Gráficos

O amor é uma constante
Deve ser retilínea, não uniforme,
Mas a visto de corpo e alma,
Não alego a falta de sorte,
Nem no amor, nem nos números
Como forma autoimune da solidão

Sei que as coisas precisam mudar,
preciso viver e olhar,
enxergar por terceira dimensão…

Ainda há tempo para aprender,
Desvendar o que a matemática esconde,
de longe, me render ao amor

Porque no jogo não venço,
No amor não me aqueço,
Seu beijo não tenho, não compro
Apreço

O desejo de bem-querer fala mais alto
por um minuto descobri onde errei

Não é insistindo que convenço,
Atitudes precisam de novos rumos,
Tenho que me fazer te merecer,
Vise-versa

Para saber se o revés da paixão se anula,
nova conduta deve zerar velhas posturas,
simplificando o coração

Insisto: por que não?
Se entendo que de grave não há nenhum gráfico que me aponte,
Que o sobe e desce do nosso compromisso
– comprovado, um perigo –
não tem explicação

Estrofe

Leve
me sinto leve
se entregue
me pegue
ergue
me leve
não seja
breve
me bebe
me preserve
sossegue
orquestre
me ame
me chame
me engane
sobreponha-se
homem por homem,
consome
seu nome
sonhe-me
realize-me
compaixone-se
queime e
e, e, e,
exponha-se
com champanhe
me acompanhe
aprisiona-me…
poema eterno
de uma estrofe
sufoque-me
põe-se
poeme-se

Parte do eu

Eu sei que os meus poemas
andam cada vez mais tímidos,
andam cada vez mais raros,
retraídos

Eu sei que o cotidiano
nem sempre gera poesia,
não dessa que eu gosto,
da poesia bendita

Que fale bem do próximo,
que cultive boas energias,
que cative você, sem fantasia

Eu quero o poema real,
o sincero e tangível,
eu quero que você se veja nele,
e aceite a calmaria

Como eu aceito essas suas novidades,
como eu aceito essa sua espontaneidade,
essa sua boa vontade de me trazer alegria,
essa sua boa conduta sempre tão progressista

Eu quero realmente é essa energia franca,
eu quero verdadeiramente por perto a união,
eu quero a soma da sua mão junto da minha,
essa singela poesia é bela pelo não dito ainda

Você, sem qualquer malabares, sem nenhuma estripulia,
conquista a parte de um eu que eu mesmo não conhecia,
você, tão normal e tão humano, sabe invadir meus meandros,
sem e de forma alguma, e nem um tanto, invadir-me

Obrigado

Segunda impressão

Quem não me conhece
não me sabe, nem da metade
do que esse corpo passou,
das surpresas que a vida pegou,
julga sem saber, sem sentido
por me acharem sério e aborrecido…

O corpo reage diferente do espírito
que, mesmo maduro, não perdeu o carinho,
a doçura, nem o prestígio da companhia;
não jogou fora o dom da alegria,
a vontade de amar, a preocupação,
nem o apreço, o peso do íntimo

Quem não me conhece
não me sabe, não me percebe,
e eu, eu não peço a prece,
nem quero que você mude,
vou deixar você impune
de ter me visto, não culpo,
não, não, não…. Primeira impressão!

A segunda, a retificadora,
só pra quem merece, só pra quem sabe,
olhar os outros e ver pelo coração….

Homem afetivo

Não é seu sexo que eu quero
Não é o alimento da carne
Não é o fetiche dos homens
Nem é aquilo que consome
Nem é aquilo que aprisiona
Nem quero saber da cama

Quero de você o riso encabulado
Quero de você o sorriso abafado
Quero a alegria contida, encanto
Quero o brilho nos olhos, sonho
Quero aquilo que espera liberdade

Por nós dois, quero o não vivido
No plural ser seu não sendo
Nas nossas singularidades,
Quero o momento!

