Ao público

Eu sou servidor público prematuro.
Aos sete meses, já compartilhava a convivência pública incubadora
do público feminino, já solicitava o alimento materno alheio, de quem ama.

Durante toda a formação fundamental, contava com professoras para me locomover,
não há de se comover
Aos dezesseis, vida dedicada aos jovens e adultos, como eu, apesar de novo.

De novo, o retorno ao hospital:
mães que dormiam na recepção, e me ofereciam o primeiro bom dia,
dia nem sempre bom, com filha na UTI.

Ao telefone, logo depois, serviço público que iluminava,
contribuinte que se revoltava com a oferta precária da terceirização,
da pequena equipe que cuidava de grande extensão…
de uma vida que perdeu sua extensão em acidente

Serviço público aos deficientes como eu,
sem representação, Conselho falido
ainda que oficialmente Servidor

Fiz em Educação profissional pelo Trabalho, e Renda
acreditei na esperança do conhecimento e acendi esperança,
ascendi ao espaço Federal certo de mais uma passagem,
minha história: terceira margem do rio
transcendi.

Sirvo à vida,
poesia, sorvida

Habilidade com palavras

Para Ana Poltronieri pelos seus 50 anos de vida – Professora do curso de Licenciatura em Letras/Literaturas do Instituto Federal Fluminense – Entre a pausa do quarto semestre para conclusão de Administração/EaD

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E a gente trocou a sala de aula pelos corredores,
pelas presenças em eventos, pelo olá rapidinho,
trocamos a convivência diária futura
por breves encontros corriqueiros

Um poema aqui, um verso lá
a gente se conhece e se descobre
quase sem se falar

Virtual só pra quem não sente o que a gente compreende:
que o dia a dia é de fato aniversariante porque na etimologia
é o que se repete todos os anos, mas esse dia é diferente pra você…

Entre os riscos e a beleza do cotidiano,
todos nós ficamos, um dia, cansados dos desenganos
e, como saída, o poema: Sempre nos conectando…

Bem-aventurada seja sempre cada nova estrofe, sua quinta.
Felicidade sempre desde o verso zero, ainda virão nove antes de mudar:
Assim a é vida retratada, tão breve, tão ligeira
ainda a ser aproveitada…

Não há de ser mera impressão
se a sua sensibilidade encontrar com a minha
na contramão

Mais perto de uma nova vida do que da morte,
cabe ao poema eternizá-la por pura sorte
porque não traduz nem o mínimo da relação humana…

Pra quem pensava que eu conhecia pouco
pra quem lê e pra quem escreve:
habilidade com palavras, charada:

(Si[lê]n[cio)na]
[ins(e)screve]
(mono)grafia
de inúmeras teses

Apaixonado

Um caso de amor
fora dos planos,
inesperado…
desenganos já não fazem sentido
rememorar

Há de aquietar ao menos
o que não dá pra esquecer,
as feridas abertas começaram
a cicatrizar devagar

Você se aconchegou no meu caminho,
devagarzinho foi se acomodando,
incomodando a tristeza que fez morada
e sempre me acompanhou desde sempre

A mente tem mudado, é outro estado,
outro lado do pensamento, outra face
do espírito, outra fase, novo amigo,
recém apaixonado, aficionado,
o mais novo apaixonado.

Bem, paixão

Meu bem
segredo não é
meu bem
não escondo
só vê
quem não quer
meu bem
que a paixão
chegou para
o meu bem
sei tudo
feito para
amar, tudo pronto
amor, o pranto
não vem assim,
escorre feliz
meu bem
antes eu fosse
seu, raíz
antes de florir
brotou
meu bem
breve meu bem
bem breve, vem

Mãos cruzadas

Se o meu carinho for uma alternativa,
se o meu carinho se juntar ao seu,
se ambos forem uma saída linda,
se, então, não será conjunção,
sem dúvida

Será, antes, com a junção das minhas dúvidas,
será, depois, contração das suas interrogações,
será, por hoje, a contradição que acerta
sem procurar um objetivo

