Luz

Eu espero que você me ache
nessas turbulências sentimentais,
eu espero que você me encontre
quando eu mesmo já me perdi

Já não sei mais o que eu quero,
eu espero… que você me mostre…
Direção, encontra a minha mão,
agora;

Já não sei quando estou bem,
qual é o meu desejo e o meu ideal.
Já perdi todos os parâmetros do que é normal

Luz

Mostra o caminho certo
ou o mais ou menos,
me leva pra estrada
que eu já não sei demais nada,
já não sei de nada mais

Só que encontrei você…
De repente, um presente…

Cante

Se você pudesse ler um poema que eu fiz,
ouvir a minha canção preferida,
me indicar um filme bom,
se você pudesse me dar um quadro,
estaria na minha parede
a memória do seu presente

Se você pudesse conversar comigo
assim, um pouco mais perto,
mesmo que nós dois não tivéssemos tempo…

Se você pudesse ser um pouco mais claro,
ainda que o seu mistério me encante,
eu sei que todos os seus dons têm se aflorado,
mas eu espero que você tente um último talento
e me cante…

Com sinceridade…

Não acreditem em poetas, eu admito e recomendo,
somos o verso da pior espécie,
a estrofe que não vale nada,
e mentimos.

Mentimos muito.
Na verdade, sofremos algum distúrbio,
talvez, melhor ainda, sofremos algum transtorno,
alguns pra ser sincero, moda desse século

Temos a sensação de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo,
poligamia das palavras polissêmicas,
não acreditem nas palavras de um poeta

O poema, esse instrumento ordinário da palavra,
tem a força da argumentação mais doce e delicada,
mas, depois não se julgue ludibriada,
falta de aviso não é

Realmente somos profundos e intensos,
mas, a qualquer momento trocamos de foco,
os nossos olhos partem para outro,
pensam em outro, respiram pele nova

E o ciclo recomeça deixando corações partidos,
e um vazio no peito de cada um de nós,
e dos dois lados, ainda continuamos sós
tentando nos unir na ilusão do discurso

Reconsiderando

Nas conversas com terceiros,
o meu desejo de segundo plano
era ter você no meu quarto,
ainda que eu soubesse de seu amor,
do seu apreço por qualquer tipinho de quinta…
Tudo dito numa sexta por sétima língua desinformada…
Quando você já era o oitavo sono,
não esperava um nono e novo desejo…
Agora um décimo do seu beijo,
um décimo de seu carinho, te traz de volta
a condição de primeiro

Gráficos

O amor é uma constante
Deve ser retilínea, não uniforme,
Mas a visto de corpo e alma,
Não alego a falta de sorte,
Nem no amor, nem nos números
Como forma autoimune da solidão

Sei que as coisas precisam mudar,
preciso viver e olhar,
enxergar por terceira dimensão…

Ainda há tempo para aprender,
Desvendar o que a matemática esconde,
de longe, me render ao amor

Porque no jogo não venço,
No amor não me aqueço,
Seu beijo não tenho, não compro
Apreço

O desejo de bem-querer fala mais alto
por um minuto descobri onde errei

Não é insistindo que convenço,
Atitudes precisam de novos rumos,
Tenho que me fazer te merecer,
Vise-versa

Para saber se o revés da paixão se anula,
nova conduta deve zerar velhas posturas,
simplificando o coração

Insisto: por que não?
Se entendo que de grave não há nenhum gráfico que me aponte,
Que o sobe e desce do nosso compromisso
– comprovado, um perigo –
não tem explicação

Estrofe

Leve
me sinto leve
se entregue
me pegue
ergue
me leve
não seja
breve
me bebe
me preserve
sossegue
orquestre
me ame
me chame
me engane
sobreponha-se
homem por homem,
consome
seu nome
sonhe-me
realize-me
compaixone-se
queime e
e, e, e,
exponha-se
com champanhe
me acompanhe
aprisiona-me…
poema eterno
de uma estrofe
sufoque-me
põe-se
poeme-se

Parte do eu

Eu sei que os meus poemas
andam cada vez mais tímidos,
andam cada vez mais raros,
retraídos