O que a gente não quer descobrir só
Eu quero ainda o mais temeroso
O que pode ser perigoso
Desvendar unidos
Retirar as vendas do amor que não será nunca vendido

Eu quero que você aceite
O convite que sufoca agora
O presente que paralisa
O nó na garganta que agita o coração
Por que não, afeto?

Homem afetivo
Homoafetivo

Amor ao ser humano

Meus irmãos,
vamos seguir em frente
porque há muito o que fazer,
há tantos a ajudar,
não podemos perder tempo

Temos, mais uma vez,
que insistir no estado de graça,
na paz entre os homens,
é o que mundo pede

Um momento de tolerância,
um pouquinho por dia,
o exercício da convivência,
o minuto da vida sadia,
eu peço a cada um de vocês

Ele é apenas o meu intermédio,
meu material de comunicação,
o bem que quero a ele,
meu interlocutor,
quero a vocês também,
companheiros…

Compulsividade de paz,
canal do amor,
estejam sempre disponíveis,
é isso que nós queremos

A porta entre os mundos se abriu,
transitem entre o aqui e o lá,
venham visitar o seu lar,
o seu ser interior.

Amor por todos,
isso expande,
isso nos une,
isso nos comove,
nos consome,
impulsiona!

Saiam da zona do tédio,
saiam da inércia,
movam-se no sentido do progresso,
peço, prego e proclamo,
amor ao ser humano!

Com alteração

Com muito esforço,
com gosto da luta,
a gente conquista
inimizades sem sentido
pela serena, mas severa conduta
de fazer a coisa certa,
por não abrir as pernas
para as más posturas,
vícios de contradição…

Com muito custo,
a gente entende,
compreende o processo,
mas ensina, com vigor;
que nem tudo a gente muda,
mas algumas coisas merecem alteração, sim…

Meio a meio

Enquanto você namora
eu sou outra história,
mas se o romance vai pra escanteio,
eu sou seu amigo do peito

Se o relacionamento é perfeito,
não me procura; mas, se entra em conflito,
sou o amigo que tira o perigo da depressão

Se reata, viro de novo sucata da contradição,
nos revezes da vida, estou lá em cima,
mas se não precisa, estou só na solidão

Enquanto sou consolo, tudo bem,
mas se eu precisar de socorro…
Sou o tempo que não existe,
você, apaixonado, vivendo de encantos…
Eu pelos cantos, esperando sua recaída,
pra quem sabe, na saída, você me dê a mão

Ombro amigo só para os problemas seus,
se forem meus… nada de mão amiga,
a paixão cuida de você, e eu, cadê,
nem compaixão…

Aos sensíveis ao espírito

Os sensíveis ao espírito
serão os mais atingidos
pela onda de ódio,
pelo grito dos revoltados,
sucumbidos pela ignorância,
atrevida e alienada

Os sensíveis ao espírito
travarão uma batalha
concorrente aos justiceiros,
aos descabidos

Aos sensíveis ao espírito
muito rigor no cento,
no que for bendito,
terão, então, a cabeça no lugar
os felizes companheiros,
adormecidos

Que espanto para a alma
acordar veementemente,
colocados à prova a honra,
pelos irados incompreendidos

Não se assustem companheiros,
meus irmãos mediúnicos,
esse clima de terror
não é culpa dos imundos

É você, que tomado pelos inoportunos,
cai na armadilha, da negativa,
descaso, e não raro, adentram energias,
aos moribundos

Não tema, companheiro constrangido,
se não entende que esses atos,
no final dos fatos, libertarão, quem sabe,
os mais astutos

Turbulência bem pensada,
de tempos em tempos necessária,
causa primária da evolução

Pelo sim ou pelo não,
aos sensíveis do espírito,
proteção

Moço bonito

Moço bonito
de outros caminhos,
de outros ritos,
de outros rumos,
moço bonito
o que tem ego,
o que tem estima,
alta rima que mereces,
ó, moço bonito
que sabes o que tens,
e o que não tens,
teus fracos pontos fortes,
para ti os holofotes,
a atenção firme,
vives, moço bonito,
bem dito encontro,
bendita rima própria,
impróprio, paro aqui;
o primeiro poema que mereces