Não somos objeto de prazeres, nem troco
para as trocas que a vida fez no destino…
De cada um, somos dois, não sei se
dividiremos o mesmo caminho,
mas, sozinho também já não dá

Eu passeio na sua estrada,
você cruza e visita a minha,
seja de tarde ou de manhãzinha,
sua mão cruzada com a minha…

Braço direito

Estou é com saudade de te escrever
como há algum tempo eu fiz, sem te conhecer.
E interagíamos com respeito e compromisso
mas, agora, com esse poema, o segundo adjetivo
eu não desejo

Por saber da força das palavras
e do estudo que os sintagmas nos mostram
quando criamos um perfil de discurso,
e pensamos nas manobras da palavra,
que nos damos conta da delícia de costurar
o ontem, o hoje e o agora

Entre trocas e mais trocas de e-mail,
entre muitas perguntas e respostas,
todas minuciosamente feitas com carinho e zelo
meu poema hoje junta vários gracejos
para agradecer profundamente o seu apreço
em me ter como parte da equipe,
este, agora e sempre, seu braço direito
e adendo de amigo

Intenção

Você é esse tipo de pessoa que cativa,
e se me cativa, estou cativa, presa em você
porque é merecedor de carinho, de amor
por nossa simpatia imediata e recíproca,
verdadeiramente obra do acaso, do cupido,
do destino, dos astros, seja lá o que for,
se é das estrelas esse envolvimento certeiro…

Você, desse modo, saiba, antes de tudo,
que o desejo humano, banal, imundo
vem em segundo plano… Porque o primeiro,
o meu pioneiro plano… Fica o registro,
antes disso, o compromisso, de bem-querer…

Com a delicadeza que merece, o respeito,
a dignidade da espera, a pausa para a dúvida,
o tempo perfeito para a certeza, meu bem,
quero o que você puder e quiser, e ainda…
O que tiver, de fato, intenção de viver…

Fora de tudo

Vamos lá,
sendo bem sincero,
será que cabe em nós
o espontâneo compromisso
do bem-querer?

Será que dá pra dizer
que a gente não força nada,
só se curte, só se vive,
só se encontra
sem se encontrar só?

Será que a gente pode
confessar a alegria
que instala mansa e serena
nas nossas vidas tão corridas
com objetivo de sermos grandes,
embora tão pequenos?

Será que a gente precisa
do contrato social que
estrangula os laços
com prazos pré-determinados
de saturação?

Será que, vamos lá, basta simples,
banais conversas entre dois amigos,
generosidade de não viver buscando
o vício da carne, nem ter outros planos

Vamos lá, será que acaba aqui
um momento de alegria completa,
aquela que não se aquieta em nossos peitos,
que se vale da lembrança pra repetir o feito
constantemente o constrangimento de se perceber
fora do contexto, fora da malícia, fora do mundo,
fora de tudo que não seja os segundos nossos…

Olhar em festa

Seu olhar pra mim fez festa
quando eu passei e não disse nada,
seu olhar pra mim fez festa
quando meu sorriso labial
encontrou com o sorriso nos seus olhos,
seu olhar pra mim fez festa

Seu olhar pra mim fez festa
porque, sem intenção nenhuma,
eu gosto da sua presença,
eu me sinto bem na sua energia,
mesmo sabendo que o seu olhar,
ah, o seu olhar pra mim faz festa,
mas eu não o tenho, não o aprisiono
em pronome possessivo

Seu olhar merece a liberdade
que a sua alma exige,
cansada de sofrer,
decidiu viver diferente alegre
fazendo festa pro olhar triste
da gente

Pergunta?