Eu sei que o cotidiano
nem sempre gera poesia,
não dessa que eu gosto,
da poesia bendita

Que fale bem do próximo,
que cultive boas energias,
que cative você, sem fantasia

Eu quero o poema real,
o sincero e tangível,
eu quero que você se veja nele,
e aceite a calmaria

Como eu aceito essas suas novidades,
como eu aceito essa sua espontaneidade,
essa sua boa vontade de me trazer alegria,
essa sua boa conduta sempre tão progressista

Eu quero realmente é essa energia franca,
eu quero verdadeiramente por perto a união,
eu quero a soma da sua mão junto da minha,
essa singela poesia é bela pelo não dito ainda

Você, sem qualquer malabares, sem nenhuma estripulia,
conquista a parte de um eu que eu mesmo não conhecia,
você, tão normal e tão humano, sabe invadir meus meandros,
sem e de forma alguma, e nem um tanto, invadir-me

Obrigado

Homem afetivo

Não é seu sexo que eu quero
Não é o alimento da carne
Não é o fetiche dos homens
Nem é aquilo que consome
Nem é aquilo que aprisiona
Nem quero saber da cama

Quero de você o riso encabulado
Quero de você o sorriso abafado
Quero a alegria contida, encanto
Quero o brilho nos olhos, sonho
Quero aquilo que espera liberdade

Por nós dois, quero o não vivido
No plural ser seu não sendo
Nas nossas singularidades,
Quero o momento!

O que a gente não quer descobrir só
Eu quero ainda o mais temeroso
O que pode ser perigoso
Desvendar unidos
Retirar as vendas do amor que não será nunca vendido

Eu quero que você aceite
O convite que sufoca agora
O presente que paralisa
O nó na garganta que agita o coração
Por que não, afeto?

Homem afetivo
Homoafetivo

Amor ao ser humano

Meus irmãos,
vamos seguir em frente
porque há muito o que fazer,
há tantos a ajudar,
não podemos perder tempo

Temos, mais uma vez,
que insistir no estado de graça,
na paz entre os homens,
é o que mundo pede

Um momento de tolerância,
um pouquinho por dia,
o exercício da convivência,
o minuto da vida sadia,
eu peço a cada um de vocês

Ele é apenas o meu intermédio,
meu material de comunicação,
o bem que quero a ele,
meu interlocutor,
quero a vocês também,
companheiros…

Compulsividade de paz,
canal do amor,
estejam sempre disponíveis,
é isso que nós queremos

A porta entre os mundos se abriu,
transitem entre o aqui e o lá,
venham visitar o seu lar,
o seu ser interior.

Amor por todos,
isso expande,
isso nos une,
isso nos comove,
nos consome,
impulsiona!

Saiam da zona do tédio,
saiam da inércia,
movam-se no sentido do progresso,
peço, prego e proclamo,
amor ao ser humano!

Meio a meio

Enquanto você namora
eu sou outra história,
mas se o romance vai pra escanteio,
eu sou seu amigo do peito

Se o relacionamento é perfeito,
não me procura; mas, se entra em conflito,
sou o amigo que tira o perigo da depressão

Se reata, viro de novo sucata da contradição,
nos revezes da vida, estou lá em cima,
mas se não precisa, estou só na solidão

Enquanto sou consolo, tudo bem,
mas se eu precisar de socorro…
Sou o tempo que não existe,
você, apaixonado, vivendo de encantos…
Eu pelos cantos, esperando sua recaída,
pra quem sabe, na saída, você me dê a mão

Ombro amigo só para os problemas seus,
se forem meus… nada de mão amiga,
a paixão cuida de você, e eu, cadê,
nem compaixão…

Aos sensíveis ao espírito

Os sensíveis ao espírito
serão os mais atingidos
pela onda de ódio,
pelo grito dos revoltados,
sucumbidos pela ignorância,
atrevida e alienada

Os sensíveis ao espírito
travarão uma batalha
concorrente aos justiceiros,
aos descabidos

