Dramaturgia

As pessoas não são assim tão diferentes de você,
cada um tem um segredo a mais, uma máscara a mais,
um medo a mais, um defeito que ninguém sabe,
uma verdade oculta, são todos idênticos,
cada um com a sua própria mentira que convence,
aquela que você mesmo acredita e vende

A gente ama uma vez só várias gentes,
em várias frentes, unicamente
unilateralmente, – ou não –

Uma vez só em tempos diferentes,
eis que finda, e ainda prorroga,
insiste, mas agora é tarde
é tarde, aceita a troca,
a virada na vida, assiste
o mesmo filme que eu vi

O que eu vivi,
você interpreta
releitura em outro tempo

Ninguém é diferente
só atua em cenas distintas,
mas vai participar do nosso núcleo

Hoje as cenas repartidas,
já partidas, outras tomadas,
fazem sentido nessa dramaturgia
indiferente

Melodia lunar

Cruzo sua vida
volta e meia, rodeia
e deixo a mão aberta
fim do passo que desencadeia

Sigo em frente
dou a mão a outra gente,
rodopia à minha frente
e a mente, ziguezaguear

Fecho o passo sorrateiramente,
sorridentemente, retiro novo par
e na vida da gente, uma nova música,
toca, e gira, retoma, repete,
com pessoas diferentes
a melodia lunar

Falso passo, o improviso,
o impreciso também coreografa,
abre e fecha, e me arrasta
alastra sua alegria pro lado de cá

E quando não se espera,
o contrário do contrário
que ninguém sabe onde vai dar

Corre e sai pelas laterais,
tangencia as minhas emoções,
expressão do corpo que se joga,
acopla suas pernas na minha vida
e avisa que o número vai fechar

Flexibilização

Diretoria de Gestão de Pessoas do Campus Campos-Centro do IFFluminense. Para Mônica Chagas. Porque no início do dia é pedinte, mas no final, expediente
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Às vezes sorriso,
às vezes só riso.
Às vezes enérgica,
às vezes fraterna.
Às vezes postura,
às vezes póstuma.
Às vezes litúrgica,
às vezes lírica.
Às vezes rótulo,
às vezes rotula.
Às vezes desculpa,
às vezes se culpa.
Às vezes sábia,
às vezes leiga.
Às vezes carinho,
às vezes caminho.
Às vezes doçura,
mas, às vezes, ácida.
Às vezes diferente,
de repente, indiferente.
Às vezes contagiante,
às vezes desanimada.
Às vezes cansaço,
às vezes o aço.
Às vezes relógio,
às vezes raro ócio.
Às vezes rápida,
às vezes confusa.
Às vezes há cargo,
mas, todas as vezes, humana
flexibilizada na alma
em tempo integral.
Às tantas, há tantas,
numa estrofe só.

Portaria omissa

Para Joelma Vieira, Diretoria de Gestão de Pessoas do Campus Campos-Centro do IFFluminense: o presente de honra de trabalhar com quem sabe o que fala, sabe o que faz e sabe o que ensina.

Poemas são fruto de percepções e não mero desejo do poeta
que cresceu e você viu: o privilégio daquele que se instrumentaliza,
agarra as oportunidades e se reinventa, mas agora, agradece

O que julgam de nós carece de sustentação,
são considerações de quem, não raro,
não sabe o preço que foi pago para se estar aqui

Mas, ainda que digam, os outros,
milhares de contradições a seu respeito,
o meu discurso, nunca se fez sem sentido, você sabe disso.

Tem coisas que não vão publicadas na imprensa oficial,
o respeito, a admiração, o aprendizado não são transmitidos,
escritos, assinados por nenhuma portaria de agradecimento.

Pessoalmente, quase órgão consultivo que delibera,
o postulado público da integridade e lisura,
conforme a moralidade, a honesta conduta da pessoa pública

Daquela que sabe, e sabe que sabe, refutando até a mais alta filosofia,
e nem por isso, deixa de ensinar, e nem por isso, mais ainda,
não deixa de se preocupar com os transtornos que um erro, ainda que humano, causa.