Seu amor por outra pessoa
é ato desprendido de rancor,
também não lhe digo que estou satisfeito,
mas também não me causa dissabor

Sei que os loucos apaixonados me dirão fortemente
que eu não me importo com meu próprio sentimento,
podem até me acusar de falso, lunático,
mas eu sei o quanto me sinto roubado
mesmo sem causa aparente

Ora, fui eu quem omiti os fatos,
o que viam na minha cara, na minha frente,
podia estar apaixonado, estampado na testa,
mas a minha boca não abriu uma fresta
para declarar uma paixão de quimera…

Sei que acreditei e fui convidado,
comovido pela esperança de agora, e de fato,
ter achado quem mexesse com as minhas heranças

De muitos nãos ouvidos, de tantas frustrações,
de tantas acusações sem sentido, poucas realizações,
agora que pareço convencido e convicto do sim
quase certeiro… Preferi calar a minha alma
e me dar um não primeiro….

Que aí eu não corria o risco da dor que dói demais,
que machuca e incomoda por tantos dias a mais
e então, depois de muito tempo eu soube,
ser do seu desejo ouvir minha pergunta…

Fiquei sem resposta por eu ter me precipitado
numa resposta própria, imatura… Você calado
à minha porta, será que me censura?

– Sou eu quem quer indagar a quem vivia questionando…
O discurso então trocou de papel, e eu acabei respondendo:
– Aceito essa segunda chance tão repentina, tão inesperada…

Depois de quantas interrogações se espera um ponto final?

Poesia de força

Eu não estou nas suas rodas de amizade,
eu não frequento os meios aos quais você faz parte,
e até acho que me fechei num mundo particular,
com receio de encarar a realidade

Eu observo tudo de longe e meio distante,
não me declaro totalmente e não me proponho,
mas peço desculpa por tamanha covardia,
talvez eu não esteja pronto, ainda
quem sabe quando estarei…

Sinto brevemente que a minha mente,
tentada a me iludir, me convence…
De que essa paixão por você é
psicologicamente linda e maravilhosa,
mas o presente não cabe na palma da mão,
não é essa a hora

Sinto rapidamente que meu coração acelera,
mas como pode ser, quem dera…
Se isso fosse de fato verdade,
se o meu mundo encontrasse com o seu,
apesar das diferenças

O desabafo, me desculpe, não é culpa sua,
tenho que tentar quebrar as minhas próprias barreiras,
os meus próprios cadeados, ah, eu preciso destrancar
o meu coração já não aguenta, já não suporta
ficar trancafiado nessa poesia de força,
louco e perturbado, sobrevivendo de um imaginário,
uma fábula de amigos íntimos sem intimidade…

Indaga ações

Será que o meu coração invocou que te ama?
Será que ele sabe o que é amor?
Será que apenas se identificou?
Será que você vai ler meu poema tão tarde?
Será que tantas perguntas são normais?
Será que você pensa em mim enquanto se diverte?
Ou será que eu só sou um cara a mais?
Será que você me olha com olhares masculinos?
Ou só sou um querido amigo, sem malícia?
Será que eu não quero forçar a barra?
Será que você aceita a minha vida toda bagunçada?
Será que dura ou vai ser desfeito no começo?
Será que o nosso romance tem apreço?
Será que você me acompanha para além do beijo?
Ou será que nem a minha carne desperta desejo?
Será que você poderia me dar uma chance?
Ou será que isso é só um lance da minha cabeça?
Será que a esperança está tão desesperada?
Ou será que eu devo guardar mesmo a sua foto como lembrança?
Será que a mente humana pode se conectar
com outra mente humana?
De modo a se alinhar planetas, o cosmos, a alma?
Será que você vai deixar eu experimentar?
Será que eu preciso formalizar?
Será que você entende que as minhas perguntas não são dúvidas?
Será, será, será?
Que eu vou ter que dizer
eu amo você?
De novo?
de novo?
de novo?
e mais?
mais?
mais?
um pouco?