Aos sensíveis ao espírito
muito rigor no cento,
no que for bendito,
terão, então, a cabeça no lugar
os felizes companheiros,
adormecidos

Que espanto para a alma
acordar veementemente,
colocados à prova a honra,
pelos irados incompreendidos

Não se assustem companheiros,
meus irmãos mediúnicos,
esse clima de terror
não é culpa dos imundos

É você, que tomado pelos inoportunos,
cai na armadilha, da negativa,
descaso, e não raro, adentram energias,
aos moribundos

Não tema, companheiro constrangido,
se não entende que esses atos,
no final dos fatos, libertarão, quem sabe,
os mais astutos

Turbulência bem pensada,
de tempos em tempos necessária,
causa primária da evolução

Pelo sim ou pelo não,
aos sensíveis do espírito,
proteção

Moço bonito

Moço bonito
de outros caminhos,
de outros ritos,
de outros rumos,
moço bonito
o que tem ego,
o que tem estima,
alta rima que mereces,
ó, moço bonito
que sabes o que tens,
e o que não tens,
teus fracos pontos fortes,
para ti os holofotes,
a atenção firme,
vives, moço bonito,
bem dito encontro,
bendita rima própria,
impróprio, paro aqui;
o primeiro poema que mereces

Indolor

Investida
insistente
do amor

Não sacia a sede
e não, não cede
às regalias

Inibida
não sou mais,
falo de desejo

Daquilo que desejo,
disperto e incendeio
por baixo dos meus devaneios

Sou confusa, mas competente
tenho a alma leve sem pressa,
nada me impede o ardor

Confesso o dissabor
do amargo fato, afago
que não vingou

Vingativa
investida
insistente

Aquela que sente,
mas comporta,
comporta-se
como se nada ocorresse

Cede ao que vigorou,
o desejo transbordado,
quase irado, idolor

O apanhador de conchas

Ele anda sem rumo,
mas parece saber por onde ir,
o caminho pode até ser escuro,
mas o trajeto é parte de si

Caminha, antes de tudo,
primeiro por dentro,
menino do interior,
viaja em seu íntimo,
um passo é ínfimo,
precisa de luz

Mantem leve gracejo no rosto,
sorriso que dilui, sabe que,
apesar de tudo, um desejo o conduz

Coleciona ainda a brincadeira de criança
que um dia eu também fui….
Hoje, um quase adulto, também apanha,
uma dor que não flui…

Mesmo que sob o sol apronte,
aponte uma nova companhia,
guarda na caixa o presente
que a natureza fez, um dia…

Primeiro leva à mão,
delicadeza quebrante,
maneja num instante
a preciosidade, à luz

Veja só que alegria
esse dia que vai…
É manhã, tarde, à noite
é falta de sorte?

Melancolia que acolhe,
a graça que socorre,
um recomeço sufoque
e aguarde

A sutileza que comove,
resiste por muito tempo,
adereço tão pequeno,
como você, meu pequeno,
enfeita, mas não distorce

Que se assim tentar, quebra,
mas, sabendo cuidar, quem dera…
Uma porção de carinho
apanha devagarinho

Não fica concha sobre concha
igual criança depois da buscativa,
alegre pela acolhida, sorriso que descobre
quando não queria um dia sequer saber de conchas do mar

Agora ri,
agora ama,
agora rimar…

Prezar

Devolvi
a grosseria
com carinho

Insisti
no abraço
primeiro

Resisti
à rispidez
com aconhego

Reconheço
que não é fácil
desenvolver apreço

Apelo
para quem castiga,
consciência na vida

Palavra que escapolhe,
maldita e pesada,
em contrapartida…

Afago,
nada de devolver
tapa na cara

Violência é coisa primária,
antes do animal, é canalha,
coisa do homem que pensa

Que pensa
que pensa,
prezar

Meus pesâmes
pro seu desprazer
que não sabe amar

Sintoniza

Pra você flores
porque merece o aroma
revigorante da vida

Pra você o carinho,
delicadeza na medida,
obra-prima da natureza

Pra você a beleza,
riqueza gentil, generosa,
revigora, ameniza

Pra você o gracejo,
a gorjeta sem jeito,
um beijo de amigo

Pra você um poema antigo
que mora comigo há algum tempo,
aquele que brota quando a mente…