Indolor

Investida
insistente
do amor

Não sacia a sede
e não, não cede
às regalias

Inibida
não sou mais,
falo de desejo

Daquilo que desejo,
disperto e incendeio
por baixo dos meus devaneios

Sou confusa, mas competente
tenho a alma leve sem pressa,
nada me impede o ardor

Confesso o dissabor
do amargo fato, afago
que não vingou

Vingativa
investida
insistente

Aquela que sente,
mas comporta,
comporta-se
como se nada ocorresse

Cede ao que vigorou,
o desejo transbordado,
quase irado, idolor

Comparsa do poema

Mais feliz
pela poesia
devolvida

Cara é a contrapartida
pede, agita, palavra;
bendita, mas exigente

Mais tarde
requinte
a quinta parte
de um apetite

Sabor repartido,
verso quebrado,
mas não divido

Mais feliz,
feito de energia,
palavra que rasga na medida
a vida

Mais cedo eu disse exigente
hoje, mais tarde,
não domino nem dominado,
fui recompensado

O apanhador de conchas

Ele anda sem rumo,
mas parece saber por onde ir,
o caminho pode até ser escuro,
mas o trajeto é parte de si

Caminha, antes de tudo,
primeiro por dentro,
menino do interior,
viaja em seu íntimo,
um passo é ínfimo,
precisa de luz

Mantem leve gracejo no rosto,
sorriso que dilui, sabe que,
apesar de tudo, um desejo o conduz

Coleciona ainda a brincadeira de criança
que um dia eu também fui….
Hoje, um quase adulto, também apanha,
uma dor que não flui…

Mesmo que sob o sol apronte,
aponte uma nova companhia,
guarda na caixa o presente
que a natureza fez, um dia…

Primeiro leva à mão,
delicadeza quebrante,
maneja num instante
a preciosidade, à luz

Veja só que alegria
esse dia que vai…
É manhã, tarde, à noite
é falta de sorte?

Melancolia que acolhe,
a graça que socorre,
um recomeço sufoque
e aguarde

A sutileza que comove,
resiste por muito tempo,
adereço tão pequeno,
como você, meu pequeno,
enfeita, mas não distorce

Que se assim tentar, quebra,
mas, sabendo cuidar, quem dera…
Uma porção de carinho
apanha devagarinho

Não fica concha sobre concha
igual criança depois da buscativa,
alegre pela acolhida, sorriso que descobre
quando não queria um dia sequer saber de conchas do mar

Agora ri,
agora ama,
agora rimar…

Má indole

Eu nunca te fiz nada
nenhum ato nominal
que desprestigie tua vida,
coisa e tal

Não sei porque me cansas
as tuas miudezas humanas
retrógradas sem esperança

Mas convenhamos que tuas energias,
teus mantras negativos,
castigo que não merecemos

Por pouco ou menos, nunca é demais,
ademais, pedir que se retire,
pois não careço de companhia de má índole

Qualquer mera validade do teu ego
não me inibe, nem te enobrece,
antes da prece protetora,
fecho a porta para o que ainda não me fere

Grand finale

Que eu mantenha viva
a chama da felicidade
porque qualquer problema pra mim
vale menos que a metade

Nada é eterno e doloroso,
o desconforto pode ser prazeroso
se encarado com naturalidade

Bem ou bem, tudo nessa vida muda
transforma e progride,
tolo é quem insiste nos mesmos hábitos,
transforma o ontem no hoje
e o novo hoje, vira um alarde

Sei que pra você eu sempre faço pouco,
bem menos do que eu poderia,
mas antes de ouvir a sua crítica…

Escuta a minha?

O meu passo não é o seu passo,
meu ritmo não é o seu,
se você pensa em dançar comigo,
ajusta a saia justa que você me deu

Dois movimentos sem alegria
de nada valem na harmonia,
não desenvolvem nem o grand finale

A arte da crítica construtiva será sempre bem-vinda
sem falso moralismo ou fantasia, mas também sem crueldade;
porque de falsos juízes a vida está cheia, de dedos em riste,
notas e conceitos, mas quem garante a adrenalina do sangue nas veias…

Não sabe que é o imprevisível que de fato incendeia!