Causa estranheza há muito, diga-se de passagem, que você tenha mudado de conduta,
já não anda mais no máximo estresse, no ápice da bravura, nas falas rígidas,
e venha, sistematicamente, assumindo sorrisos e cuidados, mostrando a vaidade feminina
e ainda que poucos saibam, percebo a alegria da materna coragem.

Passa indiferente aos olhos indiferentes, mudanças sutis, mas significativas
de seu humor e temperamento; hoje, já se permite olhar mais pra si,
e ir afrouxando as amarras da labuta aguda que mais prejudica a saúde do que ajuda

Nesse novo momento, tanto tempo do servir, rendo-lhe os cuidados da palavra,
que não é simples retórica, é presente; daquele que sabe reconhecer o presente…
Na verdade, inteligente é aquele que sabe, na prática, que a prática só gera melhoria
se o aprendiz tiver a oportunidade de conhecer o trabalho de quem realmente sabe muito.

É o rascunho do tempo que vai revisando, alterando,
leia-se: o que for velado pelo tempo é caso omisso,
retifico com esse poema e publico para todos os efeitos

Multi-mulher

Tem coisa melhor na vida
que além de amiga,
ter na mesma pessoa cúmplice,
na mesma colega de trabalho,
a mãe carinhosa, a esposa dedicada,
a irmã mais velha, a tia conselheira,
a professora corajosa,
a mulher valente e determinada,

Tem coisa melhor na vida
que perceber o turbilhão do outro,
e com respeito, na mais profunda admiração,
também porque não dizer, reencontrar
alma amiga, amizade antiga de outra vida
que a vida, generosa, ah a vida,
tratou de duas alegrias com o nosso abraço!

É simples e puro, o verso mudo e calado
que diz muito, que grita a prece do ser,
ser abençoada.

Que me faz acreditar na vida pela força,
que me faz ver a vida mais feliz, sorridente,
que traz ao mundo o mais convincente,
a simplicidade humana, que aprende.

Ter tudo e não ter nada,
ser muito e não Ser nada,
ser visto como grande,
não enxergar nada,
pequenina, dita gigante,
revestida de humanidade.

Aquela que sabe muito,
mas aprende sempre
tão cheia de humildade,
e o pouco que acha que sabe,
divide, reparte em mais da metade

E de tanto se dividir em mil,
como os segundos que a vida goteja,
os minutos aflitos dos compromissos
serão sempre a eternidade

Por tudo que cativa,
por tudo que nos faz parte
multi-mulher, sem muito alarde
com ares, ares de milagre

Oração amiga

Pai, teu amigo íntimo
hoje pede por outro ser divino
que eu chamo de amiga

Restaura essa vida, que já cansada,
já sofrida e abatida, não esquece de amar.
Hoje não preciso da mulher forte, guerreira,
da destemida cheia de confiança em Você.

Quero a alma humana, que falha, que sofre,
que também merece nossos cuidados,
senhor, um instante dela e pra ela,
não me culpe se a lágrima rolar,
hoje a preocupação de carinho que paira no ar
é inteiramente minha para te abençoar.

Quero a alma humana que chora pela distância,
que se apega, agrega e se entrega a outros corações humanos

Sentimento que fala mais alto e a gente vai estudando nas atitudes e arquivado em tudo
que é feito com zelo, amor e esforço.

Declaro respeito e amor ao divino do outro,
quando se lê um coração em pensamento,
o poema vira oração, amiga
amiga, oração

Aposento

Dos requintes de uma história
cheia de memórias que merecem mais,
bem mais que cinco estrelas,
seus aposentos de emoção
escorrem nas veias, nos anos a fio

O fio do destino que nos realoca
nos cômodos da vida,
corredores da alma,
tapete vermelho do coração

Pelo sim, e pelo não
nos rincões do tempo,
nesse momento,
seu aposento merece novos hóspedes

Ainda que tantos já tenham se acomodado
nos seus abraços sempre maternos,
toda a vida se alegra pelo crescimento
desmedido nas vielas do cotidiano

Seu abençoado corpo humano,
que transcendeu os limites da matéria,
que alarga a família, ficará sempre aqui
como um prédio que se ergueu, enfim;

Matéria-prima, prova viva das cidades
que construiu em nós, cheios dos seus aposentos
de amor.