Sintoniza, duas pétalas de energia,
quem te quer, bem te quero, bem me queira,
festeja, escolha certeira da alma…

Casual

Faz tempo que não escrevo,
acho que eu não as mereço,
– as palavras mais, digo –
Mas por você o poema inédito
tem o desejo e o apreço
de me convocar uma vez mais

Como quem é perito em casos especiais,
o poema é missão complexa, descrevo:
De vez em quando há missões excepcionais,
desvendo você, mas me desconheço

Da audácia de te tornar imortal,
um carinho incrédulo tem meus versos,
as palavras deixaram de ser banais,
agora tem outro peso

Já não me cabe mais divagações,
nem alucinações, ou fingimento,
as palavras cada vez mais, originais,
precisam ser reais e convincentes

Quem sabe assim o diferente
seja regular, e ainda melhor,
frequentemente, alegrias casuais,
casais que se descobrem com o tempo

Aurora boreal

Tua história de vida
tão corrida, linda
bem vivida, valiosa
como aurora boreal,
fenômeno natural

Depois de longos dias,
a magia da sua natureza
não deixa a essência ir..
com a alegria que permite
a primeira impressão de encantamento

Sei que dois corações abertos
ainda têm muito que compartilhar,
mas não é disputa, é um ideal
que uniu duas vidas ao acaso, ao banal,
dividindo a mesma sina, a mesma rima ancestral

A raridade dos nossos polos convergidos
hoje te chamo de amigo, você deixou vestígios…
o céu é nosso abrigo, mesmo distante
consoante que se junta à vogal…
pra recriar o firmamento…

Reconhecimento

Eu te amo de novo um pouco a cada dia
porque amar de uma vez só desgasta,
causa nostalgia, saudade do amor que foi um dia

Com você não, meu amigo, nada disso;
amo de novo, recordo do encanto,
ser seu manto de carinho,
preenchimento de um vazio…

Recorro ao começo, relembro do princípio,
como é rico encontrar alguém que muda nosso destino,
capaz de me dar um dia marcante, data importante
divisão antes e depois

Sei que não cabe o medo de perder,
mas é sempre bom reviver, sentimento,
o sublime momento de encontrar na sua alma
aconchego que acalma, combina com o meu ser…

Por você eu amo novamente, fico contente sempre,
meu carinho se renova, como se a gente pudesse de fato
se (re)conhecer, eu me reconheço em você, e por isso,
provoco o riso e o contentamento permanente de contigo conviver…

Terceira dimensão

Do ponto de vista da amizade
você é afável e crítico na medida,
sem bajular e sangrar o ego
pelas intimidades que confesso

Do ponto de vista do homem,
você é viril sem punição,
sabe dosar os carinhos de antemão,
promove o delírio incontrolável,
amante verdadeiro

Do ponto de vista do companheiro,
sabe bem quando precisa o silêncio,
a mão apertada no sofrimento,
as minhas necessidades não ditas

Ah, do ponto de vista da paixão,
você é quase perfeito, e por que não?
Se o afeto exagerado foi feito para me prender

Ah, do ponto, daquele louco momento
em que fui vencido, perdi ganhando
o norte e o sul, vivendo…
leste, oeste, algo diferente
ponto cardeal do coração

Sábio de múltiplos olhares,
do ponto de vista de uma nova dimensão,
conhece o mantra certo, invocação
daquilo que a gente veste no íntimo,
o talismã escondido em algum ponto,
pronto para as lutas internas do amor

Lado a lado

Meu amor por você
é desse prazer de fechar os olhos,
desse prazer de respirar fundo,
de sentir minha pele delicando-se,
sensibilizando-se

Meu amor por você tem esse requinte
de repensar a vida, os meus planos,
de repensar os meus desejos mais orgânicos,
é dessa qualidade de colocar a razão e a imaginação
em longos anos a frente, coisa para poucos