Prezar

Devolvi
a grosseria
com carinho

Insisti
no abraço
primeiro

Resisti
à rispidez
com aconhego

Reconheço
que não é fácil
desenvolver apreço

Apelo
para quem castiga,
consciência na vida

Palavra que escapolhe,
maldita e pesada,
em contrapartida…

Afago,
nada de devolver
tapa na cara

Violência é coisa primária,
antes do animal, é canalha,
coisa do homem que pensa

Que pensa
que pensa,
prezar

Meus pesâmes
pro seu desprazer
que não sabe amar

Sintoniza

Pra você flores
porque merece o aroma
revigorante da vida

Pra você o carinho,
delicadeza na medida,
obra-prima da natureza

Pra você a beleza,
riqueza gentil, generosa,
revigora, ameniza

Pra você o gracejo,
a gorjeta sem jeito,
um beijo de amigo

Pra você um poema antigo
que mora comigo há algum tempo,
aquele que brota quando a mente…

Sintoniza, duas pétalas de energia,
quem te quer, bem te quero, bem me queira,
festeja, escolha certeira da alma…

Casual

Faz tempo que não escrevo,
acho que eu não as mereço,
– as palavras mais, digo –
Mas por você o poema inédito
tem o desejo e o apreço
de me convocar uma vez mais

Como quem é perito em casos especiais,
o poema é missão complexa, descrevo:
De vez em quando há missões excepcionais,
desvendo você, mas me desconheço

Da audácia de te tornar imortal,
um carinho incrédulo tem meus versos,
as palavras deixaram de ser banais,
agora tem outro peso

Já não me cabe mais divagações,
nem alucinações, ou fingimento,
as palavras cada vez mais, originais,
precisam ser reais e convincentes

Quem sabe assim o diferente
seja regular, e ainda melhor,
frequentemente, alegrias casuais,
casais que se descobrem com o tempo

Aurora boreal

Tua história de vida
tão corrida, linda
bem vivida, valiosa
como aurora boreal,
fenômeno natural

Depois de longos dias,
a magia da sua natureza
não deixa a essência ir..
com a alegria que permite
a primeira impressão de encantamento

Sei que dois corações abertos
ainda têm muito que compartilhar,
mas não é disputa, é um ideal
que uniu duas vidas ao acaso, ao banal,
dividindo a mesma sina, a mesma rima ancestral

A raridade dos nossos polos convergidos
hoje te chamo de amigo, você deixou vestígios…
o céu é nosso abrigo, mesmo distante
consoante que se junta à vogal…
pra recriar o firmamento…

Reconhecimento

Eu te amo de novo um pouco a cada dia
porque amar de uma vez só desgasta,
causa nostalgia, saudade do amor que foi um dia

Com você não, meu amigo, nada disso;
amo de novo, recordo do encanto,
ser seu manto de carinho,
preenchimento de um vazio…

Recorro ao começo, relembro do princípio,
como é rico encontrar alguém que muda nosso destino,
capaz de me dar um dia marcante, data importante
divisão antes e depois

Sei que não cabe o medo de perder,
mas é sempre bom reviver, sentimento,
o sublime momento de encontrar na sua alma
aconchego que acalma, combina com o meu ser…

Por você eu amo novamente, fico contente sempre,
meu carinho se renova, como se a gente pudesse de fato
se (re)conhecer, eu me reconheço em você, e por isso,
provoco o riso e o contentamento permanente de contigo conviver…

Terceira dimensão

Do ponto de vista da amizade
você é afável e crítico na medida,
sem bajular e sangrar o ego
pelas intimidades que confesso

Do ponto de vista do homem,
você é viril sem punição,
sabe dosar os carinhos de antemão,
promove o delírio incontrolável,
amante verdadeiro

Do ponto de vista do companheiro,
sabe bem quando precisa o silêncio,
a mão apertada no sofrimento,
as minhas necessidades não ditas