Deferimento de saudade

Quando a sua caneta não puder mais assinar
nenhum benefício, nenhuma solicitação minha,
quando a sua articulação personal-política
for vazia de qualquer cargo comissionado,
quando dizer seu nome deixar de ser vantajoso,
aí sim, estarei mais próximo, mais perto

Quando o amigo precisar de força,
quando o zelo vier à tona,
quando o humano vier primeiro,
colaboro, sem ressalvas

Reitero tudo o que realmente compensa,
a recompensa por tanto cuidado,
por ter me ensinado os princípios,
o mais raso, o mais simples
que todo mundo julga que a gente já sabe,
por ter sido didático mesmo sem formação

Peço que (re)considere quando tudo me volta à mente,
antes mesmo de ser convocado, a entrega de documentos,
a perícia médica – por ter me encaminhado –
pela confiança de sempre, pelo respeito íntegro

Peço que relembre na memória, nesse tempo tão rápido,
as risadas sem medida, o silêncio cheio de mensagem,
as brincadeiras tão espontâneas e as piadas em alarde

A benigna maldade da convivência humana,
que sabe o quanto vale a amizade,
que sabe o quanto tem valor a cumplicidade,
os auxílios que o serviço não compra,
a tranquilidade da criança adulta,
em alegria, em verdade, sinceridade e ajuda,
ciente do que realmente importa,
deferimento de saudade,
do poeta.

Presente divino

Eu estou falando com um ser de fé,
eu estou falando com um ser de luz,
estou falando com um amigo que me conduz

Estou falando de igual pra igual,
ainda não há semântica para o imaterial,
o pós homem, o sobrenatural, o divido,
o divino que me diverte em você,
que me enche e me alegra

Estou falando de um encontro
muito mais evoluído, que explora,
expande os sentidos, além da matéria

O que é ser, ser de luz?
o que é ser, o ser você?
o que é ser, se alegrar por mim?
o que é ser, transformar-se?
e mais ainda, aos outros?

Por amor, por cuidado, pelas atitudes,
os abraços apertados que não cabem no mundo,
a presença que emociona a alma,
a voz que vibra a eternidade,
a segurança na fraternidade

O que é ser presente na distância?
o que é ser perseverante no difícil?
o que é ser descanso no impossível?
o que é ser seguro do que eu digo?

Presente do divino,
presente do divino,
presente, tá me ouvindo?

Fonte de mudança do mundo,
caminho de luz e amor,
esperança aos sofridos,
esperança aos pequenos de espírito
e aos pequenos espíritos de luz,
formando-os no bem sem indiferenças

Presente do divino,
presente do divino,
presente, tá me ouvindo?

Agora você sabe,
agora você acredita
na infinita bondade da vida…

Ad eternum

O tempo não se divide,
ledo engano seu considerando
o ontem nunca existiu,
o hoje ou o amanhã,
que tola e vã preocupação

A construção do relógio
é um ponto na poeira ao vento,
um grão na imensidão do deserto
ação sim, é ad eternum

Foi para mim chegada,
sei que a aflição colabora
para o antes, o agora e o depois,
mas o que fica na memória vai mais além,
amizade que fica no espírito não vai embora
e se impõe

Ad eternum na risada e nos ensinamentos,
o que vale não é o quanto trabalhamos juntos,
mas o quanto a gratidão ganha amplitude
nos dois mundos

Ad eternum são as parcerias que a vida firmou,
é o respeito mútuo e a admiração, eternamente
lembranças que a saudade não machuca, mas relembra,
ad infitium convocação

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Para Francine Macedo Dias – Diretoria de Gestão de Pessoas – IF Fluminense

Infinitamente

Meu abraço tem força,
tem também franqueza,
meu abraço tem suor
de gente que não fraqueja

Meu contato não é de corpo mole,
é o abraço carne dura,
tem afago, tem carinho, tem candura

Meu abraço energizado
tem perseverança e tem amor,
meu abraço, abençoado, tem
o calor do frescor

Alivia a alma, conforta a gente,
acalma o coração e limpa a mente,
meu abraço, de cuidados, abarca quem sente
numa onda de espiritualidade,
infinitamente.