Meu amor por você é assim,
capaz de ver minha alma
chorando contente sem derramar uma lágrima,
fruto da alegria, da dádiva do engrandecimento

Meu amor por você é desses momentos
que sem fantasia alguma,
minha alma se desnuda sem temor

É o ato do tremor na espinha,
da nova linha, outro rumo
que minha cama preserva, o novo linho,
a fresta, a festa entre camas de solteiro,
causas de casal, o novo travesseiro
lado a lado, agora, cama de casal

Conta-gotas do ego

A vida me ensinou a ser prático
porque ato falho é essa ilusão
que a dúvida gera, esse não-dizer
que fica subentendido

Hoje não comigo, aprendi vivendo
os poetas vão obedecendo o pedido do coração,
e se sou claro com as palavras escritas,
as ditas não ficam na contramão

Honestamente, não vou dizer pra você
que não quis, se tentei e me permiti…
Valor tem, porque quando acontece o inevitável,
não existe meia verdade capaz de despistar

Não importa quem pegou quem
ou quem vai iniciar a roda da paixão,
importa, coração, o quando acontece,
e se acontece, a vida teve razão

Poeta não chora, não sofre por amor,
sabe lidar com alquimia, a pedra que um dia,
você chamou de coração

Poeta não derrama lágrima,
a água se um dia cair
é pra transbordar a represa
capaz de alagar e alargar a poesia
que festeja a transformação

Honestamente, se um dia quiser falar sério,
mistério não há no poema pra quem sabe ler,
pingos de letras que são pra você
conta-gotas do ego

Sub judice

A inspiração me assalta
e me leva tudo, sem protesto,
nem resisto, e me entrego

A palavra já não vive em cárcere privado,
tem a liberdade decretada em semiaberto…
Já estive em segurança máxima,
condicionado a tantos credos

Desde que fui abordado há sete anos,
desde o começo do primeiro poema em dois mil e sete,
eu me disponho a cada novo escrito dar parte do que tenho conseguido,
para o tráfico dos versos incertos

Não compactuo com a violência,
mas se a verossimilhança me der voz de prisão, é o inverso;
fujo com meu poema-rebelião pela pena máxima do coração

E não me cabe punir ninguém, meu bem, não agora,
por enquanto, por agora, durante todos esses anos,
o meliante esteve encoberto desse crime sem pistas,
desse ato lícito quase perfeito,
não me peçam para entregar o cupido,
o culpado desses gracejos

Não me julgue por um nome, por um culpado,
para dar uma condenação,
vou mentir sub judice
e cair assumidamente
em contradição

Sonho de valsa

Estou suspirando por aí,
sem dor e sem peso,
sem fadiga, sem cansaço

Estou suspirando a alegria
muda e contida, porém crescente,
corrente de desejo, ciente do calor,
do beijo que você depositou

Estou suspirando junto com os pássaros,
com as flores que desabrocharam aliviadas,
alguém passou a amar, mesmo que um momento

Pequeno, o som do romântico é qualquer um
que fale de dois, sem fechar a história,
deixando sugerida a hora de voar o pensamento
para o além do escrito e do cantado

Canto emudecido e velado, mas a minha alma dança,
alucinada, descobre passos novos da vida que me puxa,
convida para a dança de qualquer hora, até meio-dia
alegria que me consome uma pausa, sonho de valsa

Reamor

E eu te quero tão bem
como você bem me quis um dia,
e sei não foi em vão,
nem a sua partida

Ficou essa saudade bendita,
não abriu ferida, mas felicidade
por cada parte sua capaz de me deixar
com a coragem, a carícia foi dispensada

Pelo seu bem maior, seu progresso,
amor liberto, amor, vai, olha pra trás
de vez em quando, se precisar, ainda…

Fenda de carinho que não se fecha,
minha vida também prossegue a lenda
de ter encontrado alguém interessante,
em outro instante a gente se encontra

Nesse ir e vir de pessoas,
histórias que se cruzam,
nosso elo já foi feito…

Carinho ontem posto
permanece guardado
estou esperando as voltas que a vida dá
para reamar, meu reamor sem remorso