Ah, do ponto de vista da paixão,
você é quase perfeito, e por que não?
Se o afeto exagerado foi feito para me prender

Ah, do ponto, daquele louco momento
em que fui vencido, perdi ganhando
o norte e o sul, vivendo…
leste, oeste, algo diferente
ponto cardeal do coração

Sábio de múltiplos olhares,
do ponto de vista de uma nova dimensão,
conhece o mantra certo, invocação
daquilo que a gente veste no íntimo,
o talismã escondido em algum ponto,
pronto para as lutas internas do amor

Passo pós passo

Um passo novo meu corpo quer pisar,
firme e fiel, determinado,
mas um caminho abençoado e aberto
tem tantas, tantas ramificações

Ah, a estrada da vida tem tantas bifurcações
se uma fechar, ou se eu vier a incomodar,
prefiro outro rumo, sigo adiante,
desviando dos bloqueios imperativos

Se caminho fechado, se tomado por outro,
não brigo pelo mesmo espaço,
fica, fica na sua linha

A minha é um emaranhado de sentidos,
sinto não permitir o rito da discórdia,
sinto não obrigar o jogo para fora da estrada

Não há atalhos em nenhuma via,
mas eu recomeço enquanto você me vê voltando,
vou reconstruindo e recomeçando um novo rumo,
reposicionando os meus planos…

Caminho fechado, você perambulando…

Eu… Sonhando com o novo que vai me convidando
às esquerdas e às direitas a frente,
bem diferente… Um dia após o outro, passo pós passo…

Lado a lado

Meu amor por você
é desse prazer de fechar os olhos,
desse prazer de respirar fundo,
de sentir minha pele delicando-se,
sensibilizando-se

Meu amor por você tem esse requinte
de repensar a vida, os meus planos,
de repensar os meus desejos mais orgânicos,
é dessa qualidade de colocar a razão e a imaginação
em longos anos a frente, coisa para poucos

Meu amor por você é assim,
capaz de ver minha alma
chorando contente sem derramar uma lágrima,
fruto da alegria, da dádiva do engrandecimento

Meu amor por você é desses momentos
que sem fantasia alguma,
minha alma se desnuda sem temor

É o ato do tremor na espinha,
da nova linha, outro rumo
que minha cama preserva, o novo linho,
a fresta, a festa entre camas de solteiro,
causas de casal, o novo travesseiro
lado a lado, agora, cama de casal

Poema calado

Um poema
para a vida,
poema, minha querida,
para a tardia
reserva do ser

Um poema
calado, frio,
sereno, direto
quase oração,
encontro d’alma
com a ação, corpo

Um poema
no começo
no fim,
de mim,
um poema,
sempre

Para refletir,
um poema, um poema
delicado, pausado
e um poema, um poema
para juntar observação

Eu faço poema, poema
disfarce, que disfarce,
o que não cabe no poema,
o poema que se cale
no muito que ainda há de ser dito…

Conta-gotas do ego

A vida me ensinou a ser prático
porque ato falho é essa ilusão
que a dúvida gera, esse não-dizer
que fica subentendido

Hoje não comigo, aprendi vivendo
os poetas vão obedecendo o pedido do coração,
e se sou claro com as palavras escritas,
as ditas não ficam na contramão

Honestamente, não vou dizer pra você
que não quis, se tentei e me permiti…
Valor tem, porque quando acontece o inevitável,
não existe meia verdade capaz de despistar

Não importa quem pegou quem
ou quem vai iniciar a roda da paixão,
importa, coração, o quando acontece,
e se acontece, a vida teve razão

Poeta não chora, não sofre por amor,
sabe lidar com alquimia, a pedra que um dia,
você chamou de coração

Poeta não derrama lágrima,
a água se um dia cair
é pra transbordar a represa
capaz de alagar e alargar a poesia
que festeja a transformação

Honestamente, se um dia quiser falar sério,
mistério não há no poema pra quem sabe ler,
pingos de letras que são pra você
conta-gotas do ego