Colação de graal

Eu não vou embora
agora, só uma fase provisória
está passando como tudo
que um dia termina, finda

Ainda fica, não me venda
desvenda tudo que a gente fez,
eu sei o quanto crescemos
outra vez, mais uma,
pela quarta vez

A vida segue seu curso
o discurso é o de menos,
o que mais importa é a certeza
que no quarto ano não ficaremos

Fiquemos para a posteridade,
pós co-ação de grau,
colação de grau,
bebendo o Santo Graal
da sabedoria que lograremos
e logramos ao longo de um caminho
que cada um vai retornando
pela origem da ignorância humana

Preconcebido

A introspecção nasce da mais profunda observação,
constatação disforme daquele que divaga no momento
e percebe, de antemão, todo o contexto daquilo que vislumbra

À margem, cá estou de tudo que você fala sobre mim,
e de tudo que planeja alegremente, o que eu não absorvi;
se ouvi, foi muito, coisa de educação que não me falta,
mas, se prestei atenção é outra história, que eu não li

Ainda que com novos pretextos, esse pré-texto
é fruto de um desejo mais que acadêmico-sociológico,
está, antes de tudo, preso naquele tempo de visita,
que passei, por debaixo de sua vista, a observar tudo e todos

E lamento muito, o gueto, o espaço opaco: que franco sou eu!
Pertenço ao mesmo ato fraco, cárcere privado social do qual,
ainda hoje, não nos libertamos de fato!

Ingrato seria eu, se depois de tão forte observação,
ainda me fizesse de rogado, cá estou, calado:
a saber, – por que não? – que praticamos o mesmo processo
de condenação preconcebida.

Quebrando paradigmas

Muda seu conceito sobre mim
que você não me conhece,
você não sabe de onde eu vim

Muda o seu pré-conceito ao meu respeito
que do jeito que você me olha é feio,
não faz assim

Desfaz essa pessoa que você criou,
sei que você pouco deu por mim,
surpreendi, que eu vi
as mudanças que eu conquistei, enfim

Agora que você sabe por que eu estou aqui,
eu me guardei em ti, cuidei de ti,
cresci e evoluí

Na sua escala de avaliação eu subi,
e passei por mim, superei-me
porque eu mesmo me venci
e também te compreendi diferente,
de frente, eu convivi
e vi que nós somos mais parecidos
do que eu também ergui

Poeta por confissão

Ah, Aniceto, poeta, amigo meu
que alegria, quanto amor transborda,
quanto carinho a vida me deu

Tanto poema, tanta palavra,
o tanto dito escrito, emudecido,
quanto carinho pelo amigo,
quanto respeito pelo irmão

Essa mensagem hoje é quase uma oração,
fica em paz e fique tranquilo,
não se agite, não
que a sua alma amiga,
encontrou abrigo, encontrou a mão
de outra alma amiga e poeta,
poeta por confissão

———
Para Guilherme Ferreira Aniceto, poeta e amigo federal.

Transições

Não me incomoda nenhuma transição,
nenhuma mudança acomete mais o meu espírito,
aprendi com a vida que as passagens são rotina,
nada é estático, nada é partida sofrida

O meu coração só ganha ponto fixo no coração de quem amo,
só ganha o meu respeito e admiração quem merece,
coisa simples é o meu ser humano, que não se compra, nem se vende

O meu trabalho é macro existencial,
não está nesse espaço, nem no aqui, nem no agora,
por ora, eu só digo algumas coisas,
de alguns lugares eu já fui embora

Não deixei saudade, não deixei problema,
não deixei sequer ressalva alguma,
porque eu fiquei pra posteridade e a priori
em vidas amigas, não em matrículas confusas

Não me abalo, nem mais anseio o prever futuro meu,
o hoje, entrego a Deus, todos, inclusive,
os verdadeiros tesouros que a vida me concedeu a convivência

E com anuência do divino, eu garanto,
que de pouco a pouco o tempo passa,
a cadeira gira, o amigo fica
e a alma fala.