Nunca vingou

Você confunde as minhas paixões
e me deixa a dúvida mais difícil,
aquela que mexe com o íntimo
e embaralha todas as sensações

Pelo poema mais confuso,
você sabe que poetas
são homens do mundo
que manipulam palavras,
camuflam tudo

Tenho que confessar
que já me perdi
já não sei se amo A,
se me encanto por B,
se conquistei C,
se posso dizer
quero você

Desculpa a minha dúvida,
só os poetas podem suportar
tantos desvios de conduta,
mas não tente entender
os amores dos letrados
são um caso raro,
outro lado, outra face do amor
que ninguém nunca viu,
mas também nunca vingou

Para Iago Reis

Digno de sorte

Por isso vale perder noites de sono,
não só pelo fato do poema construído
pela memória que vem me consumindo,
pelo que eu descubro de mim em silêncio
quase que reflexivo, ioga do espírito

Por isso vale a pena perder noites,
porque eu sinto meu corpo transcender
os meus próprios planos, sinto a matéria,
o corpo se elevando, eu me esquivando
da verdade do sonho que vejo em frente.

Sinto por você paixão crescente,
alucinante, delirando, naquilo,
você é tudo aquilo que eu venho sonhando
e agora está diante de mim, mesmo que distante

Mesmo que seu corpo e sua mente estejam viajando,
seu corpo é real e tocante, é próximo, material vibrante,
você existente quebrou meu coração resistente
para um novo momento-poema, antes eu era digno de pena
hoje sou digno de sorte.

Carinhos

Estou querendo o seu carinho,
não digo nem seu beijo,
pode ser um sorriso,
pode ser um gracejo

Não precisa ser um abraço,
eu sei que dois homens sentem medo,
do afeto mais próximo e do contato,
mas não conseguem reprimir nenhum desejo

Pode ser o seu olhar pesquisando descontraído,
pode ser a mordida no lábio, verdadeiro sinal divino,
pode ser o seu passo, bem mais retraído
só pra me ver passar, só pra me saber acolhido

Não precisa ser nada aos outros demonstrado,
entre a gente, pode ser o escondido,
pode ser o calor velado nas maçãs do rosto,
pode ser o caminho colorido

Não precisa estampar tão abertamente no frio,
que eu sei, a carência também nos causa arrepio,
mas o calor da alma é tamanha, tão grande o sonho,
o sonho do momento mágico e sublime,
eu sei que você sonha o que eu sonho contigo

O carinho que não se conta, o querer mais querido,
o meu prazer vem à tona, chamar você mais do que de amigo.

Boatos

Há boatos de que você se encontrou
com aquela pessoa que você não sabe que eu gosto,
mas essa pessoa já tem ciência da minha paixão,
mas não sei se ela te confessou que – talvez –
sinta o mesmo por mim, e não me disse claramente

Há boatos de alguma coisa desconhecida da minha parte,
que machuca o coração dessa pessoa que os ares confudem
e cruzam nas nossas amizades… deve ser por isso,
além de outras coisas mais, que a gente não se encara de frente,
precisando do intermédio da paixão da gente, que perde força,
mas – de vez em quando – pede força.

Mais gostoso

Se eu estiver chegando perto do que você deseja,
mande um sinal à caneta esferográfica preta
pra que o esforço seja maior se eu quiser apagar
a sua letra da minha cabeça

Se eu estiver tocando nos seus sonhos,
por favor, perdoe, não é intencional
como eu achei que fosse…
Tudo é mais natural, mais tranquilo,
algo novo…

Que eu não sei explicar, e por isso novo poema, novo!
pra ver se você pode, de quebra, me inspirar
a outra enorme centena de versos livres e soltos,
como tem sido o meu ato de amor louco, desesperado
e insensato, mas gostoso…

Luz

Eu espero que você me ache
nessas turbulências sentimentais,
eu espero que você me encontre
quando eu mesmo já me perdi

Já não sei mais o que eu quero,
eu espero… que você me mostre…
Direção, encontra a minha mão,
agora;

Já não sei quando estou bem,
qual é o meu desejo e o meu ideal.
Já perdi todos os parâmetros do que é normal

Luz

Mostra o caminho certo
ou o mais ou menos,
me leva pra estrada
que eu já não sei demais nada,
já não sei de nada mais

Só que encontrei você…
De repente, um presente…

Cante

Se você pudesse ler um poema que eu fiz,
ouvir a minha canção preferida,
me indicar um filme bom,
se você pudesse me dar um quadro,
estaria na minha parede
a memória do seu presente

Se você pudesse conversar comigo
assim, um pouco mais perto,
mesmo que nós dois não tivéssemos tempo…

Se você pudesse ser um pouco mais claro,
ainda que o seu mistério me encante,
eu sei que todos os seus dons têm se aflorado,
mas eu espero que você tente um último talento
e me cante…

Com sinceridade…

Não acreditem em poetas, eu admito e recomendo,
somos o verso da pior espécie,
a estrofe que não vale nada,
e mentimos.

