tantos outros casais

Que o nosso encontro seja de fraternidade
ensinaremos a outros tantos esta arte;
Capaz de mudar nosso espírito,
aumentar nosso bem-viver

De que quando dois mundos se encontram
não é preciso mais nada, nenhum acordo,
não há briga nem desgosto, nem casamento em fim de tarde

Nossa festa, nosso celebrar não é material
não precisamos ostentar o que nos é banal,
mas que se veja nas nossas vidas, nos nossos olhos e ações,
dois seres evoluidos e felizes, provando o sabor de várias paixões

Desta vida, de outras vidas,
outras multiplicações, que nosso amor em evidência
não termina em separações

Nem nesta vida, nem na próxima,
como não foi na anterior e nem antes dela,
pois as nossas almas se completam
desde as primeiras encarnações…

Poema verde

Vem correndo pra mim
que eu acordei pensando em você

E não dá pra explicar o que eu pensei
antes de dormir, o que desejei com você

Tira de mim meus melhores versos
que eu espero por um fim nos meus erros,
nos meus enganos antes de te encontrar

Tira de minha imaginação
seu olhar inquietante
que em nenhum momento,
deixou a minha mente,
que já insconsciente…

Entregou-se ao sono
vencida pelo cansaço…

Permita-me que eu te fale,
que se não fosse tão tarde,
eu ainda estaria aqui

Tira de mim meus melhores poemas
minha criança pequena, meus versos maduros,
cairam já ao mundo, jogados ao vento.

Agora sinto brotar um poema verde
que não sabe a sede que tem de demonstrar,
mas eu não sei construir, eu não sei o que dizer,
se a experiencia que eu adquiri
de nada se aplica a você

Desconhecido

O desconhecido é saudável.
A esperança brinca com a expectativa
de que você, meu querido, muito mais que isso,
mero esperar, seja realmente vivido

E mesmo assim te quero,
– sem te conhecer por completo –
E mesmo assim te quero,
– mesmo sem motivo para o querer –

Quem me dera assim dizer, que a aposta
– a nota de confiança que bati na mesa –
Quem dera ela me desse certeza do que desejo

Mas mesmo assim eu almejo
que as notas que joguei
me deem a vitória

A glória de ter vencido o medo,
o simples bloqueio de ser feliz
desde o primeiro dia

*Adbeel

Atemporal

As nossas ideias escorrem entre os dedos
que de todo jeito manipulam instrumento que escreve
não precisa ser lápis, nem caneta, nem giz de cera na caixa
são simplesmente nossas mentes que borbulham
e ascendem para acender a fagulha dos nossos pensamentos

Aos iguais – em verso e prosa – sem poesia ou com –
– condem as rimas ou não! – somos todos parentes da ficção em algum momento.
Transmitimos o que nos chega n’alma – talvez na calma ou na agitação!

É o viés que temos,
pois pela sorte do mundo em que vivemos
podemos semear devoção,
àquilo que todos nós reverenciados, as palavras!

E a elas nós damos força
ao atingir rapaz ou moça
que nos lendo, emocionam-se,
cada um a seu modo

Companheiros, – traduzindo nossos sentidos –
sentiremo-nos imortais, perpétuos em nossos escritos,
estaremos sempre vivos para demonstrar que, por aquilo que acredito
– as palavras, meus amigos – os nossos gritos escritos de pacificação
são atemporais.

*Para a Academia IFFense de Letras

Mudei de inspiração

Não são mais teus olhos
azuis-esverdiados que me cativam
tão pouco tua pele branca feito a neve
que tu gostas

Arrumei outro amor que me agrada
e nestas linhas estarão segredadas
as minhas novas intenções

A nova fase de meus versos
que teus foram um dia,
respiram hoje novos ares

Não é mais tua boca pequena
nem teu corpo singelo que me emudece
e que para mim se traduzem em poesia

A nova fase de meus versos
que teus foram um dia,
respiram novos ares

Não são mais sequer teus calcanhares
que me fazem perder meu tempo
pois hoje, mais atento, dou valor
a outros rapazes

Não são mais para ti as minhas rimas
que um dia enganadas foram pelo amor, ludibriadas,
a acreditarem em mim

Preservação da espécie

Quero eu preservar você por inteiro
para que essa candura não se perca
e se perpetue em seu convívio

Quero protege-lo dos traiçoeiros
e avisar das armadilhas,
quero ser seu guia
um dia inteiro

E guardar os seus valores bons,
os seus carinhos, pena não conseguir
produzir sentimentos em laboratório

E te pegar no colo, e te levar pra casa;

Ao menos em cativeiro, sob meus olhos,
tentarei o que for possível para aprender com você
a reproduzir amor

Eu sei que bicho-homem não tem mais jeito;
Já perdemos a esperança;

Mas quando, por alguma razão,
a natureza funde homem com anjo – talvez um por século –
eu espero que esse ser sobreviva

O que me instiga a acreditar no seu dom
de também ser poeta, artista, desenhista,
e conviver com os homens por um mundo
senão melhor, pelo menos bom…

Mil olhos

Eu quero fazer um mosaico das suas fotos
para contemplá-lo em preto-e-branco, amarelo e vermelho
para te ver da infância à velhice, do sorriso ao choro

E fazer poemas com as suas nuances, seu tom de pele,
seu cheiro de verniz, quero o apodrecer dos anos,
das fotografias cheias de vinco, e dos vínculos de atriz

Quero ver seus olhos abertos de alegria, iluminados sob o sol
e a saudosa maestria, por tanta nostalgia, te admirar dormindo um sono profundo

Quero nesse momento demonstrar que você não é foto de cabeceira, mas que incendeia de lembranças
e por isso, criança, eu quero colecionar as suas imagens na minha sala de jantar, porque enquanto degusto o alimento
recebo amigos em casa, faço festas, cerimonias e encontros, abaixo dos seus olhos quero sempre estar

Para que na eternidade da sua imagem, você perceba que eu nunca te traí, mas que os seus mil olhos
-fechados ou abertos, sorrindo ou chorando, iluminados ou tristes –
possam me condenar, se um dia eu ousar tal feito, e que a dor consuma o meu peito
de remorso pela culpa por um dia isso cogitar