Agradecer

Você, filha do Divino Ser
você, mãe do Divino Ser
você, amiga de Divino Ser,
você, esposa de Divido Ser,
você, alegria em ato do Divino Ser
você, o fato do Divino Ser
Namastê

Você, Ser que vai transcender
Você, Ser que já progrediu,
Você, Ser que obedeceu, desceu
Você, Ser que ajuda o mundo a crescer
Você, feliz Acontecer,
Agradecer
Gratitudine

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Para Sabrina Bonzi, amiga de trabalho do Instituto Federal Fluminense, Diretoria de Gestão de Pessoas.

Bom reconhecer

Muito prazer,
bom conhecer você
hoje te encontro,
nossas vidas,
cruzando-se

Muito prazer,
a memória humana falha,
mas a vida trabalha,
ela nunca mais vai nos esquecer
bom conhecer você

Muito prazer
hoje a gente cria um portal do futuro,
o presente se vive junto – ou não -,
mas lá na frente, sobretudo,
quando o corpo não nos representar,
e a memória nos trair,
o sentir vai nos reconhecer e nos reconectar

Muito prazer,
hoje tudo começa
nessa arte onde a vida prega
(peças, talvez)
nessa arte onde a vida prega
amor ao próximo,
muito prazer e até logo

Daqui a dois dias,
daqui a duas décadas,
não interessa,
está tudo próximo

Desconstruindo pessoas

E quando não se dava nada por alguém,
a doação total constrangeu,
e quem disse que o mendigo na rua
é coitado, a compaixão dele cedeu
a partilha do pão de ontem

E quando se achava um ser humano perdido,
perdido foi o ego ferido, quando ferido,
por aquela mão que se estendeu

E quando o cuidado necessário se fez presente,
mas o dinheiro não pôde bancar,
quem nunca foi cogitado se ofereceu sem centavos.

O idoso moribundo ainda pode cuidar das crianças,
a criança frágil e pequena diz verdades escondidas das outras bocas,
o jovem imaturo também ensina que a coragem não se ensina,
quando o sistema sufoca tantas adultos maduros,
o deficiente é servidor público que trabalha e não foge do ponto,
e o ponto final é só um blefe.

A vida nos pede a reincidência das reticências

Princípio da ponderação

É bem rente ao corpo,
bem dentro dos olhos,
é bem próximo da verdade
que se encara a realidade

É sem medo da vida,
é em respeito próprio,
por considerar o próximo
parte de mim

Parte de mim muita responsabilidade,
parte de mim sempre a justiça da ação
– parte de mim o signo da balança –
o princípio da ponderação

É com os olhos d’alma que se vê
– profundo e sem receio –
que a vida revela
muito além do meio termo

É para tirar as dúvidas daquilo que é relativo,
para seguir a diretriz do correto, sem vacilo,
para aquilo que ninguém percebe que precisa de proteção
é o cuidar do outro sem solicitação

É inerente a mim, antes de tudo,
antes e até mesmo sem laço afetivo,
antes e até mesmo sem troca, barganha,
antes e até mesmo sem ganância, ninguém sonha;
antes e até mesmo, até mesmo antes
de qualquer desconfiança

Soleira

Sua janela
está sempre aberta
está bem próxima
quando eu preciso
olhar para fora de mim

Estou sempre atento
quando ela fecha,
e quando ela abre demais,
retraindo-se na solidão,
ou abrindo-se para a imensidão

Eu também aprendi
a olhar para o outro lado,
o lado que eu não vivi,
mas que eu vejo que precisa
de reparos, amparos, cuidados,
conservado no silêncio
que sempre diz muito de nós

Eu não estou só,
você não está só,
eu vejo sóis em dias de chuva,
quando se chora por nada
eu vejo chuva em sorrisos de sol
quando inunda a felicidade passageira

Eu vejo na soleira da janela
o cuidado que a vida tem comigo
pra me proteger no abrigo
do amor que você não tem ideia que possui,
dois céus gris, fizeram-se, então, azuis

Chefa das chefas

Para Francine Macedo Dias pelas qualidades enquanto Servidora Pública e pelo trabalho primoroso que faz a frente da Diretoria de Gestão de Pessoas do Instituto Federal Fluminense.