Mentimos muito.
Na verdade, sofremos algum distúrbio,
talvez, melhor ainda, sofremos algum transtorno,
alguns pra ser sincero, moda desse século

Temos a sensação de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo,
poligamia das palavras polissêmicas,
não acreditem nas palavras de um poeta

O poema, esse instrumento ordinário da palavra,
tem a força da argumentação mais doce e delicada,
mas, depois não se julgue ludibriada,
falta de aviso não é

Realmente somos profundos e intensos,
mas, a qualquer momento trocamos de foco,
os nossos olhos partem para outro,
pensam em outro, respiram pele nova

E o ciclo recomeça deixando corações partidos,
e um vazio no peito de cada um de nós,
e dos dois lados, ainda continuamos sós
tentando nos unir na ilusão do discurso

Reconsiderando

Nas conversas com terceiros,
o meu desejo de segundo plano
era ter você no meu quarto,
ainda que eu soubesse de seu amor,
do seu apreço por qualquer tipinho de quinta…
Tudo dito numa sexta por sétima língua desinformada…
Quando você já era o oitavo sono,
não esperava um nono e novo desejo…
Agora um décimo do seu beijo,
um décimo de seu carinho, te traz de volta
a condição de primeiro

Estrofe

Leve
me sinto leve
se entregue
me pegue
ergue
me leve
não seja
breve
me bebe
me preserve
sossegue
orquestre
me ame
me chame
me engane
sobreponha-se
homem por homem,
consome
seu nome
sonhe-me
realize-me
compaixone-se
queime e
e, e, e,
exponha-se
com champanhe
me acompanhe
aprisiona-me…
poema eterno
de uma estrofe
sufoque-me
põe-se
poeme-se

Parte do eu

Eu sei que os meus poemas
andam cada vez mais tímidos,
andam cada vez mais raros,
retraídos

Eu sei que o cotidiano
nem sempre gera poesia,
não dessa que eu gosto,
da poesia bendita

Que fale bem do próximo,
que cultive boas energias,
que cative você, sem fantasia

Eu quero o poema real,
o sincero e tangível,
eu quero que você se veja nele,
e aceite a calmaria

Como eu aceito essas suas novidades,
como eu aceito essa sua espontaneidade,
essa sua boa vontade de me trazer alegria,
essa sua boa conduta sempre tão progressista

Eu quero realmente é essa energia franca,
eu quero verdadeiramente por perto a união,
eu quero a soma da sua mão junto da minha,
essa singela poesia é bela pelo não dito ainda

Você, sem qualquer malabares, sem nenhuma estripulia,
conquista a parte de um eu que eu mesmo não conhecia,
você, tão normal e tão humano, sabe invadir meus meandros,
sem e de forma alguma, e nem um tanto, invadir-me

Obrigado

Meio a meio

Enquanto você namora
eu sou outra história,
mas se o romance vai pra escanteio,
eu sou seu amigo do peito

Se o relacionamento é perfeito,
não me procura; mas, se entra em conflito,
sou o amigo que tira o perigo da depressão

Se reata, viro de novo sucata da contradição,
nos revezes da vida, estou lá em cima,
mas se não precisa, estou só na solidão

Enquanto sou consolo, tudo bem,
mas se eu precisar de socorro…
Sou o tempo que não existe,
você, apaixonado, vivendo de encantos…
Eu pelos cantos, esperando sua recaída,
pra quem sabe, na saída, você me dê a mão

Ombro amigo só para os problemas seus,
se forem meus… nada de mão amiga,
a paixão cuida de você, e eu, cadê,
nem compaixão…