Ela é a chefa das chefas,
nossa Diretora,
mas também é aventureira,
motoqueira, mochileira,
que faz trilha,
ela humilha
as inimigas

Tem atitude,
de passo firme,
não agride,
mas não deixa impune

Tem glamour
sabe subir no salto,
ela ri alto,
mas dá bronca baixo,
rainha dos coordenados

Administradora
e competente,
já foi Assistente
agente pagadora,
publicadora de portaria,
concede benefícios
com seu sorriso

Sabe o ponto fraco de todo mundo,
os erros, equívocos dos procedimentos,
lamenta, mas aguenta, e retorna,
pede pra refazer enquanto ela se refaz

É paciente,
pensa na gente,
traz uns mimos e uns salgados
vigia e dá aos cuidados

Toma providências,
tem nossa confiança,
sabe das elegâncias nos óculos

Está sempre bem vestida,
não é vendida, tem princípios,
e por isso faz amigos por todos os lados

Sabe das coisas, se faz de boba
pra ver se estão aprendendo,
compreendo, mas percebo
seus gracejos

É avaliadora generosa,
posta também à prova
pelo desempenho

Empenho bem recebido,
tem compromisso
gestora do mais alto nível

Que estilo!

Está sempre pronta
com a resposta certa,
e se não sabe, estuda
é mestra, e astuta,
mulher de labuta

Fechada com a gente,
não termina o expediente com pendência,
é pura competência

E quem vê até pensa
não ter momentos fracos,
coitados!

Não sabe o peso que vai aos ombros,
e afeta a coluna,
mas ela não se anula,
dá a volta por cima

Ela é a rima do mais nobre rito,
é quase um mito, eu tento imitar, admito!
Não canso de admirar, e reflito
na carreira bonita e merecedora,
mulher de fibra, e compostura.

Está à altura do que possui
sabe que o cargo não a seduz.
São características intrínsecas
da personalidade que sem alarde não rui

A trajetória é brilhante,
chefa retumbante e receptiva,
é protegida e bem querida

E aparenta ser forte,
e por sorte engana os desavisados,
mas o poeta também sabe dos cuidados
e dos medos vedados que quase ninguém vê

Toda mulher no trabalho
sabe dos recados que deve dar por experiência
para ver se cala essa inconsequência mentirosa
do sexo frágil

Mas, na verdade, é na intimidade do lar
que ela chora, reclama e se cobra
pra continuar seguindo o rumo
e mostrando a meio mundo
pra que veio.

Segundo olhar

Pelo seu olhar de soslaio
eu sinto um bocado de curiosa
e bem-vinda candura,
ainda que não seja a mais
doce das criaturas

Pelo seu olhar tão calmo
e tão distante ao mesmo tempo,
percebo que busca algo,
alimento

O seu relógio parece parado,
se eu não estiver errado,
isso é um raso rio, um raio
desesperado

Contratempo que não me engana,
você investiga a minha calma
de sábio

Eu entendo que a vida não pede ensaio,
e meu caro, o tempo certo a gente tem,
e digo além: Só o tempo mostra o tempo
que o tempo tem.

Não adianta vasculhar com os olhos
o que só a experiência de vida enxerga,
depois de muitos altos e baixos,
nem que se queira, o tempo não fecha

Expoente de demandas

E se os meus olhos pedirem, eu choro
e se os meus lábios pedirem, eu rio
e se a angústia me pedir, eu aquieto
e se o tempo me pedir, eu observo
e se o mar me pedir, eu entro
e se o momento me pedir, eu digo
e se o silêncio me pedir, eu falo
e se o mundo me pedir, encaro
se o outro me pedir, dou a mão
e se desfizer a junção, agarro
e enquanto todos têm aversão, eu amparo
e se a esperança me faltar, eu falho
e se viver fosse fácil, eu não toparia
e se a ironia rir de mim, eu creio
e quando não acredito, me conheço
e quando você vier até mim, me exponho
e digo além de tudo, não me oponho
a ser o espelho do ser,
do ser humano,
do ser eu,
eu exposto

Dê versão

E de verões e de versões e diversões, eu achei você.
E antes das razões, mil reações não completam os nãos que eu deixei de dizer.
Porque é de muitas informações, e de algumas afirmações que eu desejei fazer
com que o mundo se dividisse em opiniões antes de mim,
depois de você